Desenhista sonha com o dia em que poderá viver apenas das histórias em quadrinhos

Danilo Beyruth começou publicando suas obras em fanzines e já tem dois volumes editados

por Walter Sebastião 17/08/2013 00:13

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Danilo Beyruth/Reprodução
O primeiro trabalho foi Necronauta, personagem que salva vidas de mortos com as almas presas no limbo por terem pendências na Terra (foto: Danilo Beyruth/Reprodução)
 

Danilo Beyruth, de 40 anos, nasceu, vive e trabalha em São Paulo. Ele é o autor posto sob os holofotes pelo troféu 25º HQ Mix, que, na edição deste ano, premiou os melhores de 2012. Danilo ganhou o prêmio de melhor desenhista nacional e de lançamento especial, concedido pela Associação dos Cartunistas do Brasil e o Instituto Memorial de Artes Gráficas do Brasil, a partir de votação de toda a comunidade envolvida com o tema – desenhistas, roteiristas, editores, jornalistas, leitores etc. O artista é formado em desenho industrial, iniciou carreira como ilustrador e se dedica, desde 2006, à criação de álbuns, desenhando e escrevendo histórias que valeram os principais prêmios do setor. “É sinal de que estou no caminho certo”, observa. É retorno dos leitores, acrescenta, depois de seis meses e até um ano de solitária dedicação à realização de uma obra.

“Prêmios me ajudam a ir colocando tijolinhos a mais em projeto que é o meu sonho: viver só de histórias em quadrinhos”, acrescenta Danilo. “Escrever e desenhar é atividade que faço ao chegar em casa, depois de outro trabalho, sacrificando momentos de descanso, o prazer da vida social e o convívio com a família. É desgastante”, garante o também diretor de arte de agência de publicidade. Mas é otimista: “Vivemos no Brasil momento bom para a HQ. Os trabalhos estão tendo grande repercussão. Se tivermos mais oportunidades e talentos, em alguns anos poderemos ter mercado profissionalizado e possibilidade de fazer quadrinhos sem tanto sacrifício”, acredita.

Danilo Beyruth desenha desde criança. Recorda que a família, desde cedo, já sabia que ele trabalharia com desenho. “Não tive opção de ser médico, engenheiro”, brinca. O primeiro trabalho foi Necronauta, que ele mesmo publicou em fanzines xerografados. O material foi, depois, reunido em dois álbuns e lançado por editoras. O artista considera que foi uma experiência importante para ele e recomenda a alternativa para quem quer fazer gibis. “É difícil, mas não impossível, ainda mais hoje, com todos os recursos das novas tecnologias. É uma decisão que traz a experiência de compreender todas as etapas do trabalho, da criação à distribuição. Você não fica só como autor que cria”, pontua. Vai mais longe: “Fazer quadrinhos tem muitas etapas. E, pessoalmente, prefiro não ser privado do que existe de divertido de cada uma delas”, justifica.

Escrever e desenhar as histórias ele mesmo, conta Danilo, traz conforto. “Sei o porquê do desenho, vejo o texto refletido na imagem, tenho mais controle da minha criação”, justifica, frisando que não considera essa abordagem melhor ou pior que outras. Ele não tem um álbum favorito: “Quem ler qualquer um dos meus trabalhos vai observar meu jeito de fazer histórias em quadrinhos”, garante. Ele é um autor que busca sempre integrar ao máximo aspectos verbais e não verbais. “Parto de algo visual e o texto complementa, expande”, conta. Recorrente é a dedicação a mundos fantásticos: “É pano de fundo para falar de aflições, dramas e questões universais, o que sempre faz a boa ficção”. A diversidade de gêneros (terror, ficção científica, faroeste) responde a momento de expansão de possibilidades por meio de projetos diferentes.”

Ponto comum entre todas as obras é serem aventuras, gênero que encantou Danilo Beyruth quando criança. “E gosto de inventar personagens, o que, com quadrinhos, pode ser feito de forma mais solta. Até porque, não é trabalho de equipe, como o cinema. Não tem o hermetismo das artes plásticas. E permite misturar desenho e escrita”, enumera Danilo. Com relação aos artistas que admira, cita Jack Kirby, Frank Miller e Carl Barks (um dos desenhistas do Tio Patinhas). Todos por criarem e desenharem muito. E o ilustrador Milton Cannif. “É artista completo”, afirma.

Reconhecimento


O 25º HQ Mix concedeu o troféu de Editora do Ano para a mineira Nemo. “Ficamos muito felizes. A Nemo completou dois anos de atividades em julho, e esse reconhecimento, para nós, é a confirmação de que estamos no caminho certo. Continuaremos trazendo para os leitores brasileiros grandes clássicos dos quadrinhos inéditos no Brasil e HQs de qualidade produzidas por autores brasileiros”, comemorou o editor Wellington Srbek. Para ele, o mercado, nos últimos anos, cresceu, diversificou e segmentou. “As tiragens diminuíram, mas a qualidade e a diversidade se ampliaram. Acredito que ainda enfrentamos alguns entraves na distribuição, com setores que controlam o espaço nas bancas de revista e não abrem para a concorrência. E precisamos que se estabeleça de vez a mentalidade de que os quadrinhos também têm lugar nas livrarias, com espaços bem-organizados e uma exposição de títulos que faça jus à importância dessa forma de arte”, defende.

Obras do autor

Necronauta - O almanaque dos mortos  – O herói é um salva-vidas de mortos, que resgata almas presas no limbo por ter pendências na Terra. Primeiro, foi publicado em fanzines editados pelo próprio autor. Depois, as histórias foram reunidas em dois volumes publicados pela HQM (em 2010) e pela Zarabatana Books (em 2011),

Bando de dois (Zarabatana Books, 2010) – Graphic novel que conta a história de Tinhoso e Caveira, últimos sobreviventes de um bando de 20 cangaceiros. Valeu ao autor o Prêmio Angelo Agostini (melhor lançamento) e o Troféu HQ Mix em três categorias: melhor desenhista nacional, melhor roteirista nacional e melhor edição especial nacional.

Astronauta –
Magnetar – Releitura, com 72 páginas, de personagem de Maurício de Souza, com tonalidade sombria e história sobre astronauta que fica preso no espaço sem poder voltar à Terra. Lançada em 2012, com prefácio do navegador Almir Kink e consultoria do físico Eduardo Cipriano. A obra ganhou, em 2013, dois troféus no 25º HQ Mix: Melhor desenhista nacional e melhor lançamento especial.

 Próximo trabalho – Danilo Beyruth está produzindo uma versão autoral da história de São Jorge. A escolha do santo para herói de uma HQ deve-se ao fato de a data de celebração do santo (23 de abril) coincidir com o aniversário do desenhista e escritor.

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