Grafiteira do 'bolinho', Maria Raquel faz mapa com suas crias

Artista mapeou 140 pontos onde deixou sua marca; veja o guia!

por Shirley Pacelli 06/05/2014 13:33

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Divulgação
Paixão por bolos levou Maria Raquel a criar ícone de arte urbana querido por mineiros (foto: Divulgação)
Uma dose de verde vibrante, três colheres de criatividade e uma pitada de alegria açucarada: em algumas horas sai do forno o Bolinho Hulk – uma versão do personagem de grafite que colore os muros de Belo Horizonte desde 2009. Não há quem não note, especialmente as crianças, os divertidos cupcakes que estão espalhados por toda a cidade. O pequeno Samuel, de 5 anos, filho de Luciana Maria de Araujo, é um dos fãs mais dedicados do Bolinho. Em uma verdadeira caça ao tesouro, ele percorre as ruas de BH com a família sempre atento aos muros. Cada achado merece um registro em pose especial: já são 70 deles.

Por crianças como ele (e muitos marmanjos), a artista Maria Raquel Alves Couto Ramiro, de 28 anos, resolveu mapear suas “crias”. Ela catalogou cerca de 140 deles espalhados pela cidade. Em seu site, recentemente criado, há um mapa com os endereços de cada ponto. Quem completar os tours propostos pode levar um brinde da lojinha dela para casa.

Na criação com a avó, na cidade de Itabira, a cerca de 110 quilômetros da capital, Raquel despertou sua paixão por bolos. Depois de mudar-se para a capital mineira, ela queria criar um ícone para começar os seus trabalhos de arte urbana. O prazer ao saborear cupcakes falou mais alto e surgiu o Bolinho, apelido que veio de forma natural para o personagem, já que o termo estrangeiro não transmitia muita simpatia.

O ícone foi se transformando à medida que a artista dominava novas técnicas. Os traços simples iniciais desembocaram em personagens mais complexos, que brincam com assuntos do momento. Rei do camarote, rolezinho e beijinho no ombro já foram assuntos retratados. “Nos últimos dias está todo mundo falando de banana por causa do jogador Daniel Alves, que comeu a fruta lançada ao campo, em um episódio de racismo. Será a minha próxima inspiração”, revela.

Normalmente, ela grafita pelos lugares onde passa no dia a dia. Há muitos trabalhos pela região do Bairro Floresta, onde morava, e desde que se mudou para o Jaraguá há dezenas deles pela Avenida Antônio Carlos, na Pampulha. Seus preferidos são os maiores, segundo ela porque dão mais trabalho. “Já teve grafite que foi apagado no dia em que o fiz. Dá um aperto quando isso acontece, mas não fico reclamando, já me acostumei”, diz.

Nesses cinco anos de existência, o Bolinho virou a marca da artista e há até quem a chame por esse nome. Em 2013, ele virou coleção exclusiva de roupa e já serviu como tema para ensaios fotográficos de casamento e de uma gestação. Todos os dias, dezenas de pessoas tiram fotos com o personagem e não se cansam de demonstrar para a criadora o quanto gostam dele. “Em um dos últimos grafites que fiz, sob o viaduto da Avenida Francisco Sales, passou uma pessoa de carro e ficou me gritando. Quando fui até lá, ela me deu uma bandeja de cupcakes”, conta Raquel, com água na boca.

 

 

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