Lançamento discute a importância dos ofícios mecânicos no Brasil

Históriador José Newton Coelho acredita que profissões como alfaiates e pedreiros formaram a base da sociedade do país. Autor autografa o novo trabalho nesta quinta-feira, em BH

por Fernanda Machado 12/12/2013 09:00

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Euler Júnior/EM/D.A Press
(foto: Euler Júnior/EM/D.A Press)
O historiador José Newton Coelho Meneses, coordenador da pós-graduação em história da UFMG, tem uma atração especial pela vida real, que se desenvolve no dia a dia das pessoas comuns. Depois de estudar a alimentação e a circulação das mercadorias na Minas colonial em 'O continente rústico', baseado em cadernetas de comerciantes e tropeiros, livro de receitas e outras fontes primárias, ele agora se volta para os chamados ofícios mecânicos em 'Ofícios fabris e ofícios banais – O controle dos ofícios mecânicos pelas câmaras de Lisboa e das vilas de Minas Gerais' (1750-1808). O livro, resultado de sua tese de doutorado, será lançado nesta quinta-feira, às 19h, na Livraria Mineiriana.

'Artes fabris…' se concentra na sociedade mineira do Antigo Regime, entre a segunda metade do século 18 e o começo do século 19. Trata-se de um tempo marcado pela forte hierarquização, sem muita perspectiva de mobilidade social. Os trabalhadores nasciam, cresciam e morriam nos mesmos ofícios de seus antepassados, distante dos privilégios típicos de uma sociedade desigual e distante da valorização do mérito individual. Nesse contexto, mesmo as ocupações consideradas mais singelas eram objeto de códigos rígidos e controles legais.

Trabalhadores rústicos, com aprendizagem feita a partir da tradição ou da família, se organizavam a partir de uma hierarquia laboral própria, definida pelos próprios profissionais, partindo dos aprendizes, passando pelos oficiais e chegando aos mestres. Se o trabalho manual era desvalorizado, nem por isso deixava de ser essencial ao funcionamento da sociedade. Entre os ofícios mecânicos estavam profissionais como os alfaiates, costureiras, padeiros, ferreiros, latoeiros, marceneiros, pedreiros, entalhadores e até escultores, entre outros.

Entre os aspectos analisados por José Newton estão as formas de organização do trabalho artesanal na colônia e em Portugal, a análise da importância econômica do setor, o perfil dos oficiais mecânicos atuantes nas Minas Gerais coloniais, bem como a circulação da produção artesanal. Uma genealogia da forma como os ofícios que construíram o país tiveram que vencer a rigidez de uma sociedade que nunca honrou seus trabalhadores.

ARTES FABRIS E OFÍCIOS BANAIS
Lançamento do livro de José Newton Coelho Meneses. Nesta quinta-feira, das 19h às 22h. Livraria Mineiriana, Rua Paraíba, 1.419, Savassi.

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