Pinturas do ítalo-brasileiro Ângelo Bigi ganham mostra em Juiz de Fora

Realizadas dos anos 1920 aos 1950, artista fez obras de transição para o modernismo

por Walter Sebastião 25/01/2014 00:13

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MAMM/DIVULGAÇÃO
Entre as obras na exposição em homenagem a Ângelo Bigi, o curador Paulo Alvarez destaca 'Mulher costurando', "tela de tom muito humano" (foto: MAMM/DIVULGAÇÃO)

Mais um veterano das artes em Minas ganha homenagem: o ítalo-brasileiro Ângelo Bigi (1899-1953). Ele é o pintor de monumental painel no Cine Theatro Central em Juiz de Fora e de motivos decorativos nas paredes do Cine Theatro Brasil-Vallourec, em Belo Horizonte. Pinturas do artista estão em exposição no Museu de Arte Murilo Mendes, em Juiz de Fora, em mostra que leva o título Ângelo Bigi: Homem da Itália, artista do Brasil, com curadoria do restaurador Valtencir Almeida dos Passos e do artista plástico Paulo Alvarez. São 50 obras (cabeça em bronze do artista, três imagens em papel e 46 pinturas) dos anos 1920 aos 1950, pertencentes a acervos particulares, entre eles o da família do artista. Detalhe importante: todas as obras foram restauradas.

A exposição surgiu, como conta Valtencir Almeida dos Passos, da admiração dele pela pintura de Ângelo Bigi. “Comecei a trabalhar como restaurador no Cine Central, em Juiz de Fora, e, aos poucos, fui conhecendo a pintura de cavalete dele por meio de quadros que a família e colecionadores traziam para restauro. Fiquei encantado com a técnica de Bigi. É um pintor que tem domínio da cor, do jogo de luz e sombra, da perspectiva. Surgiu então a ideia de fazer a exposição”, recorda. Surpresa que chegou quando a mostra estava quase pronta é um álbum, organizado pelo próprio artista, com notícias, textos e fotos sobre ele.

Descoberta

“Ângelo Bigi é um profissional completo, conhece o ofício dele e as tendências artísticas de sua época. Domina as técnicas da pintura e, com consciência, faz com elas o que quer. Por mais que tenha formação acadêmica, Bigi faz pintura de transição para o modernismo”, explica Valtencir Almeida dos Passos. O restaurador acredita que é possível que haja muitas obras do artista espalhadas “pelo Rio, São Paulo e Minas”, já que o pintor viajava muito pelo Brasil devido a encomendas, realizando, inclusive, murais e painéis em igrejas do interior. “A exposição é um resgate de obra expressiva, conhecida por poucos, que, para a nova geração, tem sabor de descoberta”, observa.

Paulo Alvarez, que também assina a curadoria, conta que, apesar de conhecer obras isoladas de Bigi, ficou surpreso ao ver um conjunto reunido. “As pinturas têm lirismo, precisão, palheta extraordinária. Há um tom muito humano em tudo que ele fez”, afirma, destacando a tela Mulher costurando. Chama a atenção para a ótima fatura das marinhas, que, como conta, levaram um crítico (Pereira da Silva) a escrever que poucos artistas têm capacidade para resolver o desafio que é pintar o mar com a qualidade do realizado por Ângelo Bigi.

Em tempo: será lançado catálogo da exposição.

ÂNGELO BIGI: HOMEM DA ITÁLIA, ARTISTA DO BRASIL
Exposição no Museu de Arte Murilo Mendes, Rua Benjamim Constant, 790, Centro, Juiz de Fora. Informações:
(32) 3229-7650. Aberta de terça a sexta, das 9h às 18h; sábado, domingo e feriados, das 13h às 18h. Até 23 de março.

Levantamento da obra

É projeto dos curadores Valtencir Almeida dos Passos e Paulo Alvarez aprofundar a pesquisa sobre Ângelo Bigi. Para tanto, pedem que informações sobre obras, fotos, telas do artista etc. sejam enviadas para valtenciralmeida@yahoo.com.br ou paulo.alvarez@hotmail.

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