Mateus Solano apresenta em BH a peça Do tamanho do mundo, de Paula Braun

Sucesso na novela Amor à vida, ator fala da importância do palco em sua carreira

por Carolina Braga 30/08/2013 07:45

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Mateus Solano está em cartaz no Teatro Bradesco, de sexta à domingo (foto: Facebook / Guga Melga / Divulgação)

Foi de repente. Assim, do nada, ao acordar, Arnaldo descobriu que os movimentos da perna já não eram mais como antes. Aliás, o modo como ele olhava tudo ao seu redor também parecia diferente. Na consciência, tal como uma gota que não para de pingar, a pergunta: “Estou levando a vida que queria levar?”.

Arnaldo, o protagonista da peça 'Do tamanho do mundo', em cartaz de hoje a domingo no Teatro Bradesco, pode até não saber ao certo. Seu intérprete, no entanto, parece não ter dúvidas. Ou será que Mateus Solano, aos 32 anos, responsável pelo vilão Félix, que vem causando o maior frisson em rede nacional com a novela 'Amor à vida', faria esse tipo de questionamento? Analisando a distância não há do que reclamar, a não ser um pouco mais de tempo para descanso.

“Eu me divirto demais. Muito mesmo. Outro dia, pela primeira vez, pensei: ‘Poxa, como vou ficar depois que acabar esta novela?’”, desabafa. O fim de Félix, no entanto, está um tanto distante. Pelo menos até dezembro teremos a companhia dele em horário nobre, com as tiradas peculiares. Foi-se “salguei a Santa Ceia” e entrou “tomei caipirinha no Santo Graal”, e ele continua inventando na trama rocambolesca de Walcyr Carrasco.

“Essa história de filho que é irmão. Brinco com o Fagundes. O Nelson Rodrigues deve estar se revirando no túmulo e se perguntando por que não fez isso antes”, diverte-se. Com as piadas no texto à parte, Mateus Solano sabe o quanto Félix tem sido veículo para discutir temas importantes em horário nobre: tradição familiar, corrupção, homossexualidade e outros temas contidos nos diálogos de Walcyr Carrasco. “Isso me preenche como artista. Estou fazendo meu trabalho em produto de maior audiência da casa e falando uma coisa nova, importante de ser discutida”, afirma.

Como ator, Solano sabe que encontrou em Félix o melhor dos mundos. “É muito trabalho, muito texto, mas, na sua totalidade, o personagem é uma espécie de palhaço. É tragicômico, é vilão, mas tem humanidade. Ele me dá a oportunidade de levar o teatro por inteiro para a televisão. Tem um tom acima e trabalha com verdade”, reconhece. Eis a graça maior do personagem para Mateus. Afinal de contas, verdade tem sido sua busca constante.

Mateus Solano é formado em artes cênicas pela Uni-Rio. Descontado o exercício acadêmico, tem na família certo pedigree em atuação. Ele é primo de Juliana Carneiro da Cunha, atriz brasileira integrante da companhia francesa Théâtre du Soleil, da diretora Ariane Mnouchkine. Em 2002, durante férias no Brasil, a prima deu a dica: estavam abertas as inscrições para estágios com a trupe na França. Lá foi ele.

“Inscrevi-me com mais de 2 mil pessoas e consegui passar”, lembra. A experiência é descrita por Solano como o grande pulo do gato da carreira. “Consegui entender muito sobre o sagrado da minha profissão e até sobre a bruxaria que é tudo isso. As convenções que você precisa seguir para deixar que aquilo se mantenha sagrado”, conta.

No Théâtre du Soleil a experiência é radical. Por exemplo, na sede do grupo, na região metropolitana de Paris, ninguém entra de sapato no palco, a hierarquia é rígida e todos têm o mesmo salário. Além disso, há ritual para tudo: cozinhar, costurar, faxinar. Da imersão proposta surge a verdade que é levada para a cena. Quando pensa na experiência, Mateus Solano se lembra com carinho de um ensinamento de Ariane. A diretora usa a metáfora de um passarinho para falar do teatro. “Às vezes pode vir, pousar no ombro do ator, e o reflexo será de pegar o passarinho. Mas o teatro não pode ser aprisionado”, filosofa Solano.

Sem parar

Antes de montar 'Do tamanho do mundo', Mateus ficou três anos afastado dos palcos. Desde que fez Ronaldo Bôscoli na minissérie 'Maysa – Quando fala o coração' (2009), não ficou mais do que seis meses fora do ar. Fez os gêmeos Miguel e Jorge de 'Viver a vida' (2009-2010), o cientista Ícaro de 'Morde & assopra' (2011) e Mundinho Falcão de Gabriela (2012). Buscou a verdade de cada um deles, mas ainda assim o teatro se manteve como necessidade.

