Montagem especial celebra os 15 anos do Galpão Cine Horto

Fruto de criação coletiva, musical 'Ensaio de mentira ou o último ensaio para dizer a verdade' terá apresentações no fim de semana, no Sagrada Família

por Walter Sebastião 06/12/2013 09:40

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Guto Muniz/Divulgação
Ensaio de mentira ou o último ensaio para dizer a verdade é musical que mescla ficção e realidade em cenário de um cabaré (foto: Guto Muniz/Divulgação)
Vale a pena saber que o espectador de 'Ensaio de mentira ou o último ensaio para dizer a verdade' – a partir desta sexta-feira, às 21h, no Galpão Cine Horto – estará diante de jogo que entrelaça ficção e realidade. A trama da peça gira em torno dos dilemas dos atores e técnicos de um cabaré, durante ensaio, às vésperas da estreia de um espetáculo, todos às voltas com seus personagens e funções. Os tipos e situações que estão no palco foram criados para dar voz ao que os atores gostariam de compartilhar com o público. “O que está em foco é o ser humano com a moldura de um cabaré, gente falando verdades, mentiras, interpelando a vida, a morte, o amor, teatro, carreira, fama etc.”, conta Chico Pelúcio, diretor em parceria com Lydia Del Picchia.


A montagem é projeto especial, comemorativo dos 15 anos do Galpão Cine Horto. O objetivo é criar encontros que promovam a qualificação e o aprimoramento dos profissionais de teatro. A peça é um musical totalmente elaborado a partir de reuniões do grupo e das questões que os participantes colocaram. A vida real invadiu radicalmente o projeto: durante o processo de preparação do espetáculo, o ator José Maria Mendes, de 75 anos, morreu. “Foi uma situação tão marcante que a peça faz homenagem a ele”, conta Chico Pelúcio. O ator está presente em imagens de vídeo.

'Ensaio de mentira ou o último ensaio para dizer a verdade', como conta Chico Pelúcio, tem situações dramáticas e cômicas. Não há coxias para expor “as entranhas do ato de representar” – elas normalmente ficam fora do olhar do público. Desafiador foi ter que ensaiar um ensaio. “Depois que você aprende a fazer alguma coisa, o mais difícil é fingir que não sabe fazê-lo”, observa o diretor. O personagem principal da peça, para ele, é o ator. “E aquele que quer ser mais do que ator, quer ser artista”, observa. Um tipo que, para exercer a sua profissão, tem de emprestar suas vivências para o personagem, e tem “como obrigação”defender a criatura a que deu vida, seja boa ou ruim. “Neste sentido, a profissão é ótima. Podemos experimentar, no palco, fantasias e impulsos que são reprimidos mas são do ser humano”, avisa Chico Pelúcio, com bom humor, deixando claro que esse aspecto é uma das delícias do ofício.

Também é parte da vivência dos artistas cênicos, como conta Chico Pelúcio, além de enfrentar todas as questões que são do ser humano (dúvidas, envelhecimento, preconceitos) dedicar-se a carreira difícil. Seja no plano do reconhecimento, da sobrevivência ou mesmo na tentativa de exerce-la de forma continuada. O que coloca a necessidade de se reinventar continuamente. “Por mais sucesso que faça um espetáculo, chega um dia em que ele acaba e você tem que fazer outro, correndo os mesmos riscos (de cada montagem) de não ser bem sucedido. E é angustiante viver essa situação o tempo todo”, afirma. “Quando você inicia um processo, não sabe o resultado. Só vai saber lá na frente, no contato com o público”, acrescenta. O prazer da atividade é… “manter vivas a emoção e a vontade de ser ator”.

ENSAIO DE MENTIRA OU O ÚLTIMO ENSAIO PARA DIZER A VERDADE
Criação coletiva com dramaturgia de Assis Benevenuto e Vinícius Souza e direção de Chico Pelúcio e Lydia Del Picchia. Sexta e sábado, às 21h; domingo, às 20h. Galpão Cine Horto, Rua Pitangui, 3.613, Sagrada Família, (31) 3481-5580. Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada).

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