Alfredo Nobel expõe obras na Galeria de Arte da Copasa

Ponto de partida para a criação dos trabalhos foi a observação da natureza

por Walter Sebastião 04/05/2014 07:00

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Copasa/Divulgação
Obras de Alfredo Nobel acentuam a dimensão da aspereza e do amorfo (foto: Copasa/Divulgação)
Seis dos oito trabalhos que Alfredo Nobel, de 52 anos, está expondo na Galeria de Arte da Copasa são formados por conjunto de peças criadas com terracota e cimento. Cada obra pode ter dois ou centenas de elementos, mas são sempre formas toscas, ásperas. As peças não têm títulos e o artista, para falar delas, vale-se de apelidos: oratórios, crânios, cavidades com água, ossos, espiral. Uma das únicas esculturas a ter nome – 'Cão para Francis Bacon' – não apenas sugere uma carcaça, como evoca artista inglês com gosto pelo amorfo e o informe.


“Não é o feio, é o torto que está na etimologia da palavra barroco”, afirma Alfredo Nobel. As obras falam de vida, morte, transformação dos seres e coisas. E com formas que pontuam o desarmônico e o dramático, que se contrapõem à lisura e ao equilíbrio das estéticas clássicas. “É adeus ao mundo e volta a ele”, define o artista.

O ponto de partida foi observação da natureza, mas em momento de crise existencial. “E ela foi impondo caminhos que fui aceitando”, conta. A instalação Espiral, por exemplo, veio de passeio pela praia, que o levou à coleta de conchas “expressivas e não das belas e perfeitas”, que serviram de inspiração para esculturas.

Alfredo Nobel planeja, depois da exposição, enterrar as obras por uma década, tanto para observar o efeito do tempo sobre elas, quanto como investigação sobre o presente e o futuro. “É experiência de desapego”, observa. O artista vê nexos entre o uso de argila e cimento nas peças atuais com outros momentos da carreira, em que misturou metal e barro. “Meu interesse é por desafios, não pela construção de uma grife.”

A mostra é a maior de artista que, ao longo das últimas décadas, se dedicou à escultura. E que voltou a apresentar obras (caixas com textos do poeta Augusto dos Anjos), em 2013, depois de oito anos longe das galerias. Ausência movida por frustração com espaços institucionais. “Sinto falta dos salões de arte, que eram espaço para número maior de artistas”, afirma.

Alfredo Nobel

Galeria de Arte da Copasa, Rua Mar de Espanha, 525, Santo Antônio. Aberto todos os dias das 8h às 19h. Até 1º de junho. Entrada franca.

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