Menino carrega paixão pela dança desde pequeno e é o único bailarino da família

Qualquer tipo de som ganhava movimento no corpo miúdo de Pablo Garcia do Carmo, hoje com 13 anos

por Jefferson da Fonseca Coutinho 01/09/2013 00:13

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Leandro Couri/EM/D.A Press
Pablo Garcia do Carmo, 13 anos: vocação que vem da infância (foto: Leandro Couri/EM/D.A Press )
Pablo Garcia do Carmo, de 13, pequenino, parecia impossível aos olhos dos pais. Tudo o que é ruído ganhava movimento no corpo miúdo em calças curtas do garoto. O moleque dançava ao som do liquidificador, dos chiados da TV e das britadeiras nas ruas. Não havia som no espaço que não ganhasse passo para o mocinho de pouco mais de metro. Aos 4 anos, a mãe, Luciene da Conceição Morais, de 37, conta “pirueta” de Pablo no hipermercado que resultou em batelada de jarras de acrílico pelos corredores.

“A dança para ele sempre foi tudo. Tentamos levá-lo para o futebol, para o tae-kwon-do, não teve jeito. Ele só queria saber de dançar”, conta a comerciante. De acordo com a mãe, na escola, enquanto os colegas de luta treinavam golpes, Pablo pedia para ir ao banheiro. “Só para sair da sala e ver as meninas do balé.” Em casa, qualquer coreografia da TV – em comerciais, programas e novelas – servia para ser copiada entre os móveis dos cômodos de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

O balé, “coisa de menina”, para a família estava para se esvair. “Um dia, na rua, Pablo viu uma menininha, bailarina, vestida de azul. ‘Se tem azul, aceita homem’, ele pensou. Pegamos o endereço da escola e ele não parou mais”, diz Luciene. Da Escola da Eliane para o Centro de Formação Artística (Cefar), do Palácio das Artes, foi um pulo. Aprovado pela Fundação Clóvis Salgado (FCS), em 2008, Pablo avança com os estudos para a tão sonhada profissionalização.

Com o apoio dos mais próximos, especialmente da mãe e do pai, Paulo Sérgio Viana do Carmo, de 45, Pablo tem superado como gente grande os desafios de ser o único homem da família na dança. Diz não se importar mais com os comentários entre conhecidos de “ele é bailarino, gente… ele usa saia”. Teve também casal de tios que proibiu o filho de brincar com Pablo. “Você não vai brincar mais com ele, porque dançar balé não é coisa de homem”, disseram. Pablo lamenta. Contudo, mostra-se preparado para lidar com os ruídos do preconceito e da falta de informação.

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