Centro Cultural da UFMG é totalmente restaurado

Imóvel passa a integrar corredor artístico no hipercentro de Belo Horizonte. Espaço completa 25 anos com programação variada

por Ailton Magioli 13/04/2014 00:13

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Fotos: Beto Novaes/EM/D. A Press
A artista Marina RB leva um de seus trabalhos no recém-reformado da UFMG, onde fará sua primeira exposição individual (foto: Fotos: Beto Novaes/EM/D. A Press)
Atração da programação comemorativa das bodas de prata do Centro Cultural da UFMG (CCUFMG), que teve finalmente as fachadas internas e externas restauradas, além de reformas e pintura por todo imóvel, Marina RB apresenta a exposição fotográfica Nuova architettura de olho no potencial de público do espaço, localizado no hipercentro.

“O público daqui talvez ainda seja um pouco restrito a alunos da universidade, diante do medo da violência da região”, acredita a jovem artista, para quem a maioria não sabe sequer que o imóvel foi reformado. Marina, que realiza a primeira exposição individual no local, diz que o ideal para o espaço é aderir ao denominado Circuito Cultural da Praça da Estação, dividindo público com Museu de Artes e Ofícios (MAO), Espaço 104, Serraria Souza Pinto e Funarte MG.

Para o ex-reitor da UFMG, Cid Veloso, em cuja gestão o centro foi inaugurado, em 1989, para movimentar mais o espaço basta atrair o público que circula pelo hipercentro, de menor formação cultural. “No ano passado, artistas da região foram convidados a participar de um grande evento no Centro Cultural, quando puderam mostrar sua produção, fosse ela nas áreas de artes plásticas, fotografia e outras mais”, recorda Cid, que, desde 2012, faz parte do conselho diretor do Centro Cultural da UFMG.

Segundo o vice-diretor do espaço, Marcos Queiroz, com a inclusão da Avenida Santos Dumont no circuito do BRT/Move, recém-inaugurado, a região foi brindada com um pequeno jardim, além de uma nova iluminação, contribuindo para afastar o medo das pessoas de circular pelo local, especialmente à noite. Além do Museu Vivo da Memória Gráfica, o Centro Cultural da UFMG também abriga o projeto Memória feita à mão, do Grupo Galpão. Trata-se de centro de pesquisa e memória do teatro, no qual, por meio de um ateliê, os figurinos e objetos de cena de espetáculos mais antigos do grupo são restaurados ao vivo no local. “A proposta é de um ateliê aberto para receber os interessados”, avisa Gerusa Radicchi.

Entre os eventos de maior sucesso realizados no CCUFMG está o projeto Sexta sintonia, que há uma década leva de 200 a 400 pessoas a shows realizados no pátio do espaço. “No decorrer do ano, as exposições também acabam atraindo muita gente”, constata Marcos Queiroz, lembrando que o projeto de visita orientada, que leva crianças de escolas municipais e estaduais ao espaço, contribui para a formação de público novo.

“Cada visita reúne de 100 a 150 alunos, de uma a duas escolas municipais e estaduais, por semana”, contabiliza o vice-diretor do Centro Cultural da UFMG. Outro sucesso de público no local, de acordo com ele, costuma ser o Cinecentro, que chega a levar 150 pessoas nas noites de terças e quintas-feiras. “Claro que depende muito do filme. A Mostra Quentin Tarantino que fizemos aqui, por exemplo, atraiu muita gente”, relata Marcos Queiroz.

Ele salienta que nos meses de janeiro e fevereiro o sucesso fica por conta da Campanha de Popularização do Teatro e da Dança, que leva espetáculos a preços populares para o local, conforme a política de preços praticada no Centro Cultural o ano inteiro. Já o projeto Música & Poesia é realizado nas noites de quarta-feira, no hall superior do prédio.

Portas e janelas


A construção, de 1906, remonta aos primórdios da capital, como ressaltam as arquitetas Alethea Moreira e Marina Laguardia, da área de projetos da Superintendência de Infraestrutura da UFMG. Responsáveis pela restauração das fachadas do Centro Cultural, elas lembram que as obras realizadas durante dois anos tiveram acompanhamento do também arquiteto Rafael Vilela, além do auxílio de historiadores, químicos e engenheiros da universidade e  da estagiária Elisângela do Carmo Silva. O processo contou com assessoria do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG), por meio da arquiteta Maria Cristina Trivelato.

Concebido originalmente para ser um hotel, antes mesmo da inauguração a construção da Região Central de Belo Horizonte passou a abrigar o 2º Batalhão da Brigada Policial da PMMG. Já em 1911, no entanto, o imóvel se transformou sede da Escola Livre de Engenharia, da Universidade de Minas. Sob administração da UFMG, a partir de 1986, três anos depois o prédio, tombado pelo Iepha-MG e Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural do Município de Belo Horizonte, seria reaberto como espaço cultural da universidade.

De autoria desconhecida, o edifício de tipologia arquitetônica eclética, com traços neoclássicos característicos do período de construção da capital, é um dos poucos exemplares do gênero na região, cuja pintura, em tons terracota, foi feita depois de pesquisa que chegou a oito tonalidades diferentes. A escolha, de acordo com Alethea Moreira e Marina Laguardia, recaiu sobre a cor que daria maior harmonia ao conjunto urbano da Praça da Estação, onde o amarelo do imponente prédio da estação ferroviária casou-se perfeitamente com o tom selecionado para o Centro Cultural.

Durante as obras, uma das constatações da equipe de restauração foi a de que muitas das cerca de 50 janelas – 22 das quais só na fachada da Rua da Bahia – eram, originalmente, portas. “Como o prédio foi construído para abrigar um hotel, havia amplos salões para circulação dos hóspedes, cujas portas foram transformadas em janelas diante do desvio de função da construção”, conclui Marina Laguardia.

25 anos
Destaques da programação


» Dia 22 – Pátio, 20h – Samba da Tipografia, com Banda B e José do Monte
» Dia 23 – Av. Santos Dumont, 18h30 – Intervenções de rua com o Coletivo Cidade Comestível
– Hall superior, 20h30 – Música e poesia, Batucando
» Dia 24 – Auditório, 19h – Cinecentro
» Dia 25 – Auditório, 20h30 – Projeto Música experimental e invenção, com Marcos Campello e Pedro Filho
» Dia 26 – Auditório, 10h – Lançamento do Projeto DiverCidades mineiras
– Auditório, 12h – Grupo Congá
– Pátio, 21h – Show Titane & Banda


TODOS OS ESPAÇOS
» 1º andar
Hall de entrada (térreo)
Laboratório do livro (entrada pelos fundos)
Projeto Memória gráfica
Projeto Memória feita à mão
Telecentro
Projeto Ateliê
Galeria Aretuza Moura
Pátio

» 2º andar
Hall superior
Sala de exposições Ana Horta
Sala de exposições Celso Renato de Lima
Varanda (com cinco salas multiúso)
Administração

CENTRO CULTURAL DA UFMG
Av. Santos Dumont, 174, Centro. De segunda a sexta, das 10h às 21h; sábado e domingo, das 10h às 18h. Informações: (31) 3409-8290

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