Mostra 'Mestres da gravura' traz trabalhos de grandes artistas a BH

Obras de mestres como Dürer, Rembrandt e Goya ficam em exposição a partir desta terça-feira no Palácio das Artes. Trabalhos integram acervo da Biblioteca Nacional

por Walter Sebastião 29/04/2014 08:26

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Real Biblioteca/Reprodução
'Os músicos', gravura de Lucas von Leyden, considerado um dos mais importantes artistas gráficos da história da arte (foto: Real Biblioteca/Reprodução)
Entre os grandes acervos brasileiros de arte, há um especial: o de gravuras avulsas da Fundação Biblioteca Nacional. Considerado pela Unesco um dos 10 maiores do mundo, tem 30 mil itens, alguns deles de artistas ilustres como Lucas Van Leyden (1494-1533), considerado um dos maiores artistas gráficos de todos os tempos, além de personalidades bem conhecidas como Albrecht Dürer (1471-1528), Rembrandt (1606-1669) e Goya (1746-1828). Um reunião de 170 obras, de 81 artistas, vinda da coleção, está na exposição Mestres da gravura, que vai ser aberta nesta terça em duas galerias do Palácio das Artes. “São preciosidades de uma coleção que é um tesouro do Brasil”, afirma Fernanda Guerra, curadora da mostra.

O acervo, que é patrimônio nacional, começou a ser formado com conjunto de gravuras que integrava a Real Biblioteca de Lisboa, trazida ao Brasil por ocasião da vinda da corte portuguesa para o Rio de Janeiro em 1808, e foi, aos poucos, ganhando acréscimos até chegar à dimensão que tem hoje. A exposição privilegia o núcleo inicial da coleção e as técnicas desenvolvidas até o século 18 (a xilogravura e diversas técnicas de gravação em metal a partir do século 16). O material apresentado em oito grupos, de acordo com a procedência das imagens: coleções francesa, holandesa, alemã, portuguesa, flamenga, inglesa, espanhola e italiana. A série pontua a evolução da linguagem gráfica e dos temas ao longo dos séculos.

“Em todas as seções da mostra há raridades de artistas maravilhosos”, avisa Fernanda Guerra, explicando que há peças que nunca saíram da Biblioteca Nacional. A presença de grandes coleções de gravuras nos acervos antigos das bibliotecas deve-se ao fato de elas serem modo de expandir e divulgar os acontecimentos. “Gravuras tinham grande circulação, eram editadas e vendidas em toda Europa. Tiveram papel importante na divulgação da arte europeia”, conta a curadora. A mostra surgiu depois de Fernanda Guerra conhecer a coleção da Biblioteca Nacional, como assessora da equipe que fez pesquisa iconográfica para livro sobre a Biblioteca Real Portuguesa, da historiadora Lilia Schwarcz. “Me chamou atenção, pois é coleção de alta qualidade, mesmo comparada a acervos europeus”, acrescenta.

O projeto faz parte de um trabalho que tem como objetivo ampliar o conhecimento do acervo. Dez gravuras foram restauradas especialmente para a mostra. “Conservar e catalogar o acervo é a primeira questão posta”, afirma a curadora. Trata-se de coleção que merece estudos e conhecimento mais detalhados – em vários casos não se conseguiu, por exemplo, identificar a procedência da obra. Fernanda saúda o momento em que as coleções públicas andam circulando pelo país: “Estamos começando a conhecer nossos acervos, a importância deles para um Brasil mais culto e a valorizar a preservação. Temos poucos anos de história, mas acervos preciosos”.

Linhas da história “Gravura é mundo mágico. Quando você se envolve com ela, não abandona mais”, garante Fernanda Guerra. Ela define a arte de gravar como dar vida às linhas do tempo. “Das tramas delicadas do desenho sobre uma superfície, bordaram-se com linhas incisivas, ao longo da história, algumas das mais sutis e notáveis obras de arte”, explica no catálogo, encantada com a sensibilidade e destreza dos artistas. Conta que, em cada lugar que a exposição é apresentada – a mostra já passou pelo Rio de Janeiro e Brasília e segue para Salvador –, tem conhecido gravadores e ateliês de gravura contemporânea e se relacionado com público interessado no assunto. “É uma arte que está vivendo um momento importante, está ressurgindo.”

“Nos últimos anos, estamos vivendo no Brasil um momento feliz para as artes, inclusive a contemporânea. Há produção, museus sendo abertos, muito público, acervos sendo apresentados. O que é importante para melhor entendimento da cultura brasileira”, observa a curadora. Um sonho de Fernanda Guerra é levar a exposição Mestres da gravura, comprada pelo Brasil por ocasião da Independência, para Lisboa. “Eles não veem essas gravuras desde a vinda de dom João VI para o Brasil”, brinca.



Mestres da gravura – Coleção da Fundação Biblioteca Nacional
Nesta terça, às 19h, para convidados. A partir de amanhã, para o público. Galerias Arlinda Corrêa Lima e Genesco Murta, do Palácio das Artes, Avenida Afonso Pena, 1.537, Centro. (31)3236-7471. De terça-feira a sábado, das 9h30 às 21h; domingo, das 16h às 21h. Entrada gratuita. Até dia 22 de junho.

Gênios que saem da sombra

Mestres da gravura traz imagens originais, no sentido de trabalhos criados por renomados artistas, como também gravuras de reprodução ou interpretação realizadas por grandes gravadores com base em obras-primas, como pinturas, esculturas e afrescos. Em cada um dos oito segmentos, um autor é posto em destaque. Além de artistas conhecidos da história da arte, como Rembrandt, Goya, Dürer, Piranesi, há criadores que merecem atenção do público. A curadora indica alguns deles.

Lucas van Leyden (1494-1533) – Fez pintura sobre vidro, têmpera e óleo. Já gravava aos 9 anos. Era conhecido pelo perfeccionismo e rigor de suas realizações, com pequenas tiragens (no máximo 10 exemplares). Por isso são raras as obras dele. É considerado um dos mais importantes artistas gráficos de todos os tempos. A exposição em BH tem cinco obras de Lucas van Leyden.

Henrich Aldegrever (1501-c.1561) – Ourives, pintor e gravador nascido em Paderborn, Alemanha. Estudou na oficina de Albrecht Durer e, nos últimos anos de vida, dedicou-se inteiramente à gravura. “Tem traço maravilhoso, delicado, é a beleza do desenho gótico”, analisa a curadora.

Jacques Callot (1592-1635) – Desenhista e gravador francês, nasceu e morreu em Nancy. Filho de mestre de cerimônias, aos 12 anos fugiu para a Itália para estudar desenho. Suas obras são grandes composições, com muitos personagens, sempre em pequenos formatos. São cenas com planos diferenciados e cuidadoso trato da luz.

• Giovanni Benedetto Castiglione (1720-1778) – Pintor e desenhista nascido em Gênova. O gosto pelos jogos de luz e sombra, presentes nas gravuras, levaram o artista a ganhar o apelido de segundo Rembrandt. “Tem traço forte, que tem dinâmica e elegância”, aponta Fernanda.

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