Anderson Müller e Hélio Ribeiro discutem Freud no teatro

Peça 'Freud - A última sessão' retrata o diálogo entre o psicanalista ateu e o teólogo C. S. Lewis

por Walter Sebastião 09/05/2014 08:56

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Ronaldo Júlio/divulgação
(foto: Ronaldo Júlio/divulgação)
Um fato real inspirou Freud – A última sessão, atração do Palácio das Artes no fim de semana. Nos anos 1940, o teólogo C. S. Lewis (papel de Anderson Müller) escreveu artigos criticando o ateu Sigmund Freud (Hélio Ribeiro) e suas ideias. Certo dia, o pai da psicanálise convidou o rapaz para ir à sua casa e o enredou em questões que o deixaram perdido. A peça do psiquiatra Mark St. Germain se inspirou no livro Deus em questão, de Armand Nicholi, e foi destaque no circuito off-Broadway há três anos.


“É um duelo entre dois homens brilhantes”, explica a diretora Ticiana Studart. E vai logo avisando: a peça tem impacto sobre o espectador. A argumentação dos protagonistas, apresentada em texto bem escrito e profundo, é uma comédia que faz pensar, revela.

Os antagonistas não economizam armas. O cenário é o gabinete do psicanalista, com direito à réplica dos móveis de Freud. “Fiz uma opção pelo realismo, o que coloca o ator em primeiro plano. O texto pedia um trabalho assim”, observa Ticiana, contando ter apostado na veracidade das interpretações e evitado piruetas cênicas.

 “Para mim, teatro deve mexer com as pessoas. Sou idealista, continuo achando que, no palco, deve-se comunicar alguma coisa”, diz Ticiana. Encerrado o espetáculo, a peça não pode ser rapidamente esquecida. “O bom é quando a conversa continua, quando o texto te leva a pensar”, acrescenta ela, convicta de que essa dimensão não se opõe à diversão.

A peça marca a volta de Ticiana aos palcos depois de dois anos de afastamento. Nesse período, ela escreveu Fora do normal (Record), sobre sua luta contra a dependência química e o transtorno bipolar, e dirigiu curta-metragem Apenas uma possibilidade.

Com 53 anos, Ticiana é atriz desde 1979. Morou em Nova York e estreou como diretora em Delicadas torturas (1988). A peça deu o Prêmio Molière a Paulo José e o Mambembe às atrizes Zezé Polessa e Lília Cabral.


FREUD – A ÚLTIMA SESSÃO
Com Hélio Ribeiro e Anderson Müller. Direção: Ticiana Studart. Palácio das Artes, Avenida Afonso Pena, 1.537, Centro, (31) 3236-7400. Amanhã, às 21h; domingo, às 19h. Ingressos: R$ 50.

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