Inhotim começa processo de substituição temporária de obras de seu acervo

Os destaques são novos trabalhos de Marcius Galan e Luiz Zerbini

por Sérgio Rodrigo Reis 14/09/2013 00:13

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Beto Novaes/EM/D.A Press
Pinturas de grandes dimensões de Luiz Zerbini jogam com cores fortes, efeitos óticos e grafismos (foto: Beto Novaes/EM/D.A Press)
O artista plástico paulista Marcius Galan usou um artifício aparentemente simples para criar uma das instalações mais instigantes de Inhotim, em Brumadinho. Ao entrar numa sala, o espectador tem a sensação de olhar diante de um vidro e ver a imagem ao fundo. Só que, neste caso, não há vidro. O que existe é um jogo entre pintura e iluminação. O novo trabalho que ele acaba de instalar numa das galerias do centro de arte também lança mão de recursos capazes de intrigar o espectador. A instalação é uma das novidades preparadas para renovar, em outubro, o espaço dedicado à arte contemporânea no interior de Minas.


A obra de Marcius Galan integra a maior troca de exposições temporárias do Inhotim, que vai ocorrer nas galerias Mata, Praça, Lago e Fonte a partir deste mês, estendendo-se até 24 de outubro. Ao contrário dos anos anteriores, desta vez não haverá inauguração de novos pavilhões, mas ocupação dos já existentes com novas obras que integram o acervo do Inhotim. A situação só deve voltar a ocorrer daqui a um ano, com a abertura ao público de espaços dedicados à site specifcs – instalações feitas exclusivas para o lugar –, de artistas plásticos de trajetória internacional, como o indiano Anish Kapoor, a suíça radicada no Brasil Cláudia Andujar, e o dinamarquês Olafur Eliasson.

Mesmo com impacto menor em relação às inaugurações anteriores – por não ter ocorrido construção de pavilhões, mas reaproveitamento dos existentes –, a visita ao lugar continua impressionando pela capacidade de mutação do espaço. Logo na entrada, o visitante acostumado a ir ao museu em Brumadinho vai se deparar com a ampliação dos jardins e, em seguida, encontrará a emblemática Imóvel/Instável, obra que Marcius Galan se dedica a remontar em Minas.

Apresentada originalmente na galeria paulistana Luisa Strina, a instalação foi adquirida há algum tempo e, no início do ano, iniciaram as conversações para ser finalmente remontada. “O mais legal de estar aqui é saber que o trabalho será visto todo dia por um número grande de pessoas”, comemora.

MÓBILES A instalação do artista, nascido nos Estados Unidos e residente desde a infância no Brasil, em Bauru, interior de São Paulo, segundo ele, é “menos midiática” em comparação a outra assinada por ele em Inhotim. A ideia surgiu inspirada nos móbiles do americano Alexander Calder (1898-1976), criador de esculturas que se movimentam no ar.

Na versão de Galan ocorre o inverso: aparece estática, sustentando tocos de madeiras suspensos, presos por fios do teto ao chão graças a um complexo jogo de pesos que partem de 300 quilos e terminam se equilibrando a uma moeda de R$ 0,10. “São pesos, cabos e ripas de madeira que vão dobrando de tamanho na mesma proporção, dando forma a uma estrutura arquitetônica estável. A função da estrutura é equilibrar a última peça, que é a moeda”, explica.

O trabalho permite leituras para além do aspecto visual. Para o artista, a obra é metáfora de momento de plena crise econômica que assolou os mercados mundiais, quando o Brasil parecia viver movimento favorável de desenvolvimento, ao mesmo tempo em que mantinha a estrutura social e econômica bastante desigual.

“A obra e a reflexão vieram juntas”, explica. Mas não é nada que se perceba de imediato. “Quando idealizo um trabalho, ele acaba trazendo indícios do que pensei. Mas não espero do público a minha leitura. Na realidade, a obra possibilita variadas percepções.” A estratégia é algo que, como espectador, Galan busca em exposições. “Ao entrar em contato com algum trabalho plástico que me intriga, começo a ler mais sobre o artista e depois passo a ver as criações anteriores”, conclui.

Hora da mudança

Inhotim inaugura até 24 de outubro, com a presença de críticos, jornalistas e convidados, as novas exposições temporárias. A Galeria Fonte será renovada com obras de Alexandre da Cunha, Gabriel Orozco, Geraldo de Barros, Jiro Takamatsu, Jorge Macchi, Tacita Dean, Mauro Restiffe, Damián Ortega, Sara Ramo, Robert Morris, Hitoshi Nomura, Rivane Neuenschwander, João Maria Gusmão e Pedro Paiva.

Já a Galeria Praça será ocupada pela instalação de Marcius Galan e pelas pinturas de Luiz Zerbini, um dos pontos fortes desse processo de renovação. Suas pinturas, inspiram-se ora em grafismos e seus efeitos óticos, ora em pinturas realistas de paisagens naturais. Há ainda, na Galeria Mata, trabalhos de Juan Araújo e Babette Mangolfe e, por fim, na Galeria Lago, criações assinadas por Marepe.

INHOTIM


O museu de arte contemporânea de Brumadinho oferece conjunto de obras de arte  expostas a céu aberto ou em galerias temporárias e permanentes, situadas dentro de um jardim botânico. Abre de terça a sexta-feira, das 9h30 às 16h30. Aos sábados, domingos e feriados, das 9h30 às 17h30. Ingressos (inteira) de R$ 20 a R$ 28. Informações: (31) 3571-9700 e info@inhotim.org.br.

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