Eduardo Sterblitch, do 'Pânico', encarna o Pastor Castiga com espetáculo em Belo Horizonte

Peça explora personagem consagrado na TV por ironizar preconceitos em sessões de exorcismo

por Walter Sebastião 28/03/2014 07:30

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.

Allison Valentim/divulgação
''No palco, sem a censura da televisão, o Pastor Castiga ficou 100% verdadeiro'', explica Sterblitch (foto: Allison Valentim/divulgação )
Vai estar no palco do Cine Theatro Brasil Vallourec, neste sábado, 29, em dois horários – às 19h e às 21h30 –, um tipinho que apronta todas: o pastor Poderoso Castiga. Ele fez sucesso no 'Pânico' (programa da TV Bandeirantes) exorcizando não só pessoas, mas objetos (microondas, aspiradores de pó, aparelhos de som) tomados pelo coisa ruim.

 

O nome e a biografia dele, nem o Yahoo Respostas conseguiu dizer (na televisão, certa vez, disse que se chamava Walcimar). “É um Messias que louva a si mesmo e criou uma igreja à semelhança dele”, conta o criador da criatura, o ator Eduardo Sterblitch.

No momento, ele vem carregando o Glorioso por todo Brasil com o espetáculo 'Poderoso Castiga & Banda em Poderoso Castiga & Banda'. “É uma peça, não um stand-up comedy ou um show”, avisa. No palco, sob a forma de testemunho, estão as doutrinas do pastor e as opiniões dele, um homem pra lá de reacionário, agressivo, machista e racista, que ataca tudo o que pode estar escondendo o capeta. “Não me inspirei em nenhum culto ou igreja”, observa o ator. Trata-se, explica, de alguém que não deveria dar opinião, mas o faz.

“No palco, sem a censura da televisão, o Pastor Castiga ficou 100% verdadeiro”, garante Eduardo Sterblitch, contando que, no teatro, o tipo extrapola. Quando criou o personagem, nem imaginava que fosse fazer sucesso. “Não penso nisso. Busco me dedicar ao personagem, procurando fazê-lo do melhor modo possível”, afirma. Ele diz que se entrega sinceramente ao trabalho: estuda, procura referências. “Faço tudo com ardor, amor. Se você faz bem alguma coisa, automaticamente ela vai ser bem sucedida”, acredita, saboreando o momento em que vê o personagem pular da TV para os palcos.

Eduardo Sterblitch não tem medo de que a repercussão do Poderoso Castiga o aprisione ao tipo. “Sempre procuro parar de fazer um personagem antes que o público se canse dele. Assim, fica uma saudade”, afirma. Revela que seu trabalho como ator, a cada nova empreitada, parte sempre do zero. “Gosto de imaginar que os personagens têm vida útil e se vão”, observa.

Qualidade essencial é criar coisas que deixem o espectador ativo. “Artista tem que provocar o público, não pode deixar que ele fique indiferente, sem opinião”, defende.

Falando de atores que fazem comédia e que admira, ele observa que na televisão muita gente faz coisas interessantes. Cita a turma que começou nos anos 1980, como Luiz Fernando Guimarães, Pedro Cardoso e Fernanda Torres, entre outros. “Eles têm autenticidade, fazem trabalhos autorais”, justifica.

O ator evita especular sobre as razões da empatia do brasileiro com o humor. “Talvez funcione por ser oportunidade de divertimento diante da vida difícil. Mas acho esse argumento bobo. Não somos apenas um povo engraçado, somos também um povo dramático e trágico, que se emociona”, conclui.

PODEROSO CASTIGA & BANDA EM PODEROSO CASTIGA & BANDA
Com Eduardo Sterblitch. Sábado, 29 de março, às 19h e às 21h30. Cine Theatro Brasil Vallourec, Praça Sete, Centro, (31) 3889-2003. Ingressos: plateia 1: R$ 120 (inteira) e R$ 60 (meia); plateia 2: R$ 90 e R$ 45. Classificação: 18 anos.

VÍDEOS RECOMENDADOS

MAIS SOBRE E-MAIS