Instalações do BH Ásia recebem a atenção da cidade

Ao ar livre, esculturas que integram o projeto poderão ser visitadas na capital até fevereiro

por Walter Sebastião 26/12/2013 07:30

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Fotos: Ramon Lisboa/EM/D.A Press
Crianças moradoras da região da Barragem Santa Lúcia aprovaram instalação de Jennifer WenMa (foto: Fotos: Ramon Lisboa/EM/D.A Press)
Ha cerca de dois meses, trabalhos de artistas da Ásia fizeram surgir em locais do cotidiano de Belo Horizonte imagens insólitas. Como a pequena casinha no alto de chaminé, bem em frente à rodoviária, no Centro. Das quatro obras que integram o projeto BH Ásia, duas já foram desmontadas (a da rodoviária e a instalada na Praça do Papa), restando 'Ilha de encantamento', de Jennifer Wen Ma, na Barragem Santa Lúcia; e 'O dragão azul-celeste, tigre branco, pássaro vermelho e tartaruga negra vivem em minério de ferro', de Zhang Huan, que pode ser vista na Praça da Liberdade.

Igor de Souza, Pedro Henrique da Silva, Márcio Vitor, Fábio Júnior e Carol Rodrigues, estudantes, moradores do Santa Lúcia, conhecem bem a ilha que surgiu na barragem. Não só viram a obra ser construída como visitaram o trabalho, nadando até o local. É obra de artista chinês, explicam, quase em coro, puxando os olhos com os dedos. Todos gostam muito da obra e por vários motivos, mas especialmente pela transformação que promoveu no local.

“É uma ilha que está flutuando, sem encostar no chão”, enfatiza Pedro Henrique, elogiando o insólito da imagem. E ele já chiou com garotos que estavam atirando os vasos de plantas no lago. Ser trabalho construído, cheio de detalhes e com plantas é o que faz o encanto da peça para Igor Souza, que já foi várias vezes até o local. Há outro motivo que faz com que a criação de Jennifer Wen Ma seja vista com carinho pela turma: trouxe a limpeza da barragem, que, como explicam, “estava muito suja”.

Inacessível


O trabalho de Zhang Huan, que está na Praça da Liberdade, desperta a curiosidade das pessoas. Mas também recebe muitas críticas. “Não gosto de arte que você tem que ficar caçando um jeito de entendê-la, que precisa ler texto ou ter alguém para explicar. Tenho dúvida se arte precisa disso”, afirma a dona de casa Maria Vidoto. Ela avisa que é daquelas pessoas que dá valor à beleza e linguagem direta e, com expressão facial, indica que não gosta da peça.

O artista Marco Paulo Rolla também não aprova a instalação. Considera que a obra não tem e nem cria contexto com o local onde instalado. “Não dá para entender o que talvez esteja sendo dito aqui”, observa, considerando que, mesmo analisada com atenção, é obra ensimesmada, que torna a cultura distante, inacessível. Contribuindo para que a peça não funcione como desejado está a realização precária. “A pintura imitando mármore é muito ruim. E, dentro da obra, estão pano de chão e cadeira, que não têm nada a ver com o clima que se deseja. O chão ficar sujo faria mais sentido”, observa Marco Paulo.

BH ÁSIA
Instalações ao ar livre. Obras de Zhang Huan (Praça da Liberdade), até 12 de janeiro, e de Jennifer Wen Ma (Barragem Santa Lúcia), até fevereiro.

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