Intervenção do FIT coloca o público para pensar

Realizada em estação de ônibus e na Rodoviária, 'Café?' provoca reflexão do cidadão sobre o cotidiano nas grande cidades brasileiras

por Carolina Braga 10/05/2014 06:00

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Fotos: Jair Amaral/EM/D.A Press
Com a roupa manchada e o discurso forte e delirante, a personagem de Tatiana Lenna vai aos poucos conquistando a atenção das pessoas que passam apressadas pela estação de ônibus do Bairro São Gabriel (foto: Fotos: Jair Amaral/EM/D.A Press)
A rotina da atendente Dayane Soares foi quebrada nos últimos dias. Quando voltava para casa, na quinta, deparou-se com uma mulher aparentemente louca, com vestido manchado de café, falando sozinha na Estação do Move, em Venda Nova. Como em meio a um surto, a mulher entrou no ônibus e sumiu. No outro dia, quando Dayane chegou para trabalhar na Estação São Gabriel, lá estava ela de novo. “Você sabe o que está acontecendo aqui? Ontem vi essa mulher perto da minha casa. Eu não estou entendendo nada”, disse.


Bastou esperar um pouco e logo Dayane já estava tomada por Café?, montagem da Cia Efêmera (SP), que faz parte da programação do FIT-BH. Neste caso, não é apropriado falar que a peça está em cartaz, já que o objetivo é atravessar a rotina dos trabalhadores com um pouco mais de poesia. Na segunda-feira haverá mais duas “sessões”, na Rodoviária de Belo Horizonte, às 9h e às 17h.

Café? é uma intervenção da atriz Tatiana Lenna, mineira de Belo Horizonte, há sete anos radicada na capital paulista. “O público do festival não chega. É para quem está circulando no local”, explica o assistente de direção João Bienemann. Ao longo dos 40 minutos de duração, a atriz dispara reflexões sobre o ir e vir e a forma como as pessoas têm lidado com as próprias vidas. “A gente recebe, a gente trabalha e continua andando, andando, andando”, diz, enquanto trabalhadores apressados passam sem se dar o trabalho de ouvir.

“É um trabalho sobre o efêmero”, afirma a atriz. O que importa para Tatiana é que cada transeunte leve um fragmento do diferente que atravessou sua rotina. O espetáculo foi criado há três anos, mas é a primeira vez que participa de um evento do porte do FIT. Foi apresentado em estações do metrô de São Paulo, em favelas e becos. A preocupação sempre foi chegar a locais aonde o teatro raramente vai.

IMPROVISO
Por mais que Café? tenha uma dramaturgia, assinada por Manuela Ramalho, o inesperado sempre faz parte das apresentações. No dia em que foi apresentado na estação do Move, no Bairro São Gabriel, a personagem pediu e ganhou um pacote de biju de um dos vendedores ambulantes que se preparava para embarcar. Teve também o encontro emocionado com uma espectadora que se mostrou mais aberta à intervenção. Sem poder ficar para ver até o final, foi-se despedindo-se da atriz e explicando a razão do abandono. “Vou cuidar do meu filho”, disse. A intérprete deixou-se dominar pela solidão e emocionou algumas pessoas na pequena plateia.

“Ela consegue incorporar a personagem. Teve gente que achou que era doida. É muito legal”, comentou a estudante Brenda Santos. “Chamou a minha atenção. Fiquei confusa, mas depois que vi o fotógrafo me aproximei. Parece que são muitos personagens”, surpreendeu-se Camila. “Nunca estou sozinha, mas com todo mundo. Fico muito emocionada em compartilhar esse trabalho com Minas Gerais”, conclui a atriz Tatiana Lenna.


NA RUA
Hoje

11h, 14h30 e 16h30 – Augenblick dream (França), no Parque Municipal
16h – As raízes do mineiro pau e do boi pintadinho (RJ), no Parque Professor Guilherme Lage (Regional Nordeste)
17h30 – Jamais 203 (França), cortejo com saída pela Avenida dos Andradas, seguindo até a Praça da Estação

Amanhã

11h, 14h30
e 16h30 – Augenblick dream (França), no Parque Municipal
16h30 – De mala às artes, no Parque Estrela Dalva (Regional Oeste)

NO PALCO

Hoje

20h –Oratório – A saga de Dom Quixote e Sancho Pança (MG), no Teatro Francisco Nunes
20h – De nós dois, só (MG), no Espaço Ambiente
21h – 1325 (Portugal), no Teatro da Biblioteca Pública
21h – O líquido tátil (MG), na Sala Juvenal Dias (Palácio das Artes)
21h – Memórias em tempos líquidos (MG), no Oi Futuro

Amanhã

19h – Oratório – A saga de Dom Quixote e Sancho Pança (MG), no Teatro Francisco Nunes
19h30 – 1325 (Portugal), no Teatro da Biblioteca Pública
19h30 – Memórias em tempos líquidos (MG), no Oi Futuro
20h – De nós dois, só (MG), no Espaço Ambiente
20h – O líquido tátil (MG), na Sala Juvenal Dias (Palácio das Artes)

* Confira o endereço dos teatros no roteiro , na página 5

FIT-BH

>>Até dia 25, em Belo Horizonte. Programação completa e endereços no www.fitbh.com.br.
Ingressos para espetáculos de palco e espaços alternativos, R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia), à venda no Mercado das Flores, Av. Afonso Pena com Rua da Bahia, e pelo site www.fitbh.com.br. Espetáculos de rua têm entrada franca.

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