Companhia franco-brasileira Dos à Deux apresenta espetáculo Irmãos de sangue

Montagem que aposta no gestual em encenação sem palavras fica em cartaz de hoje ao dia 6 de abril.

por Carolina Braga 14/03/2014 06:00

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Xavier Cantat/Divulgação
Com cuidadoso trabalho cenográfico, a Companhia Dos à Deux tem apresentado suas criações no Brasil e na França (foto: Xavier Cantat/Divulgação)
Falar sobre fraternidade era algo que passava pela cabeça dos atores André Curti e Artur Ribeiro. Aliás, na trajetória da companhia radicada na França essa é uma temática que sempre interessou de uma maneira ou de outra. Logo na estreia, com Aux pieds de la lettre, a parceria entre amigos e irmãos era o cerne de delicada montagem. Em Saudades em terras d’água, a relação entre mãe e filho esteve em destaque. Na novíssima Irmãos de sangue, acompanhada dos atores Cécile Givernet e Matías Chebel, a dupla brasileira aprofunda esse desejo ao contar a história de uma mãe e seus três filhos.

O teatro da companhia Dos à Deux é gestual, baseado em muita pesquisa. Já que os personagens não pronunciam uma só palavra, outros elementos da montagem são potencializados. A interpretação, o cenário, o figurino, a luz e a trilha sonora, tudo se equilibra para transmitir a mensagem e emocionar. “Esse é o grande lance do trabalho”, reconhece André Curti.

Belo Horizonte será a segunda cidade brasileira a receber a montagem, que estreou nacionalmente no Rio de Janeiro. Irmãos de sangue foi apresentada pela primeira vez em março do ano passado, em Paris, passou pelo Festival de Avignon, também na França, onde saiu aclamada pela crítica. André Curti e Artur Ribeiro dividem os créditos de dramaturgia, direção, coreografia e cenário. A trilha sonora fica por conta do músico português Fernando Mota.

O processo criativo foi muito parecido com a das montagens anteriores. Em geral, dura cerca de um ano de estudos. “Tem a fase de escolher o tema, depois desenvolver ideias soltas e amarrá-las antes de entrar na sala de ensaio”, detalha o ator. Ainda no início, André e Artur elegem um objeto que será determinante para todas as cenas do espetáculo. Em Irmãos de sangue são dois módulos de madeira e um closet, que se transformam em muitas coisas para servir à dramaturgia.

O que foi diferente das montagens anteriores é que, pela primeira vez, a improvisação teve papel determinante na criação. “Trabalhamos horas e horas essa mãe e os três filhos em situações as mais diversas. Foi interessante porque desviou um pouco do caminho que tínhamos escrito”, conta Curti. Para o ator, a crise econômica europeia dificultou alguns procedimentos. “Na França, estão diminuindo os números de apresentações, há menos verba para coprodução e tudo isso, de uma certa forma, nos atinge”, diz.

A Dos à Deux surgiu em 1998, em Paris, com a estreia de espetáculo baseado em Esperando Godot, de Samuel Beckett. Desde o início, o trabalho da dupla brasileira teve muita repercussão internacional. Em 15 anos de carreira, foram 1,5 mil apresentações em 50 países. Como se trata de um grupo franco-brasileiro, André e Artur mantêm uma sede no Bairro da Glória, no Rio de Janeiro, onde ministram oficinas.

Atualmente, além de Irmãos de sangue, também fazem parte do repertório os espetáculos Aux pieds de la lettre, Saudade em terras d’água, Fragmentos do desejo, Ausência (solo com o ator Luís Melo) e Dos à Deux 2º ato.

Irmãos de Sangue
Apresentação da Cia. Dos à Deux. Hoje, às 20h; sábados e domingos, 19h. Centro Cultural Banco do Brasil, Praça da Liberdade, 450, Funcionários, (31) 3431-9400. R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia). Até 6 de abril.


De volta

As duas vezes anteriores que a Cia. Dos à Deux esteve em Belo Horizonte foram no Festival Internacional de Teatro Palco & Rua, o FIT. E os atores deixaram ótima impressão. A estreia foi em 2002, com Aux pieds de la lettre, e, em 2006, apresentaram Saudades em terras d’água. Encenada  com grande repercussão no Brasil, essa montagem foi vencedora do prêmio do público no Festival de Avignon, em 2005.

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