Fotógrafo Rogério Assis lança em Belo Horizonte livro sobre o povo zo'é

Publicação reúne fotografias de duas viagens do artista à tribo indígena

por Carlos Herculano Lopes 12/03/2014 06:00

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Rogério Assis/Divulgação
Mulheres dividem a tarefa de se enfeitar com tiaras e adornos labiais (foto: Rogério Assis/Divulgação)
Em 1989, por um desses acasos da vida, o fotógrafo Rogério de Assis se encontrava no Museu Emílio Goeldi, em Belém, junto com uma equipe que iria gravar um vídeo institucional com o coronel Cantídio Guimarães, na época presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai). Quando estava tudo pronto para começar os trabalhos, chega um telefonema do escritório da entidade, em Brasília, dizendo da descoberta, lá mesmo no Pará, de uma nova tribo indígena, que provavelmente nunca teve contato com os brancos.


Começaria então, para o fotógrafo, que também é paraense, uma aventura da qual jamais se esqueceria. Com uma expedição organizada rapidamente, ele partiu com um grupo da Funai para testemunhar aquele que seria o primeiro contato oficial com a tribo. “Quando chegamos, hélice do avião desligada, fomos cercados pelos índios, que maravilhados com aquele ‘pássaro de ferro’ vinham alegres em nossa direção para nos saudar”, conta Rogério. Na realidade, como depois se soube, aquela tribo, os zo’é, já havia sido contatada por missionários evangelizadores. E pagaram caro por isso.


Passados mais de 20 anos desse primeiro encontro com os índios, que estavam vivendo em péssimas condições devido aos desastrosos contatos com os brancos, como documentou com sua câmera, o fotógrafo voltou novamente ao local. Desta vez, para visitar a Frente de Proteção Etnoambiental Cuminapanema, entidade mantida pela Funai para a preservação e isolamento da terra onde ainda vivem os zo’és.


O resultado dessas duas viagens, devidamente registradas, pode ser conferida agora, com a publicação do livro 'Zo’é', que Rogério de Assis lança nesta quarta-feira em Belo Horizonte, no projeto Foto em Pauta. Em dezenas de fotografias em preto e branco, de rara beleza, ele mostra o cotidiano da tribo, bem diferente do primeiro encontro: mulheres trabalhando no bilro, jovens se enfeitando, bacuris brincando, outros tomando banho, homens deitados nas redes, enfim, vivendo.


“Na minha segunda ida à terra dos zo’és, já encontrei uma realidade bem melhor, exatamente porque a tribo entrou no programa dos isolados da Funai e depois disso a situação deles melhorou muito. A população dobrou de tamanho, já são mais de 200 índios, que estão vivendo muito bem, com a saúde e a cultura preservadas”, diz Rogério de Assis.
Para o antropólogo Márcio Meira, presidente da Funai na época da segunda viagem de Rogério às terras dos zo’és, o fotógrafo conseguiu com seu trabalho mostrar uma parte significativa da história da tribo por meio do “belíssimo registro fotográfico que realizou”.



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