Exposição reúne bordados de Adelícia Amorim, que celebra a beleza da vida com flores e pássaros

Aos 78 anos, ela defende a arte e a cultura produzidas no Vale do Jequitinhonha

por Walter Sebastião 06/02/2014 06:00

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Sesc/Divulgação
(foto: Sesc/Divulgação)
Mestre do bordado, a mineira Adelícia Amorim, de 78 anos, ganha homenagem. A exposição de seus trabalhos será aberta ao público nesta sexta-feira, na Galeria de Arte GTO do Sesc Palladium, em Belo Horizonte. Ela mora em Almenara, no Vale do Jequitinhonha, e começou a bordar roupas de bonecas aos 11.


A mostra faz parte do projeto Arte popular e contemporânea. Além das peças de Adelícia Amorim, traz trabalhos dos artistas plásticos Ana Luísa Santos, Janaína Mello, Júlia Panadés, Rachel Leão e Rodrigo Mogiz, que trabalham com linhas e costura.

“Quanto mais faço, mais tenho vontade de bordar. Me distrai, é terapia. Faço de tudo: flores, pássaros, borboletas, o que vejo pela frente”, explica Adelícia. O ofício veio de seu esforço e curiosidade. “Não aprendi com ninguém”, acrescenta, contando que valoriza pontos e, especialmente, a cor. Ela usa vários tons na mesma flor. “Cor é vida, beleza. Você sente que a vida tem sentido e que não pode se prender na escuridão”, observa.

Os trabalhos podem consumir de um a cinco meses. “É até difícil colocar preço. Se um pedreiro cobra R$ 80 ou R$ 100 por dia, quanto eu, que fico trabalhando da manhã até a noite, vou cobrar?”, especula. Adelícia está feliz com a exposição em BH. “Não esperava tanto, eles me descobriram. Enquanto Deus me der vista e saúde vou continuar bordando”, afirma.

O projeto Arte popular e contemporânea, promovido pelo Sesc Palladium, discute fronteiras e interseções entre manifestações estéticas. Por meio dessa iniciativa, o público pôde conferir homenagens ao escultor Geraldo Teles de Oliveira (o GTO, que dá nome à galeria) e à ceramista dona Izabel, autora de belas bonecas do Vale do Jequitinhonha. Além da exposição, os artistas ganham documentário de 30 minutos sobre sua trajetória e seminário sobre seu ofício.

VALE  “Sou otimista. A vida tem obstáculos, mas não podemos considerar apenas isso. Devemos colocar na nossa consciência que a vida é bela, dom de Deus. E saber enfrentá-la como ela vem para nós”, argumenta Adelícia. Ela conta que Almenara é cidade de gente simples, situada em região com muitos problemas.

A bordadeira defende sua terra. E não gosta quando chamam o Vale do Jequitinhonha de vale da miséria. “Temos muitos artistas, gente com possibilidade de vencer na vida se tiver apoio. Mas falta incentivo. Precisamos ajudar as pessoas a levar pra frente o que sabem fazer”, conclui.

TALENTO PRECOCE

Adelícia Amorim nasceu em Minas Gerais, quase na divisa com a Bahia. É filha de Brasilino Alves Cordeiro e de Davina Cordeiro de Amorim, empregados da Fazenda Monte Santo. A família morava na roça. Para driblar a dificuldade de conseguir linhas, a menina, filha de costureira, desmanchava tecidos e aproveitava os fios. No fim dos anos 1940, eles se transferiram para Almenara. Ao chegar à cidade, Adelícia, aos 13 anos, foi contratada para bordar o enxoval da filha de um doutor. Adotou o ofício. Viúva, ela tem oito filhos e 15 netos. “É a minha maior riqueza”, orgulha-se.

>>  O JARDIM DE ADELÍCIA

>> Exposição de bordados de Adelícia Amorim. Obras de Ana Luísa Santos, Janaína Mello, Júlia Panadés, Rachel Leão e Rodrigo Mogiz. Abertura para convidados nesta quinta-feira, às 19h30. Galeria de Arte GTO do Sesc Palladium. Rua Rio de Janeiro, 1.046, Centro. De terça-feira a domingo, das 9h às 21h. Até 30 de março

>> Documentário sobre Adelícia Amorim. De  18 a 21 deste mês, às 19h. Cine Sesc Palladium

>> 2º Seminário de Arte Popular e Contemporânea. Dia 18, das 9h às 18h, no Grande Teatro do Sesc Palladium.
Inscrições: www.sescmg.com.br. Entrada franca.

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