Antônio Torres ocupará cadeira presidida por Machado de Assis na ABL

Baiano recupera o prestígio da literatura de invenção na Academia Brasileira de Letras, que não elegia um romancista a mais de dez anos

por Carlos Herculano Lopes 11/11/2013 07:50

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Thiago Almeida/Divulgação
Autor de 'Essa terra' começa a ter sua obra completa reeditada no Brasil e ganha tradução no Vietnã (foto: Thiago Almeida/Divulgação)

Nascido em Sátiro Dias, no interior da Bahia, em 13 de setembro de 1940, o novo imortal da Academia Brasileira de Letras, o romancista Antônio Torres, que irá ocupar a cadeira fundada pelo primeiro presidente, Machado de Assis, está feliz da vida. Eleito na quinta-feira com votação consagradora – recebeu 34 dos 39 votos possíveis –, ainda se sente atordoado com a boa notícia. “Não caí na real”, confessa.

Torres diz que está vivendo um verdadeiro “pacote de emoções”. “Estou sentindo uma renovação física e espiritual. Um novo ânimo para continuar vivendo e escrevendo”, disse. Casado com a professora de literatura da UFRJ Sônia Torres, companheira de toda a vida, o novo imortal já havia tentado ingressar na academia duas vezes, em 2008, quando saiu vencedor Luiz Paulo Horta, e em 2011, quando perdeu para o jornalista Merval Pereira.

Mas chegou a sua vez e, por coincidência, para ser o novo “dono” da emblemática cadeira de número 23, que além de ter tido como primeiro ocupante ninguém menos que Machado de Assis, nela já haviam se sentado antes os baianos Otávio Mangabeira, Jorge Amado, Zélia Gattai e Luiz Paulo Horta, que morreu em agosto. “É uma coisa incrível, não acha? E, além do mais, a cadeira 23 tem como patrono José de Alencar. Pela sua história, passar a ocupar essa cadeira é uma grande honra e responsabilidade. E mais: fui muito amigo de Jorge Amado e Zélia e também de Luiz Paulo Horta, que não era ficcionista, mas um pensador extraordinário. Dos melhores que já conheci”, diz Torres.

Vivendo há cinco anos em Itaipava, distrito de Petrópolis, mas sempre indo ao Rio de Janeiro se encontrar com os amigos, Antônio Torres conta que sua eleição para a ABL veio acompanhada de outra boa notícia: a reedição de todos os seus livros pela Record. O mais famoso deles, 'Essa terra', de 1976, acaba de ser relançado e chega à marca de 25 edições. Saíram também novas impressões de 'Meu querido canibal', 'Um táxi para Viena d’Áustria', 'Meninos eu conto', 'O cachorro e o lobo' e 'O nobre sequestrador,' que, segundo ele, tem muito a ver com Minas Gerais.

Torres, que é editado em vários países e idiomas, está também comemorando o lançamento de 'O cachorro e o lobo' e 'Essa terra' no Vietnã, ambos traduzidos do francês, porque no país asiático não existem tradutores do português. “Convidaram-me para ir lá no ano que vem, quando também serão comemorados os 25 anos do estabelecimento das relações diplomáticas com o Brasil”, informa o romancista.

Ficção resgatada

Outro fato que deixou contente o escritor foi a valorização da ficção pela Academia Brasileira de Letras. “Havia 10 anos um romancista não era eleito. E com toda a certeza, com a minha chegada, o romance e o conto voltaram a ganhar espaço na ABL, que assim se fortalece ainda mais.”

Na ABL, Casa que é marcada pela diversidade intelectual de seus integrantes, aos moldes da Academia Francesa, dos atuais 40 membros efetivos, apenas 12 se dedicam ao romance e à poesia. São eles: Ana Maria Machado, que é a atual presidente, Ariano Suassuna, Carlos Heitor Cony, Carlos Nejar, Geraldo Holanda Cavalcanti, Ivan Junqueira, João Ubaldo Ribeiro, Marco Luchesi, José Sarney, Lygia Fagundes Teles, Nélida Piñon e Paulo Coelho. Os demais integrantes são jornalistas, médicos, professores, ensaístas e políticos. A posse de Antônio Torres será no início de 2014, quando a academia voltar de recesso.

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