Livro conta surgimento do mapa da América do Sul que definiu o território do país

Após tempo de pesquisa nos arquivos da Biblioteca Nacional da França, historiadora Júnia Furtado autografa 'O mapa que inventou o Brasil'

por Ana Clara Brant 05/12/2013 07:40

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Fotos: Versal Editores/reprodução
O cartógrafo Jean-Baptiste Bourguignon d%u2019Anville em seu gabinete (foto: Fotos: Versal Editores/reprodução)
“Que vagueie quem quiser vaguear. Que veja a Inglaterra, a Hungria, a França e a Espanha. Eu me contento em viver em minha terra natal (…) E isso é bastante para mim. Sem jamais pagar por um estalajadeiro (…). Sem jamais fazer juras quando os céus se iluminam de raios, irei saltando sobre todos os mares. Mais seguro a bordo de meus mapas que a bordo de navios.” Ariosto, 'Sátira 3'.
















O trecho acima é a epígrafe de uma publicação que, mais do que contar uma história, reúne informações preciosas, documentos importantes, belas imagens e não deixa de ser obra de arte.

'O mapa que inventou o Brasil', de Júnia Ferreira Furtado, professora e pesquisadora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), será lançado hoje em BH. Trata-se de uma pesquisa que se iniciou há uma década, envolvendo Brasil, Portugal, França, Alemanha e Estados Unidos, e resultou num trabalho completo sobre a cartografia. Aborda-se, principalmente, o processo de invenção do território brasileiro.

O livro ganhou o Prêmio Odebrecht de Pesquisa Histórica – Clarival do Prado Valladares, iniciativa da Organização Odebrecht, que completa 10 anos de apoio à pesquisa histórica e à produção editorial brasileira. As 458 páginas trazem um rico acervo de ilustrações cartográficas criadas entre 1697 e 1782.

Júnia estudou a parceria intelectual de dom Luís da Cunha, representante diplomático de Portugal na França, com o cartógrafo francês Jean-Baptiste Bourguignon d'Anville para elaborar a 'Carte de l’Amérique méridionale'. Esse mapa embasava o projeto geopolítico advogado por Portugal para suas possessões na América e deu ao território brasileiro configurações muito próximas das atuais.

PARIS

A historiadora passou um ano debruçada sobre os mapas de D’Anville na Biblioteca Nacional da França, em Paris, onde se encontra a coleção completa do geógrafo. De acordo com Júnia, para elaborar esse mapa final da América do Sul – a Carta da América Meridional –, o francês chegou a usar 600 mapas diferentes.

A elaboração do documento teve início em 1720 e se desdobrou ao longo de três décadas. Confinado em seu escritório, Jean-Baptiste d’Anville era capaz de produzir mapas de grandes extensões da terra, como países, continentes e planisférios, a partir da consolidação de diversas fontes. Ele deixou cerca de 211 mapas, manuscritos e impressos, além de 23 obras de natureza geográfica.

 “D’Anville nunca saiu de seu gabinete, o processo da época era assim. Ele juntava vários mapas para poder chegar a um resultado final. Muitas vezes, esses documentos eram até conflitantes. Uns são mais confiáveis porque neles foram utilizados instrumentos mais precisos; em outros ele consegue ter o aval das autoridades locais, então tem certeza de que pode utilizá-los. É como se fosse um quebra-cabeças bem complexo”, revela Júnia Furtado.

A carta original, que foi desenhada a lápis e tem dois metros de altura, ficou pronta em 1748. Até 1779, foram produzidas cinco edições diferentes. No livro da historiadora mineira há uma reprodução da Carte de l’Amérique méridionale para que o leitor possa compreender melhor a história e acompanhar como se deram os fatos. “Esse mapa é fundamental para que o leitor possa abri-lo e, à medida que for lendo, entenda como as coisas ocorreram. O mapa é o tema do livro. Não fazia sentido ele ser mera ilustração. O adendo é fundamental, serve para consulta”, explica.

A historiadora destaca a importância do Prêmio Odebrecht, pois graças a ele foi possível publicar um livro completo e caprichado. “Não teríamos como bancar essa pesquisa, bem como o acesso e a reprodução de todas as imagens que ajudam a entender o contexto da época. Foi necessário toda uma negociação com as instituições. Sem o prêmio, o projeto não se concretizaria dessa maneira”, conclui.

Ediçãode luxo

Pesando 4,2 quilos, a edição luxuosa e com projeto gráfico elaborado é ilustrada com imagens dos séculos 16 a 19. Medindo 26cm x 32cm, é protegida por invólucro especial. Chama a atenção sua bela capa metalizada. Júnia Furtado explica que ela teve inspiração histórica: antigamente, mapas eram feitos em papel e posteriormente impressos em metal. “A ideia era fazer  referência a isso: ao processo de produção cartográfica da época”, observa.

O MAPA QUE INVENTOU O BRASIL
De Júnia Ferreira Furtado Versal Editores, 458 páginas, R$ 249
>> Lançamento quinta-feira, das 19h às 22h, na Livraria Mineiriana (Rua Paraíba, 1.419, Savassi). Informações: (31) 3223-8092.

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