Cristiane Paoli Quito ensina aos mineiros a arte do improviso

Suas pesquisas se inspiram nas lições do palhaço, que explora o fiasco como elemento importante para o jogo cênico

por Walter Sebastião 15/03/2014 00:13

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Carolina Mendonça/divulgação
Cia. Nova Dança 4: parceira das experimentações da pesquisadora Cristiane Paoli Quito (foto: Carolina Mendonça/divulgação )
Um encontro prático vai abordar questões como jogar, improvisar e brincar. Neste sábado e domingo, no Ateliê Dudude, em Casa Branca, Cristiane Paoli Quito vai dividir suas experiências com o público. Em São Paulo, ao lado da Cia. Nova Dança 4, ela desenvolve trabalho aclamado em todo o país.

A diretora e pesquisadora paulista é autoridade no assunto. “A ideia é preparar o intérprete para jogar de forma justa – isto é, com regras –, de forma que a improvisação se torne caminho, comunicação liberta”, conta Cristiane Quito, explicando que as atividades lúdicas visarão desenvolver a relação com o corpo e com o espaço, por exemplo.
Para facilitar a compreensão da importância do brincar no jogo cênico, Cristiane se vale, em suas oficinas, da arte do palhaço, pesquisada por ela há décadas. Improvisar, explica a professora, é liberdade até para errar.

“Para o palhaço, o erro é o grande acerto. Esse personagem constrói o seu sucesso com o fiasco”, observa Cristiane Quito, reforçando a importância da inversão de valores: “Ele tem memória curta: cai no mesmo erro várias vezes e não gosta de repetir, mas é atento, vive o presente”.

Capacitar corpo e espírito para improvisar, jogar e brincar significa desenvolver a capacidade de estabelecer relações tanto com o texto e o colega em cena quanto com o espaço e a plateia, além dos estímulos trazidos pelo diretor. “O intérprete está disponível, em prontidão, com mais autonomia para responder de forma qualificada ao momento presente”, observa a diretora.

A valorização do improviso faz parte da história do teatro, como mostra a comédia dell’arte, lembra Cristiane Paoli. Ela se refere à escola formada por improvisadores, que, às vezes, faziam o mesmo personagem a vida inteira, atuando sobre roteiros baseados em ações. Tal linguagem se tornou valorizada por criadores contemporâneos. “Em 1996, quando fiz um espetáculo a partir dessas ideias, havia muito preconceito, mas ele diminuiu muito. Fico com a sensação de que o preconceito, hoje, é contra o estruturado, uma bobagem. O improvisado e o estruturado devem coexistir. O novo intérprete é aquele que estuda as diversas faces das artes cênicas”, conclui.

JOGAR X IMPROVISAR X BRINCAR

Com Cristiane Paoli Quito. Hoje, das 14h às 18h30; amanhã, das 10h às 14h. Ateliê Dudude, Condomínio Quintas de Casa Branca. Inscrições: R$ 300. Informações: (31) 8897-9597 e dudude@dudude.com.br.

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