Jornalista e escritor Leandro Narloch acaba de lançar o segundo guia do politicamente incorreto

Dessa vez, com curiosidades e bizarrices além das fronteiras brasileiras

por Maria Júlia Lledó 16/09/2013 10:03

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(foto: Reprodução)
Leandro Narloch é um curioso irremediável. Plugado 24 horas a fatos aparentemente ordinários, o jornalista não deixa nada lhe escapar. Não à toa, logo se aventurou no segmento literário. Na ponta do lápis, ou melhor, no teclado do notebook, registraria o lado B da história que aprendemos na escola. Assunto que fascina o jovem escritor, autor do Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil (Ed. Leya, 2012). Dessa vez, Narloch investiu em uma sequência bem mais ampla, com direito a personagens mitificados, como Isaac Newton, Nero, Mussolini e Madre Teresa de Calcutá. “Com o sucesso do primeiro livro, muitos leitores me sugeriam temas a abordar na história do mundo, como o mito de que as fronteiras artificiais destruíram a África, dos samurais burocratas, das bizarrices dos regimes comunistas. A sequência, então, era inevitável”, contou à Revista. Após dois anos de muita pesquisa e paciência da mulher Gisela, como ele brinca, o escritor acaba de lançar o Guia Politicamente Incorreto da História do Mundo, pela mesma editora. Entre alguns spoilers: a fama de bom astrólogo do matemático Galileu e a ausência de qualquer cinto de castidade nas mulheres medievais. Mas esses trechos são leves diante da série de provocações selecionadas por Leandro Narloch para deixar o leitor com as orelhas em pé.

Que critérios você adotou para escolher os fatos abordados no livro?
O critério é o politicamente incorreto. A história do mundo é um assunto amplo, talvez o mais amplo que exista, então selecionei só as histórias e as versões mais desagradáveis, que mais incomodavam a turma do mundo melhor, da sustentabilidade. Foi por isso que, sobre o Império Romano, defendi Nero, e não Julio Cesar — afinal, Nero é o personagem que ocupa o cargo de grande vilão, de anticristo.

Entre esses fatos, algum, em especial, foi surpreendente para você?

Sim, muitos me surpreenderam. Até ler sobre a Revolução Industrial, não havia me dado conta de que as máquinas e as fábricas salvaram, a longo prazo, as crianças do trabalho infantil e criaram milhões de empregos. É bem o contrário da imagem que temos desse período. Também foi incrível entrevistar deputados em Brasília para saber o que eles achavam de frases do livro A Doutrina Fascista, de Mussolini. Sem saber que as frases eram do ditador italiano, diversos deputados concordaram com elas.

Os trechos: “A bomba de Hiroshima salvou milhões de japoneses” e “McDonald's, a franquia da paz” são algumas passagens polêmicas do livro. Você teme ser considerado radical?
Não, pois quase todas as afirmações do livro vêm de estudos estabelecidos, baseados em algum consenso. A teoria da paz capitalista, por exemplo, já é ponto pacífico para a maioria dos especialistas em relações internacionais. Quando não há esse consenso, eu abro um espaço para ponderação, mostrando os pontos fracos daquela teoria ou versão. Por exemplo, no caso da teoria da paz nuclear, segundo a qual as bombas atômicas evitaram uma terceira guerra mundial, mostro os argumentos contrários a essa ideia. Talvez a afirmação que soe mais radical do livro seja a de que o capitalismo foi a melhor coisa que aconteceu para os pobres na história do mundo. Para mim, no entanto, isso não é radical, é óbvio. Por onde a produção em massa passou, as pessoas deixaram de lidar com problemas de escassez para enfrentar problemas de abundância — comida demais, que gera obesidade; carros demais, que criam engarrafamentos; embalagens demais para poucos lixões.

Além de mostrar o lado B da história do mundo, há a intenção de que o livro seja usado em sala de aula?
Os guias politicamente incorretos são livros parciais, que mostram só uma versão da história. Não devem ser o principal livro dos alunos, mas podem ser usados como um complemento, um instrumento de debate, um antídoto contra a falta de diversidade de opiniões nas aulas de história.

Se a história não é mais contada somente pelos vencedores, teríamos, então, nas próximas gerações, livros de história mais abrangentes?
Não acredito que a história seja contada pelos vencedores. Quase sempre é contada pelos ressentidos, pelos que serão vencedores. Afinal, muitas vezes se usa a história como uma arma política — de Hitler a Evo Morales, os políticos ganham poder quando conseguem implantar a versão em que eles aparecem como redentores. Torço para que, no futuro, os cidadãos fiquem mais atentos a esse tipo de estratégia.

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