Cine Theatro Brasil-Vallourec será aberto ao público quarta com exposição de Portinari

Restauração do prédio manteve características originais do imóvel na Praça Sete

por Ailton Magioli 06/10/2013 00:13

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
Túlio Santos/EM/D.A Press
Fechado desde 1999, o prédio foi adquirido pela Fundação Sidertube (foto: Túlio Santos/EM/D.A Press)

A visita guiada, ainda a ser implementada, poderá começar pelo sétimo e último andar do edifício em estilo art déco, cujo projeto original é de autoria do arquiteto italiano Angelo Alberto Murgel. Afinal, reza a lenda que ao ser inaugurado, na década de 1930, as pessoas pagavam para subir até o mirante para ter a visão privilegiada da Praça Sete. Isso por se tratar do até então prédio mais alto construído na cidade - sete pisos, que correspondem a 11 andares -, cujo formato simétrico foi inspirado em um transatlântico.

Verdade que, oito décadas depois, Belo Horizonte não é mais a mesma, mas o sugestivo cartão-postal permanece e vai ganhar força novamente com a entrada em atividade do Cine Theatro Brasil-Vallourec, que será inaugurado terça-feira, para convidados, e, no dia seguinte, para o público. Em cartaz, além da bela estética de uma época, devidamente restaurada, a exposição Guerra e paz, que reúne os dois painéis monumentais (14m x 10m) de Candido Portinari, que vai ocupar todos os andares do novo centro cultural belo-horizontino.

Feitos especialmente para a sede das Organizações das Nações Unidas (ONU), em Nova York, os painéis recém-restaurados vão seguir de Belo Horizonte para Paris, antes de retornarem aos Estados Unidos. No Brasil, eles também foram expostos em São Paulo (Memorial da América Latina) e no Rio de Janeiro (Theatro Municipal, onde foram vistos pela primeira vez, em 1956, antes de serem entregues à ONU).

Fechado desde 1999, o prédio que abriga o emblemático Cine Theatro Brasil de Belo Horizonte foi adquirido pela Fundação Sidertube, passando, desde então, a ser gerido por uma associação de funcionários do Grupo Vallourec, ao qual a fundação está subordinada. A demora para a reabertura do espaço, cujas obras de restauro se estenderam por sete anos, segundo a gestora de Planejamento e Ação Cultural, Sandra Campos, se deveu à descoberta das pinturas do italiano Angel Biggi, que estavam escondidas debaixo de cinco camadas de tinta.

As figuras geométricas, surpreendentemente influenciadas pela arte marajoara, podem ser vistas nos corredores laterais que dão acesso ao Grande Teatro, que, originalmente, abrigava 1,8 mil lugares, agora reduzidos a mil. Além deste, o Cine Theatro Brasil passará a abrigar um teatro de câmara, de 200 lugares, com cadeiras originais do cinema, para apresentações de menor porte. No sétimo andar, por onde começa a nossa visita ao espaço cultural, antes do mirante que fez história, o público vai desfrutar de um espaço multiuso.

Já nos quinto e sexto andares estão os espaços alternativos do Cine Theatro Brasil-Vallourec, que poderão abrigar desde galeria de arte a trabalhos de arte-educação, passando por lançamentos de livros, projeções e performances. Uma instigante passarela de vidro liga os dois corredores do sexto andar, chamando atenção pelo casamento do estilo art déco com a contemporaneidade. Por mais que tenha havido intervenções no espaço, toda a restauração, sob o comando do arquiteto Alípio Castelo Branco, foi feita sob inspiração na época de origem do prédio, que foi um dos primeiros a ser construído com vigas de concreto armado, vencendo um vão de mais de 30 metros.

A restauração do edifício, que é tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG), manteve as vigas originais do telhado, dialogando com a intervenção moderna de estrutura metálica. Já o piso original, de azulejos hidráulicos ou tacos, foi mantido em todos os andares. Chamam atenção, ainda, no quinto andar, as vigas do telhado original, conhecidas por tesouras, além da presença de um antigo dimmer, dispositivo utilizado para aumentar ou diminuir a intensidade luminosa do antigo cinema. O vedamento acústico foi feito com blindagem de vidro, que não absorve o ruído externo, em todos os andares. O sistema de ar-condicionado central atenderá a todo o prédio.

Sete andares para Portinari

1º andar/térreo
Acesso ao Cine Theatro Brasil-Vallourec.

2º andar
Exposição dos painéis Guerra e paz, de Portinari, no palco do Grande Teatro.

3º andar
Espaço educativo para realização de oficinas.

4º andar
Administração do CTB-V.

5º andar
Releituras de Portinari: 18 bordados do grupo Matizes Dumont, de Pirapora (MG), e instalação de esculturas de Sérgio Campos.

6º andar
Módulo que aborda o trabalho realizado pelo Projeto Portinari, além de linha do tempo interativa da vida do pintor, catálogo e projeção sobre a obra do artista, organizada cronologicamente.

7º andar
80 estudos de Candido Portinari, documentos e fotografias que registram o processo de encomenda e doação dos painéis, além de objetos pessoais do pintor, como pincéis, óculos, cadernetas e cavaletes.

GUERRA E PAZ

Painéis de Candido Portinari. Abertura ao público quarta-feira. Cine Theatro Brasil-Vallourec, Praça Sete, s/nº, Centro, no quarteirão fechado entre as avenidas Afonso Pena e Amazonas e a Rua Carijós. Visitação de terça-feira a domingo, das 10h às 19h. Sessões a cada hora para grupos de até 400 pessoas. Entrada franca, por ordem de chegada. Classificação livre. Até 24 de novembro.

VÍDEOS RECOMENDADOS

MAIS SOBRE E-MAIS