Histórias de encontros e desencontros entram na dança do Ponto de Partida

'Par' entra em cartaz no Teatro Bradesco nesta sexta e sábado

por Sérgio Rodrigo Reis 02/08/2013 06:00

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Guto Muniz/Divulgação
(foto: Guto Muniz/Divulgação)
Canções de Chico Buarque, Caetano Veloso, Tom Jobim, Pixinguinha, Milton Nascimento e Rita Lee inspiraram o grupo de teatro Ponto de Partida a criar sua mais recente montagem: o espetáculo 'Par'. Depois de bem-sucedida estreia na Praça da Liberdade, em BH, no fim do ano passado, a peça retorna à cena hoje e amanhã, às 21h, no Teatro Bradesco, dando início à turnê do projeto Vivo EnCena, que vai percorrer cidades como Salvador, Aracaju, Recife, Manaus, Belém, Vitória e Porto Alegre.


O musical traz como diferencial o fato de colocar o ator como centro da cena, cantando, dançando ou interpretando. Com formação instrumental de violão (Gilvan de Oliveira), sax (Cléber Alves) e percussão (Serginho Silva), toda a história de 'Par' é contada pela música. Não há texto. O tema central é são as relações nos variados tons: a paixão, o ciúme, a dor, os encontros, os desencontros e a celebração do amor.

“Queria trabalhar a questão do par. Do ciúme, do enamoramento, da ruptura, do tesão, da reconciliação, do amor. Falar sobre as relações. Quis pegar, nas várias épocas da música brasileira, os compositores que trataram do tema, não importa se relações homos ou éteros. Fomos dos clássicos a músicas originais, compostas por Pablo Bertola e Lido Loschi”, explica Regina Bertola, diretora do grupo.

A proposta trouxe vários desafios ao Ponto de Partida. Primeiro, a pesquisa musical; depois, o fato de o grupo realizar montagem na qual toda a história nasceu das letras. Por fim, a busca por algo dançante. “Não é um balé. Todo movimento leva para o molejo, para a dança, tudo é marcadinho. Por isso, precisava de um elenco maduro, que cantasse ao vivo, dançasse e encenasse”, explica a diretora.

O trabalho foi árduo nos bastidores. Para levar o gingado para a cena, a trupe convidou para o processo de preparação o coreógrafo brasileiro Wagner Moreira, residente na Alemanha. Durante um mês, foram realizados intensos trabalhos corporais. Na sequência, entrou a pesquisa musical e, em seguida, foi feita a junção. Regina Bertola garante que “deu liga”.

Como a primeira apresentação foi ao ar livre, na Praça da Liberdade, a diretora criou uma encenação sem coxia. “Tudo vem do fundo. Bolamos uma iluminação que esconde os atores, criando uma espécie de parede de luz.” A versão para o palco italiano, que reestreia neste fim de semana, segue o mesmo raciocínio. “É uma caixa preta iluminada, que, ora revela, ora esconde os atores.” A aposta num visual forte é outra marca. “É como se fossem instalações vivas, que se fazem e se desfazem diante do espectador”, explica. Segundo a diretora, a intenção é de que quem for assistir ao espetáculo saia modificado. “Ou a pessoa vai ficar mais apaixonada pelo seu par ou encontrará outro.”

Par
Espetáculo do grupo Ponto de Partida, sexta-feira e sábado, às 21h, no Teatro Bradesco, Rua da Bahia, 2.244, Lourdes. Ingressos: R$ 40 (inteira). Classificação: 14 anos. Informações: (31) 3516-1360.

SAIBA MAIS

Belo percurso

Com 32 anos de trajetória, Ponto de Partida se tornou referência na investigação teatral e desenvolveu linguagem única para musicais, construindo dramaturgia a partir da obra de autores como Guimarães Rosa, Carlos Drummond de Andrade, Jorge Amado e compositores como Milton Nascimento e Chico Buarque. O grupo de Barbacena formou-se com os principais nomes do país – Fernanda Montenegro, Sérgio Britto e Cacá Carvalho, entre outros. É responsável pela criação e coordenação do Coro Meninos de Araçuaí, Bituca: Universidade de Música Popular e Corredor
Cultural Ponto de Partida.

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