Funarte recebe montagem baseada em obra de Oscar Wilde

Dirigida por Diego Bagagal, 'Em louvor à vergonha' trata indagações do autor irlandês sobre a hora da morte

por Mariana Peixoto 26/09/2013 08:10

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Ronaldo Janotti/divulgação
Em louvor à vergonha tem Fábio Schmidt o tempo todo em cena (foto: Ronaldo Janotti/divulgação)
Como uma pessoa reage na hora final de sua vida? No caso do escritor e poeta irlandês Oscar Wilde (1854–1900), de maneira extremamente irônica e solitária. Pelo menos é dessa forma que o ator e diretor Diego Bagagal analisa a manhã de 30 de novembro de 1900, em Paris, quando Wilde sucumbiu a uma violenta meningite. A última hora do autor de 'O retrato de Dorian Gray', 'Salomé' e 'De Profundis' é encenada na montagem 'Em louvor à vergonha', que estreia nesta quinta-feira na Funarte MG.

O projeto teve início em 2009, quando Bagagal deixou Londres, onde vivia, rumo à Polônia, para uma temporada no Grotowiski Institute. Ali, sob a supervisão de Grzegorz Ziolkowski, trabalhou um solo a partir de 'Salomé'. De lá seguiu para a Itália, onde continuou trabalhando no universo do irlandês. “Comecei a pensar no que Wilde pensava quando escreveu a personagem. Salomé sempre foi ele, nunca uma mulher”, afirma Bagagal. De volta a BH, ele se propôs uma imersão radical. Durante sete meses, pesquisou, sozinho, toda a obra de Wilde e daqueles que se relacionaram com ele.

“Como transformar tudo em espetáculo?”, questionou-se Bagagel no processo, já que, além de interpretar o escritor, ele assinou a direção e a dramaturgia da montagem. “Escolhi (da obra de Wilde) o que reverberou na minha alma, o que li e chorei, me deu raiva, me fez rir”, continua ele. Um movimento de altos e baixos na trajetória do autor é revelado em cena com um ringue de boxe em que cada assalto marca uma passagem da vida dele, até o fim trágico.

“Minha imersão foi muito intuitiva. Wilde foi talvez o primeiro homem moderno pop, no sentido de ser fotografado, sair em jornal, ter um público que o aplaudia e vaiava. E essa vontade de ser amado é intrínseca à humanidade”, continua Bagagal. O título da peça, 'Em louvor à vergonha', foi tirado de um poema de Alfred Douglas, poeta e tradutor e inglês e mais conhecido amante de Wilde (foi o pai de Douglas, o marquês de Queensberry, que iniciou uma perseguição ao irlandês, culminando em sua condenação de dois anos por cometer “atos imorais” com diversos rapazes).

No palco, Bagagal tem uma companhia constante. O ator Fábio Schmidt fica o tempo todo em cena. “Ele não tem fala, mas é uma presença forte. Wilde sempre achou que tinha alguém o acompanhando, que só ele via. Isso tem a ver com o delírio da morte, pode trazer perigo e também conforto.” Além dele, o violonista André Cavazotti toca em cena, acompanhando a trilha gravada pelo baixista do Jota Quest, PJ.

EM LOUVOR À VERGONHA
Desta quinta até sábado, às 20h; domingo, às 19h, no Galpão 3 – Funarte MG, Rua Januária, 68, Floresta. Ingressos: R$ 10 e R$ 5 (meia).

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