Criado em Barbacena há três décadas, grupo Ponto de Partida comemora 10 anos do musical 'Ser Minas tão Gerais'

Companhia prepara a estreia de 'Par' em agosto. Projeto mobiliza 360 alunos e artistas

por Carolina Braga 16/07/2013 06:00

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Guto Muniz/divulgação
Ensaio de Par, novo espetáculo do grupo mineiro Ponto de Partida (foto: Guto Muniz/divulgação )
Há muito tempo, o Ponto de Partida deixou de ser apenas um grupo de teatro. “Na verdade, somos quase uma secretaria de cultura”, diverte-se a diretora Regina Bertola. Guardadas as devidas proporções, ela tem razão. Fundada em Barbacena, em 1980, a companhia nasceu com vocação para o palco, mas, pouco a pouco, bem mineiramente, foi estendendo seus tentáculos para as áreas de música e educação. Hoje, é uma instituição da qual o Brasil não pode abrir mão. Mesmo assim, felizmente, a acomodação passa bem longe dessa turma.


“Não há um caminho estático para a arte, pois isso é a morte. Temos efervescência por movimento. Somos atores por vocação e, como criadores, necessitamos dessa condição para realizar a nossa humanidade, falar sobre o que estamos sentindo”, explica Regina Bertola.

Nesta quarta-feira, o Ponto de Partida volta ao palco do Palácio das Artes para celebrar os 10 anos da estreia de 'Ser Minas tão Gerais', espetáculo com participação de Milton Nascimento e do grupo Meninos de Araçuaí. Também é hora de comemorar os 15 anos da frutífera parceria com o coral formado por jovens moradores do Vale do Jequitinhonha. Ao longo desse tempo, além da iniciação musical da moçada, foram gravadas as trilhas dos espetáculos 'Roda que rola' – considerado um fenômeno, pois vendeu 40 mil cópias sem nunca ter entrado em uma loja – e 'Pra Nhá Terra' e o DVD de 'Ser Minas....'

Resgate No segundo semestre, o grupo planeja lançar caixa com três discos batizada de 'Presente de vô'. O projeto trará longa pesquisa dos cancioneiros indígena, africano e europeu. “É um resgate desse legado musical”, resume Regina. Com participação do grupo carioca Pau Brasil, os Meninos de Araçuaí vão cantar em tupi-guarani. O lançamento em Belo Horizonte está previsto para outubro. Antes disso, o novo espetáculo, 'Par', estreia em 2 de agosto no Teatro Bradesco, na capital mineira. Trata-se de um mergulho no universo da canção brasileira.

Regina Bertola reforça que o Ponto de Partida é um movimento cultural fundado em quatro eixos. O primeiro deles é o núcleo de teatro. A Bituca Universidade se dedica à profissionalização musical. Há também o trabalho com os Meninos de Araçuaí e o complexo cultural que funciona em Barbacena.

Inicialmente instalada em um casarão antigo, a companhia tem expandido as atividades de tal modo que já ocupa três imóveis na mesma rua barbacenense – mais precisamente, no local que abrigou a primeira fábrica de seda do Brasil. “Vamos criar um corredor cultural”, conta a empolgada Regina. A inauguração do terceiro espaço está prevista para novembro. Ali ficará a Casa da Palavra, com pátio para 800 pessoas e projeto de paisagismo criado em parceria com o Instituto Inhotim.

A escola profissionalizante que homenageia Milton Nascimento completará a primeira década de funcionamento em 2014. “Este ano, recebemos inscrições de 145 cidades que estão em 10 estados e quatro países. A Bituca está muito consolidada”, diz Regina. O Ponto de Partida mobiliza 360 artistas e alunos – 20 integram o núcleo teatral.

