Mostra em BH celebra ícones femininos das artes plásticas

CCBB traz a Belo Horizonte exposição com obras de mulheres que conquistaram espaço singular nas artes plásticas. Trabalhos de 61 artistas ficarão em cartaz na mostra que será aberta no dia 28

por Mariana Peixoto 11/08/2013 00:13

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Centre Pompidou/divulgação
Heartbeat (2000/2001), de Nan Goldin: o poder político do corpo (foto: Centre Pompidou/divulgação)

Seria possível contar a história da arte a partir de obras produzidas exclusivamente por mulheres? Durante um ano e meio, equipe do Centro Georges Pompidou, em Paris, que abriga uma das maiores coleções de arte contemporânea da Europa, trabalhou essa ideia. O esforço gerou elles@centrepompidou, panorama de 500 obras de 200 artistas que levou dois milhões de pessoas ao Beaubourg em 2009 e 2010. A exposição virou referência não só pela intensa visitação, mas pelo ineditismo e ambição da empreitada.


Depois da iniciativa francesa, o Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA) publicou catálogo com todos os trabalhos de sua coleção produzidos por mulheres. O Pompidou, por seu lado, fez novas aquisições e recebeu doações de colecionadores privados – inclusive de peças das brasileiras Lygia Clark e Lygia Pape.

Os desdobramentos não tardaram. Primeiramente em Seattle, nos EUA, depois no Rio de Janeiro e agora em Belo Horizonte. Após passar quatro anos em obras, o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) será inaugurado no fim do mês com a exposição Elles: Mulheres artistas na Coleção do Centro Pompidou.

Centre Pompidou/divulgação
"Retratei a minha própria realidade", afirma Frida Kahlo, autora de 'O quadro' (1938) (foto: Centre Pompidou/divulgação)
BH verá um recorte do que foi exibido em Paris: seis dezenas de trabalhos de 1907 a 2010, divididos em cinco seções. “É uma releitura das artistas. Tentamos entender melhor o papel das mulheres no desenvolvimento da arte. Há várias feministas entre elas, mas quisemos criar exposição não só sobre o feminismo, mas sobre como elas expressaram sua criatividade”, explica Emma Lavigne, que assina a curadoria ao lado de Cécile Debray – ambas são do Centro Pompidou. No Rio de Janeiro, onde ficou em cartaz de maio a julho, a mostra foi visitada por 240 mil pessoas.

Os formatos são múltiplos: pintura, escultura, desenho, fotografia, vídeo e instalação. “Também quisemos enfatizar os links entre a França e o Brasil. Para o recorte brasileiro, adicionamos trabalhos como os de Maria Helena Vieira da Silva (portuguesa naturalizada francesa), que, durante a Segunda Guerra, viveu entre o Brasil e a França. Há também nomes importantes não apenas para o Brasil, mas para o mercado internacional de arte. É o caso de Lygia Clark, Lygia Pape e de Anna Maria Maiolino, que fez importante performance em 1981 sobre a volta da democracia ao país”, diz Lavigne. Além de Clark, a mostra traz obras de duas mineiras: Rosângela Rennó e Rivane Neuenschwander. A fotógrafa americana Nan Goldin e a pintora Frida Kahlo também estão presentes.

Na questão histórica, a curadora chama a atenção para a produção do início do século 20. “Não era fácil para uma mulher fazer arte. Ao longo da mostra, é interessante ver que muitas artistas usaram o próprio corpo, pois havia dificuldade de pagar modelos. No início da exposição, temos uma série de autorretratos. Foi a maneira que a mulher encontrou para mudar a percepção do próprio corpo. Ali, está não apenas o corpo feminino, ela tenta expressar outros aspectos de sua personalidade.”

Lavigne cita como exemplo o óleo sobre tela O quarto azul (1923), de Suzanne Valadon: “Ela faz importante declaração. A pintura foge da imagem padrão da mulher bonita. A maneira como as artistas expressam os próprios corpos vai além do físico, pois carrega aspectos políticos e psicológicos da mulher. Isso acaba ligando os trabalhos de um século atrás com o que é produzido hoje”.
Centre Pompidou/divulgação
Em 'O quarto azul' (1923), Suzanne Valadon questiona padrões de beleza (foto: Centre Pompidou/divulgação)

 

 A MOSTRA

1.133
mulheres têm obras
no acervo do Pompidou

61
participam de Elles

7
são brasileiras

3
são mineiras

 

SESSÕES


TORNAR-SE UMA ARTISTA

» Pioneiras
Destaca nomes importantes da primeira fase da arte abstrata, como Sonia Delaunay, que inventa a abstração geométrica, Frida Kahlo e Maria Helena Vieira da Silva
 
» A parte do inconsciente
Obras das surrealistas Marie Laurencin, Dorothea Thanning e Germaine Dulac, pioneiras do início do século 20

» Questionando o gênero
Obras contemporâneas de Valérie Belin e Suzanne Valadon. Elas abordam a identidade: ser mulher,
ser artista

ABSTRAÇÃO

» Excêntrica
O título vem da exposição de 1966 que teve Louise Bourgeois como um de seus destaques. A ideia geral é da arte abstrata híbrida em oposição à abordagem modernista ortodoxa. Também há obras de Joan Mitchell

» Colorida
Obras de Marthe Wéry e Aurélie Nemours

» Espaços infinitos
Obras de Geneviève Asse e Vera Molnar

FEMINISMO E A CRÍTICA DO PODER

» Pânico genital

O nome se refere à performance da austríaca Valie Export, com obras que discutem as representações do corpo feminino. Há trabalhos de Nikki de Saint Phalle, Sonia Andrade e Hanna Wilke

» Enfrentando a história
Obras das brasileiras Anna Bella Geiger, Anna Maria Maiolino (foto) e Letícia Parente dividem a cena com trabalhos de Eva Aeppli, Sigalit Landau e Marta Minujin
Centre Pompidou/divulgação
(foto: Centre Pompidou/divulgação)

» Musas contra o museu

Obras denunciam as próprias instituições, que seriam espaços desfavoráveis às artistas. Um dos destaques é o vídeo Museum highlights: a gallery talk (Andrea Fraser, 1989)

O CORPO
Espaço dedicado a projeções de vídeo, que registram performances de Nan Goldin e Marina Abramovic, entre outras

NARRATIVAS
Conjunto de instalações questiona a linguagem e a narrativa. Obras de Sophie Calle, Annette Messager e das mineiras Rosângela Rennó e Rivane Neuenschwander

 

O prédio
Projetado em 1926 pelo arquiteto Luiz Signorelli, o prédio da Praça da Liberdade abrigará a quarta unidade do Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB). As outras funcionam no Rio de Janeiro, Brasília e São Paulo. Reforma, restauro e aquisição de equipamentos consumiram R$ 37 milhões. Além do espaço expositivo de 1,2 mil metros quadrados, o CCBB vai contar com salas multimeios e de programa educativo, cafeteria, lanchonete e loja, bem como teatro com 270 lugares, cuja abertura está prevista para outubro.

ELLES: MULHERES ARTISTAS NA COLEÇÃO DO CENTRO POMPIDOU
Inauguração no dia 27, para convidados. Abertura para o público no dia 28. CCBB, Praça da Liberdade, 450, Funcionários. O espaço vai funcionar de quarta a segunda-feira, das 9h às 21h. Até 21 de outubro. Entrada franca.

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