Humorista Gregório Duvivier comenta sobre musical do Porta dos Fundos

Próximo passo do grupo será o cinema, com estreia prevista ainda para este ano

por Diário de Pernambuco 24/03/2014 11:27

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Viola Júnior/Esp. CB/D.A Press
Gregório: Faço o politicamente correto! (foto: Viola Júnior/Esp. CB/D.A Press)
Foi-se o tempo em que o ator e poeta Gregório Duvivier precisava ser apresentado como filho de Olivia, genro de João, neto de Edgar ou marido de Clarice. Hoje, ele transgride qualquer relação e paira, ileso, como um dos principais nomes do entretenimento brasileiro.

Na internet, já foi visto mais de 800 milhões de vezes, por conta do canal Porta dos Fundos, do qual é um dos proprietários, roteirista e ator. O próximo passo do grupo será o cinema, com estreia prevista ainda para este ano. Da televisão, eles não querem nem saber. “Seria contraditório”, comenta Gregório, nesta entrevista exclusiva.

O teatro está na pauta.  “O Porta dos Fundos fará um musical sobre política”. Os motivos são claros, mas ele fez questão de explanar, com a alma carioca que o acomete: “Isso aí dá samba sim.”

Leia entrevista com Gregório Duvivier

Fábio Porchat chegou a receber ameaças de morte por conta de um vídeo do Porta dos Fundos. Esse tipo de reação provoca reflexão em vocês?

Nosso trabalho é orientado pelo público, que nos rege. Essas reações exacerbadas e violentas nos fazem pensar sim, mas são oriundas de uma minoria. O episódio do Natal, que nos gerou o maior número de problemas - inclusive na Justiça -, por exemplo, conta com 90% de aprovação. Os 10% restantes, em geral, são formados por pessoas que desaprovam o casamento gay, a legalização da maconha, o aborto… As mesmas pessoas contrárias às discussões que acho que sejam necessárias. Ou seja, estou do lado certo.

Podemos dizer que o canal de humor de vocês, de fato, milita por certas causas?

O Porta é formado por pessoas diferentes. Somos cinco sócios e cada um carrega um posicionamento em relação à vida. Não há uma postura única. Cada um tem sua luta. Eu milito contra diversas formas de fascismo. Entre elas, o fascismo religioso, o homofóbico… O Fábio (Porchat) parece já querer chamar a atenção para a questão policial, do fanatismo religioso também… Já não é muito a postura do João Vicente, que talvez seja um pouco mais conservador nesse sentido. Importante dizer que não é a “militância” que nos pauta. A piada é razão da gente escrever.

Você já chegou a se preocupar com sua segurança?

Nunca tive essa preocupação. Na vida real, nunca percebi ninguém sendo agressivo comigo. Parece-me um fenômeno restrito à internet. A agressividade virtual, graças a Deus, não deve ser traduzida como uma vontade real de causar danos à integridade física.

Há uma impressão de que o Porta dos Fundos seja o único coletivo de humor encarando o politicamente incorreto…

Não. Até porque acho que fazemos o politicamente correto. Correto! O incorreto dá a impressão de existir uma “correção” e de você estar sendo incorreto propositalmente. Fazemos um humor responsável. Prevemos o que o nosso humor poderá acarretar, diante desse ou daquele tema. Uma das funções da comédia é subverter verdades estabelecidas.

Prevalece um tom de deboche?

Realmente, é subjetivo. Se há um deboche, ele acontece com a “pessoa certa”. Temos uma política de não debochar das minorias. Tentamos rir do opressor. De debochar, como você mencionou, do mais forte. Isso não me parece incorreto. E, sim, consciente.

Em breve, vocês estarão no cinema, mas a televisão parece não seduzi-los…

Já recebemos muitos convites, mas a televisão não faz muito sentido para a gente. A internet é o melhor lugar para estarmos, onde podemos realmente experimentar. Atingimos oito milhões de pessoas, de imediato. Eu acredito que o futuro da televisão seja a internet. Então, não faria o menor sentido irmos para uma plataforma que caminha para onde já estamos. Seria um retrocesso, quase. A internet é uma televisão a que você assiste na hora, com o conteúdo que você quiser. O nosso espectador escolheu nos ver. Não é um espectador passivo.

Mas a internet não os limita a um público mais jovem? A televisão não seria uma forma de atingir outras faixas etárias?

É verdade, na mesma intensidade que esse pessoal mais velho ou menos digital, aos poucos, caminha para a internet. A cada ano, a internet ganha novos usuários, enquanto a televisão perde espectadores. As novas gerações já não assistem à TV. Quando eu tinha 13, 14 anos, ficava em casa para assistir a Os normais. Não existe mais isso. Hoje, o jovem está acostumado a baixar, a assistir no Netflix, ao “on demand”. A tendência tem sido muito mais nesse sentido. O Porta não pensa na internet como trampolim, mas como produto final. Esse é o diferencial. É o nosso horário nobre.

Para ir para o cinema, foi preciso fazer alguma concessão?

Não. Muda o formato, claro. Tivemos que pensar em uma narrativa de longa. Não queremos ir para o cinema para fazer o mesmo que já fazemos. Um acúmulo de esquetes. Não teria sentido.

Só há espaço para a comédia?

Não! Não tenho essa obsessão pelo riso. Gosto muito de drama, inclusive. O humor vem quase acidentalmente para mim.

Quando se deu conta que estava fazendo relevante, capaz de atingir milhões de pessoas?
Espero nunca me dar conta disso (risos). Gosto da relação pessoal com o público, que acontece no teatro. O segredo talvez seja pensar que estou me apresentando para meia dúzia de pessoas. Fazendo algo pequeno. Te digo: sempre é pequeno.

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