Nélida Piñon lança volume de ensaio onde cita sua relação de amizade com Clarice Lispector

A escritora acredita que o passado é matéria viva para romances e reflexões sobre a existência. Romancista conversa com leitores hoje, em Belo Horizonte

por Carlos Herculano Lopes 27/08/2013 07:30

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TV Brasil/Divulgação
(foto: TV Brasil/Divulgação)

Se no clássico 'A república dos sonhos' a romancista, ensaísta e ex-presidente da Academia Brasileira de Letras Nélida Piñon volta à Galícia, na Espanha, para falar de suas raízes e de seus antepassados, em 'O livro das horas', com o mesmo encantamento, nos envolve em dezenas de histórias vividas ao longo dos anos. Logo nas primeiras linhas, com o coração aberto, confessa: “Não sou forte nem poderosa. Tampouco estou na flor dos 20 anos. Não faz falta enaltecer o meu retrato que a mãe Carmen outrora pendurou em seu quarto antes de morrer, com a intenção de eternizar a juventude da filha na sua retina... A cada dia aprendo a amar. A família, os amigos, as línguas, as instância da vida e da arte.”

Nascida em Vila Isabel, na Zona Norte do Rio de Janeiro, há 76 anos, Nélida Piñon estreou na literatura em 1961, com o romance 'Guia-mapa' de Gabriel Arcanjo, primeiro passo na carreira literária que a levaria a se tornar uma das escritoras mais respeitadas do país. Na sequência vieram outros livros, como 'Madeira feita de cruz', de 1963; 'O fundador', de 1969; e 'Vozes do deserto', que lhe valeu o Prêmio Jabuti de 2005.

Como uma Sherazade moderna, à qual não falta o poder da sedução, em 'O livro das horas' – que ela lança hoje em Belo Horizonte no projeto Ofício da Palavra –, Nélida Piñon fala de coisas bem íntimas, como da sua relação de amizade com Clarice Lispector. As duas se conheceram em 1961 – Clarice já consagrada e Nélida uma estreante. “Clarice me faz falta, dói-me falar nela. Sua amizade me fez crescer”, diz.

Às vezes costumavam ir juntas visitar uma cartomante chamada Nadir, na qual Clarice acreditava muito. Nélida lembra que a amiga, mesmo sendo de família judaica, gostava de ler o Novo testamento e se interessava pelo catolicismo, tendo inclusive revelado a uma amiga, Olga Borelli, que gostaria de ser enterrada como cristã.

Nélida não se furta também em dizer, com uma sinceridade tocante, que a memória é frágil e que às vezes consulta fontes, no afã de defender seus haveres. “Confundo a coroa de louros com a de espinhos. E quem será dono de mim? Eu ou minha memória, que funciona como um legado paralelo ao meu ser. Uma matéria que mal domino e com a qual não conto quando mais a necessito”, confessa.
 

OFÍCIO DA PALAVRA

Com Nélida Piñon, que lança 'O livro das horas'

Nesta terça-feira, às 19h30

Local: Museu de Artes e Ofícios, na Praça da Estação s/nº

Informações: (31) 3225-1888

Entrada franca

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