Ary França protagoniza peça que discute fidelidade e chega a BH nesta sexta e sábado

'A descida do Monte Morgan' questiona a fidelidade a si mesmo e ao outro

por Sérgio Rodrigo Reis 16/08/2013 00:13

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João Caldas/Divulgação
Ary França (c) diz que o difícil é mostrar que seu personagem é plausível %u2013 e não aberração (foto: João Caldas/Divulgação)
O dramaturgo americano Arthur Miller (1915-2005), já no fim da vida, escreveu uma peça na qual parecia repassar a existência e buscar a redenção em temas urgentes. A descida do Monte Morgan partia de um acaso, um acidente, para colocar em cena dilema mais amplo: É possível ser fiel a si mesmo e aos outros? A comédia dramática, que será apresentada nesta sexta e sábado no Teatro Bradesco, baseada em questões como amor, fidelidade e ambição, busca respostas, se é que elas existem.

Dirigido por Luiz Villaça e com elenco formado por Ary França, Lavínia Pannunzio, Samya Pascotto, Fábio Nassar, Ju Colombo e Paula Ravache, o espetáculo começa pelo inusitado. Lyman Felt, empresário interpretado por Ary França, sofreu um acidente de carro que quase lhe tirou a vida, quando descia a estrada do Monte Morgan. Felt representa o ideal de homem vencedor, que aparentemente conquistou tudo: invejável autoestima, próspera empresa, dois filhos que o adoram. Mas quando está no hospital desacordado, depois do acidente, eis que vão visitá-lo suas duas esposas. Elas não sabiam da existência uma da outra e quando o fato vem à tona desenrola-se trama baseada em falsidades e desconfianças. São mundos paralelos que ele havia construído, e que desabam enquanto o homem se recupera. Quando volta a si, começa a difícil missão de, finalmente, lidar com a verdade.

O texto chegou ao Brasil por acaso. O diretor Luiz Vilaça estava com a esposa, a atriz Denise Fraga, na Argentina, quando viu a versão portenha do espetáculo. Ficou tão impressionado, que, ao retornar, comprou os direitos. Em seguida, convidou o ator Ary França para protagonizá-lo. Em 30 anos de carreira, este é, segundo ele, seu maior papel. “É um presente. Toda noite é um prazer enorme protagonizar a peça. É a primeira vez depois de três décadas que estou em cena com texto relevante. Fico muito honrado.” O que mais chama a atenção, para ele, é o aspecto humano do personagem. “Acho que ele é completamente plausível. Não é uma aberração. Conseguir passar isso é meu desafio ao interpretá-lo”, diz.

Os personagens em entorno do empresário transitam por estados, emoções e tempos de uma réplica a outra e o resultado é um jogo teatral. O cenário, criado por Márcio Medina e a luz de Wagner Freire reforçam a proposta tensa do diretor, assim como a trilha de Fernanda Maia. A intenção é partir do humor para falar de um tema denso. Ary França acredita na força dessa dualidade. “Arthur Miller conseguiu, como bom americano, uma peça de entretenimento e diversão ao mesmo tempo. Não abre mão da ironia. É um texto rico e híbrido: não é uma comédia de gênero puro, nem, tampouco, algo denso demais. O bom é o meio-termo.”

SAIBA MAIS
Desencanto

A imagem do dramaturgo americano Arthur Miller (1915-2005) sempre esteve associada à ousadia, à ruptura e à forte crítica ao modelo social do seu país de origem. Seus textos partem de personagens que, a partir de tragédias pessoais, traçam retrato fiel, irônico e desencantado de seu tempo. O primeiro sucesso foi o romance Focus, de 1945, que trata do antisemitismo. Em 1949, ele escreveu sua peça mais importante: Morte de um caixeiro viajante, que recebeu o Prêmio Pulitzer e três Tony. Entre as montagens mais conhecidas estão As bruxas de Salém, Depois da queda e O preço. A descida do Monte Morgan foi escrita em 1991.

A descida do Monte Morgan
Dias 16 e 17 de agosto, às 21h. Teatro Bradesco, Rua da Bahia 2.244, Lourdes. Ingressos: R$ 50 (inteira). Duração: 100 minutos. Recomendação: 14 anos. Informações: (31) 3516-1027.

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