Quarta edição do Festival de Fotografia de Tiradentes começa quarta e vai até domingo

Evento terá mostra de trabalhos de profissionais mineiros e exposição sobre fotos de rua

por Ailton Magioli 25/03/2014 06:00

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O curador geral do Festival de Fotografia de Tiradentes, que chega à quarta edição a partir desta quarta-feira, na cidade colonial mineira, costuma brincar que é difícil encontrar alguém que não gosta de fotografia. “A vida cibernética que todos nós estamos vivendo acabou contribuindo para que as artes visuais incorporassem a fotografia”, justifica Eugênio Sávio, lembrando que, na verdade, as fronteiras foram derrubadas, com o próprio festival se tornando cada vez mais artístico.

“Vamos ter formato multimídia e vídeos”, diz o curador, admitindo que, provavelmente, a vida muito ligada em tela foi tentadora para o artista, que não resistiu às facilidades tecnológicas que também seduziram o público. Resultado: em uma cidade com duas únicas galerias de arte (Centro Cultural Yves Alves e a do Iphan), os organizadores do evento tiveram de promover a ocupação criativa de Tiradentes, onde até as famosas charretes da cidade são utilizadas para a veiculação da arte fotográfica.

Este ano, além workshops, palestras, debates e atividades educativas sobre a arte da fotografia, o evento vai promover exposições em espaços alternativos, ruas, lojas e galpões – um deles abrigou um supermercado – até as já citadas charretes, que, desde a edição do ano passado se transformaram em vitrine supernobre para a veiculação da fotografia.

Interação e compartilhamento são os carros-chefe da programação do 4º Festival de Fotografia de Tiradentes, que aposta em conteúdos colaborativos. Além da acessibilidade facilitada pela fotografia, a própria cidade da região do Campo das Vertentes atrai o público, que, em sua maioria, vem dos grandes centros, onde se vive a rede social mais intensamente. “Aqui as pessoas têm a oportunidade de um tête-à-tête com os ídolos Bob Wolfenson, Walter Firmo, Ana Carolina Fernandes e Cláudio Edinger – este, padrinho do festival, com presença garantida a cada edição”, anuncia Eugênio Sávio.

MINEIROS O grande marco da quarta edição, no entanto, de acordo com o curador, será a exposição 'Fotografia mineira contemporânea – Em desencanto', com curadoria de Pedro David e João Castilho. A coletiva irá reunir 19 autores, cujos trabalhos passaram pelo olhar experiente de David e Castilho, dois dos fotógrafos já estabelecidos no estado, com conexões internacionais. No momento, por exemplo, Pedro David participa do Festival de Houston, um dos mais tradicionais do gênero, nos Estados Unidos.

“Até pela nossa formação dentro da fotografia – com trânsito muito intenso entre o circuito de arte contemporânea e o circuito que tem como característica uma foto de matriz mais documental – fizemos uma chamada na internet para receber propostas de quem quisesse apresentar projetos e ensaios, para que pudéssemos apreender uma diversidade maior deste cenário até então jamais reunido”, relata João Castilho, admitindo ser esta uma mostra grande e ambiciosa, de turma jovem que não se limita à idade.

“Há gente de mais de 40 anos, uma geração depois da minha (João tem 36, com 10 de atuação)”, acrescenta, lembrando que a ideia foi propor aos fotógrafos a ideia de desencantamento do mundo, de um mundo em colapso, com direito a imagens de manifestações, abandono e ideias pós-apocalípticas. Além de profissionais oriundos das artes plásticas, vieram também os de matriz documental e fotojornalística. “Conseguimos reunir todos em torno de uma questão conceitual”, comemora Castilho, lembrando que 'Em desencanto' é uma exposição de imagens – há vídeos e uma quase escultura – de linguagem muito ampla. Em cartaz no Centro Cultural Yves Alves e Espaço Raiz, a coletiva virá para Belo Horizonte no segundo semestre.

O que também deverá ocorrer com a exposição 'Foto em pauta na rua', segundo Eugênio Sávio. Sob curadoria de Rosely Nakagawa (SP), Thiago Santana (CE) e Madu Dorella (também organizadora), a coletiva reúne o trabalho de 40 autores, de 10 estados, selecionados em universo de 1.090 fotos de 244 fotógrafos inscritos. Depois do futebol, de 2013, este ano o tema escolhido foi a street photography.

 “É um tema bastante recorrente, inclusive pela instantaneidade que o celular trouxe”, repara Madu, salientando a democratização do gênero, praticado inclusive por mestres como Henri Cartier-Bresson (1908-2004). Minas Gerais e São Paulo são os dois estados em destaque na exposição, embora ela tenha recebido inscrições até da Espanha, Cuba e Uruguai.

CIRCUITO Com público previsto entre 6 mil a 7 mil pessoas, o Festival de Fotografia de Tiradentes tem a expectativa de repetir o sucesso do ano passado. Apesar de realizado em uma pequena cidade, que já abriga um fotoclube, sua área de influência se estende à vizinha São João del-Rei, onde a presença da Universidade Federal de São João del-Rei, por si só, já seria suficiente para atrair público. “Trata-se de região rica nas áreas de música e artes visuais, um dos polos mais importantes do estado na área cultural”, defende Eugênio Sávio.

Em contraponto ao Festival de Fotografia de Paraty (RJ), que é mais internacional, o evento mineiro foca na produção fotográfica nacional, de acordo com o curador geral, até para não criar clima de competição entre as cidades-irmãs e os eventos parceiros. Este ano, Tiradentes estará recebendo convidados de Belém (PA), Salvador (BA), Recife (PE) e Fortaleza (CE), entre outros estados brasileiros.



IMAGENS

Além das exposições Fotografia mineira contemporânea e Foto em pauta na rua, o festival terá as seguintes mostras no Largo das Forras

Brasília – Apresentada pelo Instituto Moreira Salles (IMS), faz parte do acervo do cineasta Jorge Bodanzky, recém-incorporado às coleções do IMS.
Abismo da carne – Fruto de pesquisa realizada pela antropóloga no acervo do fotógrafo pernambucano Ricardo Lebastier.
Plenitude – Manu Melo Franco retrata a rotina de seu filho Tomé e coloca sua memória familiar na curva do olhar do outro.
Mirada – Mônica Mansur discute o quanto a paisagem é imaginária a partir do deslocamento da linha do horizonte. Imagens capturadas em câmera pinhole.
Visões da alma – Recorte do trabalho do mineiro Cristiano Xavier ao longo de 16 anos de carreira. Mostra das imersões feitas pelo fotógrafo em diversos lugares inóspitos do mundo.


4º FESTIVAL DE FOTOGRAFIA DE TIRADENTES

De quarta a domingo, no Centro Cultural Yves Alves, Rua Direita, 168, e no Espaço Raiz, Praça da Estação, 10, além de espaços alternativos de Tiradentes.

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