Regina Bertola prefere usar a metáfora do corpo humano para detalhar como as coisas acontecem. “Na hora em que a mão não pode agir, a outra toma o lugar. É uma estrutura orgânica, com gestão coletiva. Mas tenho uma cabeça que dá conta de tudo”, revela. Nada ocorre dentro do grupo ou em seus projetos paralelos sem ela saber – seja no quesito administrativo, seja no artístico.

Funciona assim: munida pelos atores de informações e referências, Bertola constrói a dramaturgia e o roteiro. Logo, dirige. “A gente se cerca de profissionais de ponta”, ressalta. Na parte empresarial, a própria diretora vai a campo tanto para fidelizar patrocinadores de longa data quanto para buscar alternativas capazes de garantir a sustentabilidade do empreendimento.

“É difícil para nós, por causa do montante de projetos. A Bituca, por exemplo, é gratuita. Como vamos ganhar direito com ela?”, questiona Regina. Um dos caminhos estudados é a criação de cursos livres não profissionalizantes, voltados para a musicalização infantil e canto, que poderão funcionar como “braço” da escola.

Regina Bertola tem outras ideias para transformar o Ponto de Partida em fábrica capaz de se sustentar. Para ela, é muito complicado depender de apenas um patrocinador. Sendo assim, o Ponto lançou campanhas para atrair incentivos de empresas locais e de pessoas físicas.

“A sustentabilidade de um grupo de teatro é muito difícil, porque ele tem condições técnicas muito específicas para se viabilizar”, resume. Apesar de todas as dificuldades e diante da variedade de projetos em marcha, o lema do Ponto de Partida é um só: sempre avante!

“Se você parar de crescer, você morre. Ou a minha proposta é cada vez mais sofisticada ou posso fechar as portas”, resume Regina Bertola. Essa hipótese, claro, está fora de cogitação.

O GRUPO

1980
Fundação do Ponto de Partida

15 anos
Coral Meninos de Araçuaí

9 anos
Bituca Universidade

40 mil
cópias vendidas da trilha de 'Roda que rola'

SER MINAS TÃO GERAIS

Nesta quarta-feira, às 21h. Palácio das Artes. Avenida Afonso Pena, 1.537, Centro,
(31) 3236-7400. Ingressos: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia-entrada).

PAR
Em 2 e 3 de agosto, às 21h. Teatro Bradesco, Rua da Bahia, 2.244, Lourdes, (31) 3516-1000. Ingressos: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia-entrada).

Par dispensa as palavras

Com estreia marcada para 2 de agosto no Teatro Bradesco, em Belo Horizonte, Par é apresentado como um mergulho mais radical do Ponto de Partida na pesquisa sobre a linguagem dos musicais.

“Queria avançar nisso. Contar uma história que todo mundo entenda, mas sem falar uma palavra. Uma trama toda criada pela música”, revela a diretora Regina Bertola.

A partir desse propósito ela montou o roteiro com composições de Chico Buarque, Dorival Caymmi, Luiz Gonzaga, Pixinguinha, Assis Valente e Tom Jobim, além de canções inéditas de Pablo Bertola. “Nossa inspiração é a maneira como esses artistas enxergaram os vários sentimentos que envolvem um par. O enamoramento, a separação, o amor. Costurar isso foi um desafio imenso”, confessa.

Para Regina Bertola, a linguagem é necessariamente dançante. No caso de Par, não se trata de um balé, embora todo o elenco – formado por 12 artistas – seja preparado para dançar, cantar e atuar. A coreografia é assinada pelo bailarino Wagner Moreira, artista de Barbacena radicado na Alemanha. A banda é formada por Cleber Alves (sax), Gilvan de Oliveira (violão) e Serginho Silva (percussão).

Depois de Belo Horizonte, Par passará por Manaus, Belém, Aracaju, Recife, Salvador, Porto Alegre e Vitória. “As pessoas vão ficar muito impressionadas e sairão felizes no teatro. Tanto que brincamos: venha assistir ao espetáculo para curtir o seu par ou encontrar outro”, convida a diretora.

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