“É nesse sentido que todo o meu sucesso na televisão devo ao teatro”, reconhece. O cinema já é outra história. Não que tenha problemas com a sétima arte. É simplesmente porque, até hoje, é o que menos fez. Tem no currículo uma participação em 'Linha de passe' (2008), de Walter Salles e Daniela Thomas, e outros dois longas para sair do forno. 'Confia em mim', de Michel Tikhomiroff, já está pronto, e 'O menino no espelho', adaptação do livro de Fernando Sabino, dirigida pelo mineiro Guilherme Fiúza, está em pós-produção. “Estou muito curioso com o cinema, porque é um outro tempo”, diz.

Máscaras da vida
Facebook/Divulgação
(foto: Facebook/Divulgação)
Mateus Solano sempre soube a história que gostaria de contar nos palcos, faltava alguém que pudesse passar as ideias para o papel. Depois de três anos afastado do teatro por causa dos compromissos com a televisão, o ator tinha duas certezas: a de que era necessário voltar e que a direção seria de Jefferson Miranda, integrante da Cia Teatro Anônimo. 

O problema é que o escolhido estava com viagem marcada para temporada fora do Brasil e nada de o dramaturgo aparecer. Mateus e Jefferson haviam trabalhado juntos em 2006 na montagem de 'O perfeito cozinheiro das almas desse mundo' e o ator não queria abrir mão de uma segunda parceria.

O que ele não poderia supor é que o autor que tanto procurava estava bem ao lado: seria a própria mulher, a também atriz Paula Braun. “Um dia, a Paula me acorda e diz: ‘Veja isto aqui’. Tinha escrito a primeira cena da peça”, conta. Dali surgiu 'Do tamanho do mundo'.

Além de Mateus Solano, completam o elenco Alcemar Vieira, Isabel Cavalcanti e Karine Telles. Eles nos apresentam uma passagem na vida de Arnaldo (papel de Solano), homem que descobre um novo olhar para o cotidiano. “Um belo dia ele acorda e não consegue andar. Vê-se no jardim de casa sem ter o controle das pernas e isso abre um buraco dentro dele. Uma dificuldade de seguir a vida. Aí começa a se questionar”, conta. Mateus garante que a peça não entrega respostas prontas.

A ideia de 'Do tamanho do mundo' é convidar o público a questionar sobre as máscaras sociais. “Quero falar desse teatro que temos que fazer para viver. Até onde precisamos desempenhar esse papel. Somos diferentes na família, com a namorada ou o namorado, com o chefe, com os amigos. Vestimos máscaras para sobreviver em sociedade. Até onde essas máscaras são legítimas?”, provoca.

O ator em ação

» Na TV

'Amor à vida' (2013) – Felix Khoury
'Gabriela' (2012) – Mundinho Falcão
'As brasileiras' (2012) – Heitor
'A mulher invisível' (2011) – Frederico
'Morde & assopra' (2011) – Ícaro Sampaio
'Viver a vida' (2009-2010) – Miguel Machado/Jorge Machado
'Maysa – Quando fala o coração' (2009) – Ronaldo Bôscoli
'Faça sua história' (2008) – Cléber Augusto/Toby Crane

» No cinema

'O menino no espelho' (2014)
'Confia em mim' (2013)
'Linha de passe' (2008)

» No teatro

'Do tamanho do mundo' (Jefferson Miranda, 2013)
'Hamlet' (Aderbal Freire Filho, 2009)
'2 pra viagem' (Jô Bilac, 2008)
'Lobo n º 1 – A estepe' (Ivan Sugahara, 2008)
'Últimos remorsos antes do esquecimento' (Ivan Sugahara, 2007)
'O perfeito cozinheiro das almas desse mundo' (Jefferson Miranda, 2006/2007)
'Tudo é permitido' (Daniela Pereira de Carvalho, 2005)
'O homem que era sábado' (Pedro Brício, 2002)
'O beijo no asfalto' (Marcos Alvisi, 1999)

DO TAMANHO DO MUNDO
Nesta sexta, às 21h; sábado, às 18h e às 20h; domingo, às 20h

Local: Teatro Bradesco

Endereço: Rua da Bahia 2.244, Lourdes

Informações: (31) 3516-1027/3282-5420

Ingressos: R$ 70 (inteira) e R$ 35 (meia)

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