Monique Gardenberg traz a BH novos projetos e anuncia trabalhos como diretora

Produtora é uma das responsáveis por colocar o Brasil na rota dos grandes eventos internacionais

por Mariana Peixoto 08/04/2014 08:00

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Marcos Ramos/AG
(foto: Marcos Ramos/AG)
Ela foi responsável pelos primeiros shows de Madonna no Brasil, duas décadas atrás. Também esteve envolvida por turnês dos Rolling Stones, Elton John e Metallica, todos nos anos 1990, quando o Brasil não significava nada para o showbizz internacional. Criou os mais saudosos festivais do país – Free Jazz e Tim na música; e Carlton na dança. Empresariou Djavan e Marina Lima, levou o romance de Chico Buarque para o cinema. Estreou na direção teatral com espetáculo de cinco horas adaptado de montagem canadense sobre o impacto da bomba de Hiroshima no Japão. Isso é o que salta aos olhos numa olhada rápida na trajetória de Monique Gardenberg.

Mas não há por que ficar olhando para o passado se o presente diz tanto. A produtora, cineasta e diretora desembarca em Belo Horizonte no próximo fim de semana a bordo de dois shows. O primeiro se desdobra em três, na verdade. De sexta a domingo, no Palácio das Artes, será reaberta a temporada do projeto Banco do Brasil Covers. Em 2012, Monique dirigiu Maria Bethânia cantando Chico Buarque, Sandy interpretando Michael Jackson e Lulu Santos dando sua versão para músicas de Roberto e Erasmo Carlos. Agora, o projeto retorna a BH com novas releituras: Beatles por Dado Villa-Lobos, João Barone, Leoni, Toni Platão e Liminha (sexta); Cazuza por Maria Gadú (sábado) e Zé Ramalho por Zeca Baleiro (domingo). Montado no ano passado, o BB Covers começa aqui a temporada 2014, que será estendida a outras capitais: São Paulo, Curitiba e Salvador.

Já no sábado, no Chevrolet Hall, o público vai ver Ana Carolina em passagem com a turnê #AC. A cantora juiz-forana interpreta, para além de suas próprias canções, Bruce Springsteen ('Fire') e Belchior ('Coração selvagem'). Por sugestão de Monique, diga-se de passagem, que mais uma vez a dirige num show. Com a semana apenas começando, ela já pensa para a frente. Em 3 de junho, o Cine Theatro Brasil vai receber show do cantor norte-americano Bobby McFerrin. A apresentação integra a programação do BMW Jazz Festival, evento criado por Monique há quatro anos. Até então somente realizado no Rio e em São Paulo, o festival ganha em BH seu primeiro “braço” fora do eixo.

Criado em 2011, o evento já trouxe ao país Sharon Jones, Maceo Parker, Esperanza Spalding e Brad Mehldau. Completando a escalação de 2014, a partir de 29 de maio (em São Paulo) e 30 do mesmo mês (no Rio) haverá apresentações do pianista Ahmad Jamal, do contrabaixista Dave Holland, do saxofonista Kenny Garrett, do trompetista Chris Botti e do grupo Snarky Puppy. A SpokFrevo Orquestra será a única atração brasileira.

Roteiro Diante desses shows, o lado produtora não se aflige. “É uma coisa mais tranquila. No show me vejo mais como aquela que dá acabamento ao trabalho que é feito pelos músicos. Penso em cenário, luz, nas músicas, mas não sou eu quem está em primeiro plano. No teatro também, não posso me sobrepor ao ator”, afirma. Isso porque o lado criadora é que lhe dá mais dor de cabeça. Há dois anos Monique trabalha no roteiro de 'A caixa preta', adaptação do romance homônimo do escritor israelense Amós Oz. Depois de cinco versões, a história que discute facções ideológicas na Israel dos anos 1970 (antes da ascensão da direita ao poder), através de um sofrido triângulo amoroso, foi finalizada.

“É muito difícil escrever um roteiro, pois você tem que realmente conseguir montar a história de forma fluente, e ser ao mesmo tempo fiel à obra (original). Por outro lado, para se fazer um grande filme você tem que desrespeitar o livro, a origem de tudo. As linguagens foram muito diferentes”, diz Monique. Foi assim com 'Benjamin', de Chico Buarque, e deverá ser também dessa maneira com o romance de Amós Oz, que ganhou recentemente um apoio de peso. O cineasta Amos Gitai será coprodutor do longa, que deve ser filmado em seu país de origem. “Estou começando a sondar os atores, e possivelmente os três protagonistas serão internacionais. Deverá haver alguma participação de elenco brasileiro também. Para fazer uma metáfora do conflito entre árabes e israelenses, de dois povos, uma terra, eu tenho que rodar em Israel”, continua Monique, que espera filmar em 2015.

Mesmo com um pé do outro lado do mundo, ela não deixa o seu próprio. Pensa ainda numa continuação de 'Ó paí ó' (2007), seu longa-metragem mais recente, uma comédia musical sobre um grupo de artistas que vive num cortiço no Pelourinho. O roteiro está começando a ser trabalhado. “Tantos anos depois, estou pensando como revisitar 'Ó paí ó'. Tanto este quanto 'A caixa preta' são meus grandes sofrimentos como criadora”, finaliza.

Ela fez antes

» 1985 foi quando nasceu o Rock in Rio, certo? Pois foi também naquele ano que, fugindo do senso comum e apostando na qualidade, nasceu o Free Jazz Festival. Encabeçando o festival? “Só” um time formado por Chet Baker, McCoy Tyner, Sonny Rollins, Toots Thielemans e Bobby McFerrin.

» Cléo Pires era “apenas” a filha de Glória Pires e Fábio Jr. quando Monique Gardenberg resolveu escalá-la para viver a protagonista feminina de 'Benjamin' (2003), adaptação do romance homônimo de Chico Buarque.

» O Arcade Fire, a maior banda indie da atualidade, que fez o grande show do Lollapalooza no último fim de semana, era apenas um grupo canadense com um só disco lançado quando veio pela primeira vez ao Brasil. Pois se tornou a sensação do Tim Festival de 2005.

» Monique Gardenberg estreou como diretora teatral em 2002. Adaptou a montagem que o canadense Robert Lepage fez de 'Os sete afluentes do Rio Ota', que, a partir da explosão da bomba em Hiroshima, remonta cinco décadas da história japonesa. A peça, que utilizava vários recursos audiviosuais, durava cinco horas, o que não representou problema algum para a plateia. Foi apresentada ao longo de vários anos da década passada.

#AC

“Assim como no BB Covers, utilizo no novo show da Ana Carolina o HoloPro, que é uma placa de vidro que fica meio flutuante, como uma holografia. Comecei a utilizar esse recurso em 'O desaparecimento do elefante' (espetáculo teatral dirigido por Monique que adaptou cinco contos do escritor japonês Haruki Murakami), em que eu projetava a imagem de um aquário. Nos shows, a ideia é projetar o próprio artista captado ao vivo.”

BB Covers


“Pensei no Zeca Baleiro para fazer a show de Zé Ramalho pela familiaridade com a obra e também pela musicalidade absurda dele. Dessa forma, seria algo legítimo. Em alguns momentos ele é totalmente fiel à obra original, em outros relê as músicas de maneira bem inteligente. Ele canta 'Garoto de aluguel', por exemplo, com uma versão diferente do Zé, mas igualmente climática. Na época, quando o vi estudando a música, pensei se o Zeca pensaria fazer um garoto de programa para um filme (que aparece no show). Ele topou interpretar o personagem, o que ficou bem engraçado.”

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