Publicitário David Paiva faz sua estreia literária em BH

'Memórias dos abitantes de Paris' recupera a atmosfera política e comportamental dos anos 1960 em Minas Gerais

por Carlos Herculano Lopes 14/12/2013 00:13

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Miguel Aun/Divulgação
David Paiva começou a escrever seu livro quando se recuperava de uma cirurgia: a escrita como forma de terapia (foto: Miguel Aun/Divulgação)
Conhecido no mercado publicitário mineiro, no qual atuou durante quase 40 anos, David Paiva jura de pés juntos que nunca tinha passado pela sua cabeça escrever um livro. Até que há dois anos, por esses caprichos do destino, teve de se submeter a uma cirurgia. Enquanto se recuperava, para passar o tempo começou a fazer anotações aleatórias, sem saber no que iria dar. “Era mais uma coisa terapêutica, as lembranças vinham à minha cabeça e eu as anotava. Às vezes me pegava dando gargalhadas, ao me recordar e registrar fatos que haviam acontecido há meio século”, diz.

Alguns meses depois, quando já tinha bastante material armazenado, sobre o qual continuava trabalhando, comentou a respeito com o filho, o jornalista Fred Melo Paiva, colunista do Estado de Minas, que lhe deu um ultimato: “Você nos deve isso, pai, já está mais do que na hora de tornar públicas as suas memórias”. Foi a senha que David, inconscientemente, estava esperando para colocar de vez a mão na massa. O resultado vem agora, com o lançamento de Memórias dos abitantes de Paris.

O livro, que sai pela Editora Quixote, inaugura a série Moinhos. Outros trabalhos já estão a caminho. Como bom mineiro, David Paiva conta ainda que a decisão de publicar só veio depois que algumas pessoas leram o texto e deram o aval. “No livro, procurei mostrar uma visão crítica e pessoal do meu tempo de juventude, entre os anos de 1950 e 1960, que foi período conturbado politicamente e de mudanças comportamentais na vida brasileira que marcaram muito a minha geração”, diz.

Seleção Sem se preocupar com a ordem dos acontecimentos, Memórias dos abitantes de Paris começa em 1964, ano do golpe militar, dá voltas, caminha por lugares diversos, alguns até que David Paiva já julgava esquecidos – tudo descrito de forma leve, gostosa de ler – e termina um ano depois, em 1965. Uma coisa curiosa: de Araxá, onde nasceu em 1947 e passou a infância, até vir para BH, uns poucos registros, como a lembrança de quando a Seleção Brasileira se hospedou no Grande Hotel, enquanto se preparava para a Copa de 1958. E da publicidade também quase não fala.

A explicação, segundo David, está em dois motivos: o primeiro porque na época em que o livro termina, em 1965, ele ainda não tinha entrado para a publicidade, o que só veio a ocorrer dois anos depois; em seguida, porque – também no livro – ele gostaria de fixar sua aversão pela profissão, mesmo tendo dedicado a ela a maior parte de sua vida.

Como escreveu na página 294: “Entrei para aquela máfia de irresponsáveis em que os autores se escondem no anonimato dos inimputáveis, como as crianças e os índios, e garantem a remuneração alta e a completa impunidade, não importa o mal que espalhem, de cigarro a Paulo Maluf.”

Memórias dos abitantes de Paris

Lançamento do livro de David Paiva (Editora Quixote, 312 páginas, R$ 42). Hoje, a partir das 10h, na Quixote Livraria, Rua Fernandes Tourinho, 274, Savassi. Informações: (31) 3227-3077.

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