Jornalista Marcel Souto Maior lança biografia de Allan Kardec, em BH

Autor também é responsável por livro sobre Chico Xavier, que foi adaptado para o cinema

por Carlos Herculano Lopes 09/12/2013 08:00

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RECORD/dIVULGAÇÃO
(foto: RECORD/dIVULGAÇÃO)
Depois do sucesso do livro 'As vidas de Chico Xavier', que foi levado às telas do cinema por Daniel Filho, o jornalista e escritor carioca Marcel Souto Maior resolveu ir direto à fonte e, depois de um intenso trabalho de pesquisa, acaba de lançar 'Kardec, a biografia' (Editora Record, 363 páginas), no qual traça, em capítulos curtos, de fácil assimilação, um perfil revelador de quem foi Hyppolyte León Denizard Rivail, nome de batismo de quem viria a ser Allan Kardec, o pai da doutrina espírita, que atualmente tem milhões de adeptos em todo o mundo.


Nascido em 2 de abril, por coincidência a mesma data do nascimento de Chico Xavier e do enterro de Kardec – que morreu dois dias antes, em 31 de março de 1869, aos 64 anos, quando empacotava livros e organizava documentos no apartamento onde vivia com a mulher, Amélie, em Paris –, Marcel Souto Maior diz que seu objetivo ao escrever o livro foi traçar um retrato jornalístico do professor cético que acabou se transformando em missionário e codificador da doutrina espírita. “O que fez Hyppolyte mudar de vida e de nome para dar voz aos espíritos? O que fez alguém que não acreditava em nada passar a acreditar tanto? A essas perguntas tento responder no livro com o máximo de objetividade e imparcialidade”, argumenta o autor.

Não foi tarefa fácil levar a cabo essa missão, que lhe consumiu exatos 12 meses de escrita. Antes de se lançar a ela, Marcel Souto Maior leu todas as biografias que encontrou sobre Allan Kardec, além de ter passado algum tempo em Paris, onde teve acesso a periódicos da Biblioteca Nacional da França. Ali conseguiu ler vários artigos, contra e a favor do autor de 'O livro dos espíritos', publicados pela imprensa no século 19. “Nesses jornais e revistas consegui resgatar a voz da oposição: adversários da imprensa, da Igreja Católica, da ciência e do próprio movimento espírita. O cruzamento dessas duas fontes básicas de pesquisa compõe os altos e baixos da narrativa – e da trajetória de Rivail/Kardec”, conta Marcel.

Fé e ciência

Entre as conclusões às quais conseguiu chegar sobre vida e obra do biografado, o jornalista diz que Allan Kardec vivia numa eterna queda de braço entre a ciência e a fé, a crença e o ceticismo. A ponto de, “ao vestir o casaco de general” e iniciar sua campanha contra o materialismo, que se traduziu em alguns artigos, como 'O materialismo mata', ele acabou baixando um pouco a guarda, cedeu à paixão pelo espiritismo e sofreu decepções, entre elas a de apostar em alguns médiuns que se revelaram farsantes, e em fenômenos que se comprovaram fraudes. “A partir desse momento, com lucidez, o missionário passa a recomendar cautela a seus discípulos e a hastear a bandeira do ‘fora da caridade não há salvação’. Gosto muito deste Kardec humano, que erra, admite erros, corrige o curso e segue adiante”, continua Marcel Souto Maior.

Se Allan Kardec foi o “inventor” do espiritismo, Marcel Souto Maior, que vive no Rio de Janeiro, diz ainda que, sem dúvida, ele ajudou a organizar e a difundir com seus livros e artigos na 'Revista espírita' a lógica do “nascer, morrer, renascer e progredir sem cessar”. “É certo que, sem a disciplina dele e seu empenho como comunicador, o espiritismo não teria o alcance que tem hoje. Quando Kardec morreu, a doutrina já tinha mais de 8 milhões de seguidores em todo o mundo.”

