Em cartaz neste fim de semana, peça Adormecidos aborda universo de casais

Os Satyros aborda o universo dos casais na peça Adormecidos, em cartaz hoje e amanhã na Funarte. A peça de Jon Fosse dá margem a múltiplas interpretações por parte do público

por Carolina Braga 17/05/2014 00:13

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Rodrigo Dionísio/Frame/divulgação
Ator José Sampaio em montagem dramática da Cia. de Teatro Os Satyros (foto: Rodrigo Dionísio/Frame/divulgação)

Adormecidos, espetáculo que a Cia. de Teatro Os Satyros apresenta em BH, é algo assumidamente inusitado no repertório do veterano grupo paulista. “A peça vem em uma linha dramática. Fazia tempo que não pesquisávamos nesse sentido”, afirma a atriz Luiza Gottschalk. Dirigido por Rodolfo García Vázquez, o elenco se encantou com o texto do norueguês Jon Fosse. São frases curtas, cadenciadas, com repetição de palavras sobre os desdobramentos do relacionamento de casais.

Jon Fosse é músico, e essa formação influencia o modo como ele desenvolve a dramaturgia. “Guitarrista, Jon escreve quase como se fosse uma composição. É complicado de ler, parece quase simplista. Comparo-o um pouco com o cinema francês, com seu tempo espaçado”, afirma Luiza. A atriz conta que a reação do público é controversa: “Metade chora, a outra parte dorme”.

Jogo

O ambiente proposto é de sonho. O cenário, elaborado também por Luiza Gottschalk, traz um jogo de películas espelhadas. A ideia é falar sobre o modo como cada indivíduo projeta suas próprias aflições no parceiro. Aposta-se no espelhamento e na sobreposição de corpos e imagens. O desenho de luz contribui para criar esse efeito.

“As recepções são diversas, dependem muito da leitura. A gente ouve dizer que a peça fala de amor, enquanto outros garantem que ela é espírita. Abordamos as relações amorosas interpessoais e tem gente achando que é sobre física quântica, dimensão de tempo e espaço”, comenta Luiza.

Em cartaz no Festival Internacional de Teatro Palco e Rua de Belo Horizonte (FIT-BH), Adormecidos é um dos 12 espetáculos que o grupo Satyros mantém simultaneamente em cartaz. São pesquisas muito diferentes, todas com o propósito de levantar questões caras ao homem contemporâneo. “Não queremos respostas. Estamos sempre atrás da arte como essência. Ela questiona”, conclui Luiza Gottschalk.

Fábrica de ideias

Há 25 anos, a Cia. de Teatro Os Satyros foi fundada em São Paulo por Ivam Cabral e Rodolfo García Vázquez. O grupo se tornou conhecido na década de 1990 com a peça Sades ou Noites com os professores imorais.

Os Satyros produziram 77 espetáculos, apresentaram-se em 17 países e receberam 46 prêmios – entre eles, os mais importantes das artes cênicas brasileiras, como APCA, Shell, Mambembe, Apetesp e Governo do Estado do Paraná. O grupo encenou também clássicos da dramaturgia brasileira, como Vestido de noiva, de Nelson Rodrigues, que estreou em 2008 e contou com a participação da atriz Norma Benguell.

A companhia já manteve espaços em Portugal e em Curitiba (PR), além de desenvolver trabalhos na Alemanha. Em 2000, os Satyros inauguram sua sede na Praça Roosevelt, no Centro da capital paulista.

ADORMECIDOS
Hoje, às 21h, e amanhã, às 19h. Funarte MG, Rua Januária, 68, Centro, (31) 3213-7112. R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia). Ingressos no site www.fitbh.com.br, 24 horas antes do espetáculo ou até uma hora antes da sessão, no posto da Belotur (Mercado das Flores, esquina de Avenida Afonso Pena com Rua da Bahia). Confira a programação do FIT-BH na página 5.

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