Livro revela a produção artesanal de publicações no Brasil das décadas de 50 e 60

Pesquisa destaca o trabalho de editores que se dedicaram a produzir livros artesanais nas décadas de 1950 e 1960. As pequenas tiragens exibiam capricho gráfico e estética refinada

por Walter Sebastião 04/08/2013 00:13

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Chega às vitrines um livro não apenas simpático, mas curioso: Editores artesanais brasileiros, de Gisela Creni. O volume traz perfis de sete pessoas dedicadas a edições 100% artesanais. Nem costuradas as páginas são. São eles João Cabral de Melo Neto (O Livro Inconsútil), Manuel Segalá (Philobiblion), Geir Campos, Thiago de Mello (Hipocampo), Pedro Moacir Maia (Dinamene), Gastão de Holanda (O Gráfico Amador, Mini Graf e Fontana) e Cleber Teixeira (Noa Noa).

Gisela Creni explica que os sete não se dedicaram a livros de luxo. Pelo contrário: as publicações exibem elegante simplicidade – um dos emblemas do apuro gráfico requintado. Trata-se de pequenas tiragens para poemas (às vezes, o autor é o próprio editor) ou de impressões tipográficas associadas ou não às origens das artes gráficas. No entanto, apresentaram ao público autores importantes.

Os volumes analisados por Gisela Creni foram produzidos com capricho nos anos 1950 e 1960, momento em que livros eram malfeitos no Brasil. “O trabalho desses editores representou um salto de qualidade editorial”, afirma a pesquisadora.

A escolha do grupo se deve ao fato de todos se envolverem diretamente com o ofício. Gisela ressalta que os editores tinham outras profissões enquanto produziam livros. Seis deixaram a atividade. Apenas Cleber Teixeira publicou até o fim da vida.

RIGOR

Hobby? “Talvez. Mas não acho”, responde a autora de Editores artesanais brasileiros. De acordo com ela, os sete levaram a atividade a sério, com rigor literário e gráfico. “Thiago de Mello já falou em serviço prestado à literatura. Eram apenas jovens fazendo livros. Hoje eles se tornaram muito importantes”, acrescenta.

Gisela trabalha com produção editorial e é fã dos idealizadores de volumes artesanais. “Encantou-me essa gente que podia ficar meses fazendo um livro, que pensava tudo. Era o tempo da poesia, do artesanato”, explica.

Para a pesquisadora, a ação  dos sete influenciou o mundo editorial, trazendo-lhe mais apuro gráfico e ousadia. Ela não acredita que profissionais assim tendem a desaparecer. “No mundo digital, o fascínio do objeto único tem ainda mais valor. Artesanato sempre tem o seu prestígio”, garante a autora. Em Minas, ela conhece o trabalho do poeta Guilherme Mansur, que se dedica à editora Fundo de Ouro Preto.

Editores artesanais brasileiros nasceu como tese de mestrado, há 16 anos Gisela Creni conta que informações e bibliografia sobre o tema eram muito raras. Tal situação permanece, tanto que seu livro é referência para sebos.

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