Morre o diretor Fauzi Arap

Com estreia nos anos 1950 no teatro, ator e dramaturgo já teve participação nas peças 'A mandrágora' e na adaptação 'Perto do coração selvagem', de Clarice Lispector

por Estado de Minas 06/12/2013 08:15

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Casa de Rui Barbosa/Acervo
Nos anos 1960, Fauzi Arap com José Wilker, Glauce Rocha, Clarice Lispector e Dirce Migliaccio discutem cenas da peça Perto do coração selvagem (foto: Casa de Rui Barbosa/Acervo)

O premiado diretor de teatro, ator e dramaturgo Fauzi Arap morreu ontem em sua casa, em São Paulo, aos 75 anos. Ele lutava contra um câncer na bexiga. Seu velório será realizado na Catedral Ortodoxa, no Paraíso, e o enterro será hoje, no Cemitério São Paulo.


Formado em engenharia, Arap estreou no teatro na década de 1950, trabalhando como ator. Com o Teatro Oficina, participou da primeira montagem profissional do grupo, 'A vida impressa em dólar', de Clifford Odetts, em 1961. A direção era de Zé Celso Martinez Corrêa.

Pela peça, Arap recebeu os prêmios Saci e Governador do Estado de melhor ator coadjuvante. Com o Oficina, fez diversas célebres montagens, como 'José do parto à sepultura', com direção de Antônio Abujamra, em 1961, e 'Pequenos burgueses e Andorra', respectivamente em 1962 e 1964, ambas dirigidas por Zé Celso.

Já com outro grupo, o Teatro de Arena, participou de peças de destaque como 'A mandrágora', em 1962, sob a direção de Augusto Boal. Como diretor, trabalhou pela primeira vez em 1965 em 'Perto do coração selvagem', uma adaptação de Clarice Lispector feita pelo próprio Arap. A partir daí, dirigiu diversos sucessos nos palcos, como 'Dois perdidos numa noite suja' (1967) e 'Navalha na carne' (1968), com Tônia Carrero. Como diretor, ajudou a lançar grandes nomes da dramaturgia brasileira, como Plínio Marcos, Antônio Bivar e José Vicente.

Musical

Considerado pioneiro na direção de shows musicais, Fauzi Arap deu projeção também à cantora Maria Bethânia, ao dirigi-la em 'Rosa dos ventos', apresentação de 1971 que valorizava a presença cênica da cantora baiana. Já como dramaturgo, passou a trabalhar em 1975, com 'Pano de boca', um balanço do teatro brasileiro nas décadas de 1960 e 1970. Recebeu diversos prêmios como autor, entre eles o Molière e o da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA). A última peça escrita por Fauzi foi 'Chorinho' (2007).

Em 1998, publicou sua autobiografia, 'Mare nostrum – Sonhos, viagens e outros caminhos', no qual relatava sua busca no teatro por uma existência integral.

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