Mulheres e homens dividem experiências na formação na dança

Em uma das salas do Palácio das Artes, o grupo de quatro meninos e duas meninas ensaia e chama a atenção

por Jefferson da Fonseca Coutinho 01/09/2013 00:13

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Leandro Couri/EM/D.A Press
Formandos do Cefar: quatro homens e duas mulheres invertem a tradição (foto: Leandro Couri/EM/D.A Press )
Na sala de ensaio de esquina no Cefar, o grupo de quatro meninos e duas meninas ensaia e chama a atenção. São formandos de mais uma turma do curso profissionalizante de dança da Fundação Clóvis Salgado. Grupo raro com o dobro de homens em relação às mulheres. A proporção de profissionais masculinos formados pela escola do Palácio das Artes nos últimos cinco anos é de dois meninos para cada 10 meninas. Privilégio para a dupla Sara Marchezini, de 22, e Carolina Pego, de 21. Duas moças sorridentes, de encantos típicos das meninas de tutu e sapatilhas cor-de-rosa.

Carolina dança desde mocinha. Passou pelas salas de aula da UFMG, mas não gostou do ensino superior da dança. Este ano, prepara-se para tentar vaga no curso de comunicação das artes do corpo, na PUC de São Paulo. Para a bailarina, é uma alegria ver seus colegas homens felizes com as sapatilhas. “É realmente complicado porque existe o preconceito. Mas, ao mesmo tempo, é maravilhoso ver os meninos vencendo essa barreira”, considera. Sara Marchezini, não menos apaixonada pelos tablados, vê o homem na dança, no Brasil, como um avanço social. “É uma interação importante não só para a arte, mas para a vida de ambos. Homens e mulheres”, avalia.

Os quatro garotos sorriem ao ouvir o depoimento das belas. Ricardo Sabino, de 27, o mais alto do grupo, ator de musicais, busca qualificação nas aulas de clássico. Já esteve em cena nos espetáculos Cinderela, Branca de Neve e Eu não sou cachorro não, produções de Belo Horizonte. O artista revela que a família foi sabendo aos poucos da sua paixão pela dança. “Minha mãe se assustou quando viu pela primeira vez os acessórios que uso na dança. Foi um choque o suporte nas mãos”, diz.

Dalton Correia, de 23, olhos verdes luminosos, alegra-se com a conversa. Diz que, por anos, garoto, levantou às 5h e chegou em casa por volta da meia-noite, todos os dias, para dar conta da jornada dupla de bailarino e operador de telemarketing. Morador de Contagem, na região metropolitana, o formando passa três horas por dia dentro do ônibus 6820. Problemas de aceitação pela escolha profissional superados, Dalton foca no último ano de formação. “Deixei o trabalho para me dedicar aos espetáculos de final de curso.”

“Vi pais, incomodados com as roupas que os filhos usavam, levantarem-se no meio do espetáculo e deixarem a plateia”, diz Elton de Souza, de 22, professor de dança contemporânea nas horas vagas. De Ibirité, também passa cerca de três horas por dia dentro do busão. Um dos 16 bolsistas do Balé Jovem da Fundação Clóvis Salgado (FCS), Elton conta com o apoio da família e dos amigos para levar adiante o sonho de fazer carreira e ser respeitado como profissional da dança.

Vem de Jordânia, no Vale do Jequitinhonha, o último formando de 2013. Henrique Dias, de 27, dança desde os 13. Fez carreira entre os jordanienses com o axé e com o forró. Na terra natal, diz ter sofrido com as piadinhas machistas dos “leigos”. “São leigos. Tratam a arte assim, com chacota, porque não sabem do que estão falando”, justifica, em paz. Por dois anos, em 2008 e 2009, Henrique passou pela escola de dança do Grupo Corpo. Desde 2010 no Palácio das Artes, o bailarino comemora “dias mais amenos”. “A falta de R$ 30 para a inscrição na escola ficou para trás”, sorri.

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