Festival Estudantil de Teatro de Belo Horizonte chega à sua 13ª edição

Evento se consolida como espaço de experimentação e debate sobre o ensino de artes cênicas no Brasil

por Carolina Braga 08/10/2013 07:40

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Leandro Couri/EM/D. A Press
Para preparar profissionalmente educadores e professores de teatro, as oficinas do Feto para já estão sendo realizadas na Funarte, em BH (foto: Leandro Couri/EM/D. A Press)
Não se trata apenas de fazer espetáculos de teatro. Para o Lume, o grupo criado dentro da Universidade de Campinas (Unicamp), sua função vai muito além. É por isso que não haveria palco mais adequado para a estreia de 'Os bem intencionados' que não o do Festival Estudantil de Teatro em Belo Horizonte, o Feto. O espetáculo dirigido pela mineira Grace Passô e que marca os 25 anos de pesquisa da companhia não foi escolha aleatória para abrir a maratona teatral que começa quarta-feira e vai até o dia 19.

Primeiro, porque se trata de uma companhia com décadas de experiência e que surgiu na universidade. Além disso, a pesquisa e a experimentação nunca estiveram distantes da trajetória dos atores da companhia. Por fim, por ser um exemplo e tanto para estudantes de todas as idades, que partem de sete estados brasileiros com um objetivo em comum: aprender teatro.

“Nossa função social enquanto artistas vai além do espetáculo. Temos uma conexão com a universidade e procuramos promover e difundir a arte para que mais pessoas adquiram essas competências”, explica Jesser de Souza.

Em sua 13ª edição, o Feto terá 17 espetáculos, sete oficinas, além de dois encontros. É a chance para quem nunca teve oportunidade profissional ou até para quem já está na estrada, mas ainda em busca de um caminho. “O festival tem conquistado o respeito e o interesse. Em primeiro lugar, pela relação próxima que estabelecemos com os grupos, independentemente se é o Lume ou um garoto de 9 anos. Acreditamos é no potencial mesmo”, destaca Bárbara Bof, idealizadora do Feto.

Os espetáculos se dividem em duas mostras. Na primeira delas, serão apresentadas oito peças dedicadas ao teatro na escola, com estudantes do ensino fundamental e médio. Os jovens atores vêm de Nova Friburgo (RJ), Santos (SP), São João del-Rei (MG), Blumenau (SC), Limeira (SP), Planatina (DF) e Boituva (SP), além de BH. Já na mostra Escola de Teatro, onde estão os trabalhos com nível de profissionalização maior, serão encenados seis espetáculos. Isso sem contar as montagens dedicadas às crianças.

“Eles têm em comum a garra, a vontade de experimentar e o desafio de fazer o teatro acontecer. Sabemos que viabilizar o teatro na escola é muito difícil. Mas, ao mesmo tempo, acho interessante observar como aumentou o número de profissionais de artes cênicas nas escolas”, destaca Bárbara Bof. É sempre de olho no perfil das inscrições que o Feto pensa nas oficinas que oferece ao público. Tanto é que um dos cursos é dedicado a quem ensina teatro.

Como Bárbara observa, quando o festival começou era grande o número de montagens dirigidas por professores de outras disciplinas. Até professores de matemática se arriscavam a dar aulas de teatro. De acordo com ela, pouco a pouco o quadro mudou. “Mesmo os professores de outras linguagens já buscam cursos com a intenção de fazer o teatro acontecer de verdade”, avalia a coordenadora do Feto.

Difícil começo

A nova peça do Grupo Lume também serve de incentivo para quem começa a carreira nas artes cênicas. Com texto de Grace Passô, a história é sobre um grupo musical que tenta engrenar uma vida nas artes. Embora não tenha sido feito para um público específico, segundo Jesser de Souza, o contato com a plateia do Feto tem tudo para ser especial. “Ele ganha outra camada. Os bem intencionados questiona a arte, a escolha de ser artista. Não é uma fala para nossos pares. Tem outro nível de comunicação para quem é do ramo da arte”, reconhece. Como é comum nas criações do Lume, em Os bem intencionados, o público também é convidado a se juntar ao elenco e acompanhar a história bem de perto. O espetáculo será apresentado de quarta a sexta-feira, às 20h, no Galpão Cine Horto (Rua Pitangui, 3.613, Horto, (31) 3481-5580). Ingressos custam R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia).