O jornalista, que começou a se interessar pela doutrina espírita há mais de 20 anos, quando foi a Uberaba pedir autorização a Chico Xavier para escrever sua biografia, diz que, a seu ver, o principal legado deixado por Allan Kardec foi difundir a crença, ou a esperança, de que a vida é, ou pode ser, bem mais do que o dia a dia implacável a que as pessoas estão submetidas. “Será que nascemos todos condenados à morte, numa contagem regressiva cruel rumo ao nada, ou a vida continua para sempre, num ciclo de renascimentos e evolução? Kardec apostou na segunda hipótese, a melhor delas, e ajudou e continua a ajudar a salvar e transformar muitas vidas mundo afora.”

Já sobre a publicação mais famosa de Kardec, 'O livro dos espíritos', que desde sua primeira edição, em 1857, com uma modesta tiragem de 1.500 exemplares, já vendeu milhões de exemplares em todo o planeta, Marcel Souto Maior afirma que ele é, com certeza, a obra fundadora da doutrina espírita e merece ser lido mesmo por quem não tem nenhuma fé, pois toda a lógica do “mundo invisível” está descrita ali. “O livro dos espíritos' nos faz pensar sobre dois temas cruciais, que são a vida e a morte. De onde viemos, para onde vamos, qual a nossa função no mundo? Questões muito importantes. Um outro livro de Allan Kardec que recomendo, pois me impressionou muito, é 'O livros dos médiuns”, diz o biógrafo.

Chico Xavier

Se tiveram seus embates no passado, as relações entre o espiritismo e a Igreja Católica mudaram muito, sobretudo no Brasil. De acordo com o escritor, que vê nisso uma coisa muito positiva, os católicos entendem que o espiritismo é, antes de tudo, cristão, e o movimento ajuda a difundir e a multiplicar a caridade. “No centro de Chico Xavier, em Uberaba, por exemplo, quando estive lá percebi que a quantidade de católicos presentes era impressionante. Muitas vezes eles eram a maioria nas sessões. Até mesmo freiras e padres chegaram a participar de reuniões conduzidas pelo médium mineiro. Chico fazia questão de dizer que o catolicismo era o seu berço”, lembra Marcel Souto Maior.


Ainda para Marcel Souto Maior, Chico Xavier era um personagem único, que viveu movido por três forças poderosas: os sentidos de missão, de doação e de aceitação. “Era um homem de fé absoluta, e de muito desapego às coisas materiais, tanto que uma das frases mais marcantes que ouvi dele foi: ‘Graças a Deus aprendi a viver apenas com o necessário’. Ele foi o grande divulgador de Allan Kardec e da sua doutrina no Brasil, que de longe é hoje o país mais espírita do mundo. Em nenhum outro lugar, como aqui, se conhecem e se praticam tanto as lições de Kardec”, conclui o escritor.

Três perguntas para...
Marcel Souto Maior
escritor


Você acha que o espiritismo pode ser um bom caminho a ser seguido?
O que mais me impressiona no espiritismo é a corrente de solidariedade que ele sustenta e multiplica por todo o Brasil. O espiritismo do “fora da caridade não há salvação”, que ajuda milhões de brasileiros, este espiritismo faz milagres. Ajuda o outro e você vai ser ajudado. Trate o outro como você gostaria de ser tratado. Viva cada dia da melhor maneira possível. Essas são as lições mais importantes do espiritismo, segundo Kardec.

O que mais o espiritismo nos ensina?
Ele ensina a todos – a quem tem fé e a quem não tem – que precisamos encarar a vida (independentemente de ela continuar ou não além da morte) com mais responsabilidade e mais solidariedade também. O espiritismo nos tira do próprio umbigo.

O que a mulher de Kardec, Amélie, significou para ele?
Nove anos mais velha que ele, Amélie convivia com Rivail e Kardec ao mesmo tempo e era a única pessoa com quem Kardec, ou Rivail, desabafava em meio aos ataques e decepções. Ela era a primeira leitura dos seus livros e a primeira ouvinte de seus desabafos e dúvidas, que eram muitos.

KARDEC, A BIOGRAFIA
Lançamento do livro e bate-papo com o autor Marcel Souto Maior. Segunda-feira, às 19h30, no Teatro João Ceschiatti do Palácio das Artes (Av. Afonso Pena, 1.537), dentro do projeto Sempre um papo. Entrada franca. Informações: (31) 3261-1501 e no site do projeto.

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