Artistas exibem trabalhos que rementem à memória das cidades

Exposição na Galeria de Arte, no Jardim Canadá, reúne mostras individuais de quatro artistas

por Walter Sebastião 13/05/2014 00:13

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Randolpho Lamonier/divulgação
Trabalhos de Randolpho Lamonier surgiram no contexto de áreas industriais de Minas (foto: Randolpho Lamonier/divulgação )
Quatro exposições individuais no mesmo espaço. Fernando Cardoso, Manuel Carvalho, Randolpho Lamonier e Warley Desali exibem desenhos, pinturas, fotografia e vídeo na Orlando Lemos Galeria de Arte, no Bairro Jardim Canadá. “São trabalhos distintos. Cada um com as suas particularidades, mas com muita conexão, talvez por sermos da mesma geração e frequentarmos o mesmo circuito e cidade. As peças trazem forte presença do ambiente urbano, um olhar que observa como o ser humano se posiciona nesse contexto”, explica Randolpho Lamonier.


Depois de participar de coletivas, o artista plástico faz a sua primeira mostra individual. A série 'Diários em combustão' reúne trabalhos em vídeo, pintura, bordado, instalação, foto e livro-objeto. O mote são as relações entre indústria, memória e afetividade. As peças vieram do percurso dele por fábricas, parques abandonados e beira de ferrovias em áreas industriais na Região Metropolitana de BH. Os desenhos, performances e esculturas surgiram de elementos encontrados nesses locais.

As obras são marcadas pela tensão entre aspectos lúdicos e dramáticos, às vezes agressivos, ora delicados, explica ele. A visualidade pode ser áspera ou suave. “Em certos momentos, elementos que compõem as peças relativizam esses conceitos”, observa Lamonier, lembrando que algo originalmente tosco ganha sentido de delicadeza em outro contexto.

A ideia para os trabalhos surgiu da residência que o artista fez no Espaço Experimental de Arte (EXA), durante as atividades do projeto Memória da casa: de dentro e de fora, orientado pelas artistas plásticas Sylvia Amélia e Rosa Maria Unda Souki.

Lembrança “As obras são uma reconstrução poética da memória e da afetividade no contexto industrial, pouco propício a isso. Minhas lembranças mais remotas, as mais doces e delicadas, estão nesse espaço, onde passei a maior parte da minha vida”, observa. Nascido em Coronel Fabriciano, no Vale do Aço, Randolpho passou boa parte da vida em Contagem. “Ter um casa perto ou dentro de uma fábrica interfere na sua vivência. Não é lugar feito para afetos, relações humanas, memórias. Mas ali há vida, memória e história, por mais árido que seja o contexto”, conclui.

Fernando Cardoso, Manuel Carvalho, Randolpho Lamonier e Warley Desali já expuseram em espaços institucionais e privados. Fernando Cardoso, o veterano do grupo, tem longa e importante carreira marcada por dedicação ao desenho, praticado em singular registro intimista e às vezes onírico, nos quais o próprio criador surge como personagem.

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