Eva Wilma traz a BH peça sobre os bastidores do teatro

Espetáculo traz texto irônico sobre o mundo das artes cênicas. Um dos destaques é o ator peruano Eduardo Adrianzén

por Walter Sebastião 10/04/2014 10:44

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João Caldas/divulgação
Eva Wilma (C) interpreta a veterana Blanca Estela em 'Azul resplendor', em cartaz de amanha a domingo em BH (foto: João Caldas/divulgação)
'Azul resplendor' abre os bastidores das artes cênicas para o mundo. A peça põe no palco estrelas chatas e temperamentais, diretores que se acham o máximo, bajuladores capazes de tudo por seus ídolos. Afastada dos holofotes há 30 anos, a magoada Blanca Estela (Eva Wilma), uma grande dama do teatro, volta à cena graças ao seu mais devotado fã, Tito Tápia (Renato Borghi). Ator inexpressivo, mas com bela herança para gastar, ele decide montar a peça que escreveu sobre a própria mãe. Para encená-la, convida o badalado diretor Antônio Balaguer (Dalton Vigh).

“É teatro dentro do teatro”, explica o ator Renato Borghi, que produziu e dirigiu o espetáculo em parceria com Élcio Nogueira Santos. A peça traz um olhar irônico sobre tipos do mundo das artes cênicas: conservadores, de vanguarda e “os que se acham donos da verdade”, diz o bem-humorado Borghi. “É uma gente ótima, mas cheia de manias, que gosta de ser incensada e, quando recebe crítica, fica furiosa. Identifico-me com todos.”

O texto foi escrito por Eduardo Adrianzén. Borghi explica que o prestigiado autor de novelas de TV e peças é “um Gilberto Braga peruano”. Trata-se de uma peça de ator: a trama e as características dos personagens cobram atuação. “Para fazer Blanca Estela precisávamos de uma grande atriz, que conhecesse todos os aspectos do drama e do humor. Convidamos Eva Wilma. Ela é maravilhosa, tem muitas ideias e dá palpites ótimos. Trabalhou muito sozinha antes de vir para os ensaios. Buscou um falar sutil, adaptando o texto para ela, deixa a sensação de que as frases são dela. Nem parece texto traduzido. Outros atores não têm esse cuidado”, elogia Borghi.

A escolha dos atores para fazer os personagens mais jovens foi cercada de cuidados. “Dirigi essa peça com o mesmo prazer com que o autor a escreveu”, conta. A decisão de montar 'Azul resplendor' veio das andanças de Borghi por países ibero-americanos para fazer conferências e ministrar oficinas a partir de peças de Nelson Rodrigues e Plínio Marcos. Atualmente, ele analisa cerca de 1 mil textos recolhidos no exterior para um projeto de edição bilíngue (espanhol e português).

“A produção latino-americana tem sentido poético muito desenvolvido. O teatro brasileiro anda voltado para o naturalismo, está muito cru. Não sou nostálgico, mas já houve tempos em que escrevíamos com mais sensibilidade, sentido poético e conhecimento da realidade brasileira”, critica. Borghi afirma que 'Azul resplendor' oferece rara possibilidade de contato com um autor contemporâneo latino-americano. “Outras peças de Eduardo Adrianzén merecem ser montadas no Brasil”, defende.

Oficina Renato Borghi, de 74 anos, é personalidade histórica dos palcos brasileiros. Foi um dos fundadores do Teatro Oficina e atuou em importantes montagens do grupo, como 'Pequenos burgueses', 'Galileu Galilei' e 'O rei da vela'. A ruptura com o Oficina levou-o ao teatro político, de resistência à ditadura militar. Ele faz cinemas, novelas e criou o grupo Teatro Promíscuo com Élcio Nogueira em 1995.

AZUL RESPLENDOR
Com Eva Wilma, Renato Borghi, Guilherme Weber, Dalton Vigh, Luciana Borghi, Luciana Brites e Felipe Guerra. Teatro Bradesco, Rua da Bahia, 2.244, Lourdes, (31) 3516-1360. Nesta sexta-feira, às 21h; sábado e domingo, às 20h. Plateia 1: R$ 80 (inteira) e R$ 40 (meia-entrada). Plateia 2: R$ 70 (inteira) e R$ 35 (meia).


O reino do ator

Em dezembro, Eva Wilma completou 80 anos. Uma das atrizes mais populares do país, ela construiu sólida carreira no teatro, no cinema e na televisão. Com desenvoltura, desempenha papéis dramáticos e cômicos.

“Não sou monstro sagrado, prefiro ser eu mesma”, afirmou a atriz ao comentar seus 80 anos, creditando 10% da carreira ao talento, 85% à perseverança, à disciplina e ao estudo. O restante é fruto da sorte. “O teatro pertence ao ator. Embora passe pelo texto (a partitura) e pelo diretor (o maestro), na hora da execução da obra o ator é pleno, absoluto em cena aberta. Por isso, dizemos você pode ser um rei, uma princesa, uma mendiga, tudo. Você reina no espaço da imaginação e da criatividade”, declara a atriz em depoimento publicado em seu site.

A carreira de Eva Wilma começou aos 14 anos, como bailarina. Muito jovem, a paulista foi convidada para integrar o primeiro elenco do grupo Arena. No fim da década de 1950, na TV Tupi, ela fez o seriado 'Alô, doçura' com o ator John Herbert (1929-2011). Os dois eram o principal casal da televisão brasileira dos anos 1950 e 1960, e ficaram casados de 1955 a 1976. Depois, Eva se casou com o ator Carlos Zara (1930-2002). A atriz fez sucesso nas novelas 'Mulheres de areia', 'Sassaricando' e 'A indomada', entre outras. (WS)

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