Espaço para o diálogo

O Festival Estudantil de Teatro começou de maneira despretensiosa em 1999, em apenas dois espaços da cidade, o Teatro da Praça e o Teatro Casanova, ambos já desativados. Bárbara Bof e Byron O’Neill, então estudantes, queriam abrir espaço para que mais pessoas como eles encontrassem palcos para mostrar seus experimentos. Hoje, o Feto espalha suas atividades por oito espaços de Belo Horizonte.

Nas primeiras edições, os participantes eram, em sua maioria, amadores. Com o crescimento, o Feto passou a chamar a atenção de nomes que já têm certo reconhecimento. “De modo geral, a gente percebe um número maior de pessoas se inscrevendo, gente que tem uma história no teatro. Isso acaba engrossando nosso caldo”, diz Bárbara Bof.

É o caso do diretor e dramaturgo Diogo Liberano, do Rio de Janeiro. Somente neste ano ele esteve envolvido em pelo menos quatro montagens profissionais, entre elas a adaptação de 'Vermelho amargo', de Bartolomeu Campos de Queirós. Mesmo já reconhecido profissionalmente, não hesitou em se inscrever para o evento mineiro. Detalhe: será a terceira vez que participa.

“Lembro-me de ter ficado muito impactado pela qualidade do formato do festival. Pelas dinâmicas que propõe e pelo interesse pelo desdobramento, pelo diálogo, são coisas que não acontecem em outros lugares”, ressalta. Junto com sua companhia, a Teatro Inominável, Liberano mostrará 'Vazio é o que não falta, Miranda'. “Estar no Feto vira um vício, porque é o lugar em que de fato o trabalho é debatido. É compartilhar, ver o do outro e se misturar”, avalia.

Certamente, um dos destaques da programação, a montagem é inspirada no conflito de 'Esperando Godot'. “Comecei uma pesquisa para entender se a minha intuição sobre o sentido de esperar Godot ainda valia. Não lidamos mais com a espera daquela forma, ao mesmo tempo em que, assim como Becket, nutrimos uma dependência e relações de esperas constantes”, reflete o diretor. 'Vazio é o que não falta, Miranda' terá única apresentação dia 14.

Onde estudar teatro em BH


» UFMG – Curso superior em artes cênicas, com acesso mediante vestibular.

» Cefar – Centro de Formação Artística do Palácio das Artes. Oferece cursos básico e profissionalizante. O número de vagas e outras informações são divulgados por edital, neste site, na primeira quinzena de setembro de cada ano.

» Teatro Universitário – Curso técnico de ator oferecido pela UFMG, com duração de três anos. Aulas de segunda a sexta-feira, à noite, e aos sábados pela manhã ou à tarde. Processo seletivo anual, com edital divulgado no segundo semestre. Informações: (31) 3409-4220.

» Escola de Teatro PUC Minas –Curso para adultos, crianças e adolescentes nas modalidades profissionalizante e curta duração. Inscrições a cada semestre. Informações: (31) 3269-3260.

» Galpão Cine Horto – Cursos livres com o objetivo de iniciar o aluno no exercício teatral. Inscrições semestrais. Informações: (31) 3481-5580.

» Casa do Ator Studio de Treinamento e Arte – Oficinas e cursos para atores, estudantes de teatro e cinema e agentes de comunicação e cultura. Informações: (31) 9806-3898.

» Net – Cursos regulares com turmas durante a semana ou no sábado. Informações: (31) 3222-1010.

FETO 2013 

A partir dessa quarta-feira ao dia 19. Espetáculos no Teatro Oi Futuro, Teatro Alterosa, Sesi Holcim, Galpão Cine Horto e Funarte MG. Ingressos: R$ 6 (inteira) e R$ 3 (meia). Para Os bem intencionados: R$10 (inteira) e R$ 5 (meia). Confira programação completa no site do evento.

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