Artista plástica Anna Bella Geiger traz a BH a síntese de 60 anos de carreira

Geiger, de 80 anos, adverte que criar exige autoquestionamento constante e gosto pelo risco

por Sérgio Rodrigo Reis 21/09/2013 09:00

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Alizah Chekroun/divulgacao
'O pão nosso de cada dia', obra de 1978 (foto: Alizah Chekroun/divulgacao )
Organizar a síntese de uma produção artística realizada desde a década de 1950 foi o desafio enfrentado nos últimos meses pela artista plástica carioca Anna Bella Geiger, de 80 anos. Em sua primeira exposição individual em Minas Gerais, ela conseguiu resumir a obra que perpassou – sem perder a vitalidade – os principais movimentos estéticos das últimas décadas.


Em cartaz até 19 de outubro na Galeria Murilo Castro, em BH, a mostra reúne 32 desenhos e gravuras produzidos em diversas épocas. O público poderá conferir os vídeos Passagens 74 e Mapas elementares 1 e 3; duas pinturas batizadas de Macios; os trabalhos fotográficos Brasil nativo – Brasil alienígena, de 1977; dois Fronteiriços; e peças tridimensionais recentes, como Rolos/scrolls.

A produção de Anna Bella é marcada por um viés irônico capaz de trazer à tona questões ideológicas do universo das artes e do contexto político em que elas se inserem. Engana-se quem julga ter absoluto controle desse processo. “A gente pensa além da gente. Não adianta estimar o próprio trabalho, você tem que desconfiar sempre. Criar é uma utopia”, diz Anna Bella. E avisa: o que determina a permanência de uma obra não é a técnica ou a mídia empregada, mas o discurso. “Por isso a arte é difícil. Produzir é complicado”, resume.

INTIMIDADE
Alizah Chekroun/divulgacao
(foto: Alizah Chekroun/divulgacao )
Anna Bella Geiger diz que o artista não deve ser íntimo de sua obra. “Quando ele chega perto dessa intimidade, já é hora de se colocar criticamente”, adverte. Ao longo de 60 anos de carreira, a carioca se colocou nessa perspectiva. “Meu trabalho teve estranhamentos não apenas psicológicos, mas em relação aos resultados que atingi”, diz.

Isso ocorreu, por exemplo, depois de uma fase abstrata. No início, ela começou a achar sua criação banal e mudou, passando a se dedicar ao que críticos batizaram de “fase visceral”. Nova crise a fez desenvolver trabalhos efêmeros em locais desconhecidos do Rio de Janeiro, experiência que a aproximou da questão conceitual. Paralelamente, a carioca sempre manteve o que chama de “atração fatal” pela arte gráfica, técnica da qual se apropria para criar séries de cartografias. “Aqui desenvolvo uma leitura poética da minha visão de mundo”, conclui Anna Bella Geiger.

MOSTRA SÍNTESE
Trabalhos de Anna Bella Geiger. Galeria Murilo Castro, Rua Antônio de Albuquerque, 377, sala 1, Savassi,
(31) 3287-0110. De segunda a sexta-feira, das 10h às 19h; sábado, das 10h às 14h. Até 19 de outubro. Informações: www.murilocastro.com.br

SAIBA MAIS

Cidadã do mundo


Escultora, pintora, gravadora, desenhista, artista intermídia e professora, Anna Bella Geiger nasceu no Rio de Janeiro, em 1933. Com formação em literatura anglo-germânica, a carioca iniciou seus estudos artísticos no ateliê de Fayga Ostrower (1920 –2001), nos anos 1950. Em 1954, foi para Nova York e estudou história da arte. Em 1960, participou do ateliê de gravura em metal do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Em 1982, Anna Bella recebeu a bolsa da John Simon Guggenheim Memorial Foundation, em Nova York. Em 1987, publicou com Fernando Cocchiarale o livro Abstracionismo geométrico e informal: a vanguarda brasileira nos anos cinquenta.


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