Escritor americano Nicholas Sparks fala sobre novo romance 'Uma longa jornada'

Em entrevista, autor ainda conta como é a rotina de escritor

por Correio Braziliense 16/09/2013 09:29

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Alice M. Arthur/Divulgação
(foto: Alice M. Arthur/Divulgação)
Nascido em Omaha, Nebraska (EUA), Nicholas Sparks é mundialmente conhecido por ostentar avassaladores números de venda de livros: são mais de 90 milhões de cópias, com obras traduzidas em mais de 50 idiomas. Sparks causou alvoroço durante a Bienal do Livro do Rio, onde lançou seu novo romance, intitulado 'Uma longa jornada' (Editora Arqueiro). Ali, milhares de fãs buscaram chegar perto do escritor norte-americano para pedir um autógrafo. Sparks esteve também em Curitiba e em São Paulo, onde a recepção não foi diferente.

Além da fama adquirida pela venda de livros, Sparks também se destaca por ter oito romances adaptados para a tela do cinema. Fã de Stephen King, escritor norte-americano que se tornou notório por obras como 'O iluminado' (1977) e outros livros que trabalham a temática do horror e da ficção, Sparks mantém a carreira escrevendo enredos amorosos.

No novo livro, o autor destaca dois pontos: é a primeira vez que escreve um romance com duas diferentes histórias de amor; sendo um dos casais judeu, algo que ainda não havia feito. Do telefone de um quarto no Copacabana Palace, Sparks contou mais do livro e da atividade de escritor.

>> Entrevista Nicholas Sparks

De onde surgiu a ideia do novo trabalho?

Bom, a ideia original é a semente. E dessa semente o restante do livro floresce. Tudo começou porque já sabia como o livro iria terminar. Eu já sabia do final que eu gostaria de dar à obra e sabia também qual virada na história eu gostaria que acontecesse. Pensei: “Ok, é dessa forma que eu quero que acabe. Agora, como eu chego lá?” Dessa maneira, busquei escrever de uma forma que o romance transmitisse minha ideia aos leitores. De pouco em pouco, fui desenvolvendo uma história para ir ao encontro dessas ideias.

Muitos escritores ao redor do mundo nunca conseguirão vender tantos livros quanto você. A maioria deles talvez não consiga sequer publicar uma obra. O que pensa do mercado de livros e das políticas de publicação das editoras?
Bom, acho que isso faz parte da vida. A habilidade de contar uma história que todos ou muitas pessoas queiram ler, é difícil. Atingir um grande público não é fácil. É como qualquer outra habilidade: é necessário tempo para dominar essa capacidade. Apesar de acreditar que todos sejam capazes de escrever, nem todos conseguirão redigir uma história que lhes permita viver da escrita. É isso, na verdade, não tenho muita opinião a respeito do assunto.

Quando iniciou a vida de escritor, enfrentou alguma dificuldade? O que pensa do mercado, das editoras e do processo de publicação?
Sim, claro. Escrevi meu primeiro livro aos 19 anos e nunca foi publicado. Produzi o segundo romance aos 22, e nada. Tive coautoria em um terceiro livro que só foi publicado pela importância do meu amigo. Apenas aos 28 anos, quando escrevi Diário de uma paixão, já com nove anos na atividade de escritor, foi que obtive sucesso. Todos passam por dificuldades, é normal. A realidade é essa.

Qual conselho daria aos jovens escritores? Tem algum livro favorito?
Se pudesse dar um conselho, diria a eles que leiam muito. Ler diferentes estilos, diferentes autores. Ver o que é bom, o que é ruim, o que funciona, por que funciona ou o que não funciona e por que não funciona. Tudo isso é muito importante. Não diria que tenho um livro favorito ou algum que tenha me marcado. Na verdade, levo comigo pontos positivos de cada um, boas ideias, coisas que me motivaram e motivam a fazer algo parecido.

Por que você escreve?
Escrevo porque posso. É isso. Eu não preciso mais escrever. É um sentimento imenso de satisfação quando eu termino um livro. Eu faço porque posso. Escrevo porque posso e porque me sinto muito bem em escrever algo que as pessoas vão gostar de ler.

Por qual razão acha que tantas pessoas o leem?
Tento escrever de forma universal, para que a maioria das pessoas se identifiquem em algum aspecto do livro. Eu acho que eles realmente vão gostar das personagens e da história, como um todo. Foi o que aconteceu nos outros livros. Eu me sinto muito feliz quando me param na rua para me cumprimentar ou quando vejo multidões querendo autógrafos. Penso nos leitores do início ao fim. Escrevo para que as pessoas não parem de passar as páginas. Escrevo para que todos se divirtam ao ler. É muito satisfatória toda essa repercussão, eu me sinto muito feliz.

Por que lançar o livro aqui no Brasil?

No passado, eu finalizava meus romances em datas muito próximas às de lançamento, de forma que não havia tempo suficiente para traduzir o livro para outros idiomas. Terminei este romance no ano passado, então houve tempo hábil para traduzi-lo e deixá-lo pronto para publicação. A partir daí, ficou por conta das editoras. Como sabiam que eu poderia comparecer ao Brasil em agosto, resolveram me convidar para fazer o lançamento aqui. Achei ótimo.


Livros que viraram filmes

» Diário de uma paixão
» Uma carta de amor
» Um amor para recordar
» Noites de tormenta
» Querido John
» Um homem de sorte
» A última música
» Um porto seguro

Uma longa jornada

De Nicholas Sparks. Tradução: Maria Clara de Biase Editora Editora Arqueiro. Número de páginas: 368. Preço: R$ 29,90 (e-book R$ 19,90).

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