Centros culturais da PBH fechados durante a semana afastam visitantes

Espaços vinculados à Prefeitura de Belo Horizonte apresentam capacidade ociosa. A população gosta de frequentá-los, mas alguns ficam de portas fechadas

por Ailton Magioli 20/04/2014 06:00

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Beto Novaes/EM/D. A PRESS
Lazer ecológico dentro de BH: João Batista da Silva e Maria Glória Nunes curtem a quarta-feira no Parque Lagoa do Nado (foto: Beto Novaes/EM/D. A PRESS)
Com 16 centros culturais distribuídos por oito regionais – incluindo o desativado Liberalino Alves, na Pedreira Prado Lopes –, Belo Horizonte corre contra o tempo para fazer da cultura um bem de toda a população, conforme determina o artigo 215 da Constituição Federal.


Uma visita a esses espaços deixa dúvida quanto a seu funcionamento. Enquanto se anuncia que todos estão abertos de terça-feira a domingo, incluindo feriados, no dia 15 a reportagem do Estado de Minas deparou com portas fechadas nos centros culturais Padre Eustáquio, Lagoa do Nado e Zilah Spósito. Os responsáveis alegaram que funcionários dessas unidades participam regularmente de cursos de reciclagem na Fundação Municipal de Cultura (FMC), à qual estão vinculados.

Se na terça-feira o Lagoa do Nado estava fechado, no dia seguinte Maria Glória Nunes e João Batista da Silva, moradores do Bairro São João Batista, curtiam o solo de sax executado pelo guarda municipal Jeferson Laurindo Ferreira. O músico aproveitava o dia de folga para ensaiar à beira do lago que enfeita a paisagem bucólica do centro cultural na Região da Pampulha, o mais antigo da capital mineira.

“Faço uma verdadeira viagem no tempo quando venho aqui e ouço o ensaio dos integrantes da Banda de Música da Guarda Municipal de Belo Horizonte”, contou o aposentado João Batista. Aquele som lembra-lhe a infância no Bairro Santa Tereza, onde ouvia os músicos do batalhão militar.

Os 35 instrumentistas da banda têm direito a sala e a alojamento no Lagoa do Nado. “Aqui é ótimo para tocar, ficamos longe do barulho do trânsito”, explicou o clarinetista Vicente da Silva.

Maior

“Recebemos gente de toda a cidade e da região metropolitana”, informa Daniela Costa Miziara, técnica de patrimônio cultural do Parque Fazenda Lagoa do Nado, onde fica o centro. Criado em 1970, ele ocupa área de 300 mil metros quadrados no Bairro Itapoã, na Região da Pampulha. Administrado pela FMC e a Fundação Municipal de Parques e Jardins (FMPJ), ele é o maior e mais belo centro cultural integrado às regionais da prefeitura. Conta com biblioteca, teatros de arena e de bolso, galpão coberto e espaço multimeios, além de três quadras de peteca e duas de futebol.

No Bairro Jaqueline (Regional Norte), a realidade do Centro Cultural Zilah Spósito é bem diferente. No único computador disponibilizado à comunidade, os amigos adolescentes Davi Cordeiro da Silva e Cristiano Costa da Silva Júnior aproveitavam para acessar o Facebook, enquanto Wallace Lousada de Lima recorria à biblioteca para suas pesquisas escolares.

Fechado

O Centro Cultural Liberalino Alves, na Pedreira Prado Lopes (Regional Noroeste), foi desativado. De acordo com a FMC, suas atividades vêm sendo desenvolvidas em outros espaços da comunidade.

Além de acesso facilitado, a maioria dos centros culturais administrados pela Prefeitura de Belo Horizonte oferece equipamentos adequados e atrações capazes de conquistar o cidadão. Mas parece faltar público a todos eles. Divulgação mais eficaz, quem sabe, poderia mudar essa situação.

Do Castelo  ao Padre Eustáquio

Com ritmo de leitura surpreendente, o aposentado Vitor Hugo Lichirgu sai frequentemente do Bairro Castelo, na Região da Pampulha, para buscar livros no Centro Cultural Padre Eustáquio (Regional Noroeste), que divide espaço com a tradicional Feira Coberta do bairro.

“Devolvo três e levo mais três a cada 15 dias”, explicou Vitor Hugo, que gasta 15 minutos de sua casa até lá. “Não ouço bem, não vejo TV. Então, leio muito”, contou o fã de livros de ação e romances.
O aposentado ignora a existência de centros culturais na região onde mora. Ele prefere ir ao Bairro Padre Eustáquio porque o ônibus passa em sua rua.

Sentada em frente à barraca de produtos naturais que mantém na Feira Coberta, Marisa Silva diz que o público do tradicional ponto comercial não é o mesmo do centro cultural. “De qualquer jeito, temos uma boa parceria”, acrescenta.

 

 

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