Primeiro Ato aproxima bailarinos e plateia com o objetivo de transformar a fragilidade em poesia

Grupo se apresenta neste fim de semana no EACC, em Nova Lima

por Sérgio Rodrigo Reis 23/08/2013 00:13

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Beto Novaes/EM/D.A Press
O sofrimento dos internos do manicômio de Barbacena inspira a nova coreografia de Wagner Moreira (foto: Beto Novaes/EM/D.A Press )
A diretora do grupo de dança Primeiro Ato estava em busca de propostas para estabelecer novos diálogos criativos quando, por sugestão de uma amiga, chegou ao coreógrafo Wagner Moreira. Nascido em Barbacena, ele partiu da terra natal há 10 anos rumo à Alemanha, onde desenvolveu tese de mestrado inspirado na realidade do Hospital Colônia de sua cidade. Durante décadas para lá foram enviados todos os que não se encaixavam nos padrões de normalidade da sociedade. O convite para criar um espetáculo de dança inspirado nessa realidade o trouxe de volta a Minas. O resultado chega à cena hoje, no espaço do grupo, no bairro Jardim Canadá, em Nova Lima, batizado de 'Só um pouco a.normal'.

Como o nome indica, o espetáculo não segue uma estrutura convencional. O público se senta em volta do linóleo onde, durante 55 minutos, os bailarinos Lucas Resende, Pablo Ramon, Vanessa Liga e Verbena Cartaxo dançam o tempo todo. Como não saem do alcance dos olhos é possível, no decorrer da coreografia, vê-los se desconfigurando pelo cansaço. As referências à realidade do hospital no qual mais de 60 mil pessoas “indesejáveis” eram enviadas e acabavam morrendo em situações degradantes, chegam de maneira velada, em metáforas, referências e simbolismos. A proposta foi partir de sensações como sufocamento, aflição, dor e morte, não para destacar uma patologia, mas transformar a fragilidade humana em poesia. A ideia é juntar, plateia e elenco, pelo estado de fragilidade.

Wagner optou por tirar a ilusão da cena para tratar o tema da loucura. “Não podia dar sentido para aquilo que não tem”, afirma. “A intenção foi a de criar algo sensível e delicado em relação à plateia”, explica. A proposta não é fornecer respostas prontas. “Como determinar o que é anormal ou normal? Vai de contexto e de conteúdo”, questiona. Para ele, acima de qualquer teoria o importante é estabelecer estratégias para a temática fluir, quebrar a convencionalidade e colocar o espectador dentro daquele universo.

PRIMEIRO ATO - SÓ UM POUCO A.NORMAL

Data: Sexta-feira 23, às 21h; sábado, 24, às 20h; e domingo, 25 às 17h

Local: EACC (Rua Búfalo, 261, Jardim Canadá, Nova Lima).

Ingressos a R$ 20 (inteira).

Informações: primeiroato.com.br/tecendo-encontros e (31) 3296-4848.

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