Parati recebe pela 11ª vez a festa literária mais badalada do país

Edição de 2013 da Flip termina neste domingo, 7

por Ana Clara Brant 07/07/2013 00:13

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Walter Craveiro/Divulgação
(foto: Walter Craveiro/Divulgação)

Paraty –
“Paraty, paramim, paratodos, parasempre?”. A frase estampada numa camiseta em vitrines de lojas de Paraty, no litoral sul do estado do Rio, poderia ser um resumo da proposta da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). Em seu 11º ano, o evento, que termina neste domingo, conseguiu se consolidar como o mais importante encontro da literatura no Brasil, mas ainda provoca polêmicas quanto a sua abrangência.

O próprio cantor e compositor Gilberto Gil, que fez parte da primeira Flip em 2003, e voltou à edição deste ano, fez um questionamento a esse respeito. “É claro que um evento desse porte e que cresceu muito ao longo do tempo traz impactos e mudanças, principalmente para a cidade onde é realizado. Por isso também é relevante repensar isso. Mas, no geral, vejo como positiva a iniciativa”, comentou ele, que fez o show de abertura, lançou sua biografia e ainda participou de uma das mesas.

A edição da Flip deste ano teve como homenageado o escritor Graciliano Ramos. Numa atitude simpática, a Tenda dos autores ganhou uma imagem da cadela Baleia, do romance Vidas secas, como decoração. O autor foi tema de várias palestras e mesas conduzidas por especialistas. Hoje, o professor Wander Melo Miranda, da UFMG, participa do encontro que debate as políticas da escrita na obra do escritor alagoano.

Para a professora Maria Adelaide Cerqueira, de 43 anos, radicada na cidade há 11 anos, não há como deixar de ressaltar a importância da Flip para o município. “Temos eventos da festa que são desenvolvidos em parceria com escolas e artistas da região. Fora que é uma chance para mostrar um pouco da cultura paratiense”, frisa.

Estreante na iniciativa, o arquiteto Felipe Machado, de 32 anos, é fã de literatura e disse estar até um pouco desorientado com tantas atrações. “Sinto-me como uma criança em uma loja de doces. É tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo e não só ligada a livros. Tem música, cinema, artes plásticas e até a minha área, arquitetura”, comenta. Felipe também lembrou que o evento oferece programação para todas as idades, o que ajuda a democratizar a Flip. “Meus sobrinhos mais novos foram para a Flipinha, que é voltada para o público infantil, e os mais velhos estão aproveitando a Flipzona, que é para adolescentes. E isso é bem bacana também”, acrescenta.

Já a estudante de letras Melissa Ribeiro, de 26 anos, que chegou à cidade na véspera do evento, reclamou que não há muitas atrações gratuitas e que, mesmo não tendo conseguido comprar ingressos (muitas mesas tiveram ingressos esgotados semanas antes de a Flip começar), ressaltou o clima de literatura que paira em Paraty. “Fui a uma sorveteria e encontrei o Milton Hatoum. Sentei na praça e vi o Ruy Castro e depois o Frei Betto. Trombei com o Laerte num café. Isso por si só já é bacana demais. Vale muito a pena vir. Nem que seja para dar uma espiada e entrar na atmosfera da cidade”, resumiu.

A programação de hoje, no encerramento do evento, traz debate entre Daniel Galera e Jérome Ferrari, que ganhou o nome criativo de “Tragédias no microscópio”; e palestra do poeta egípcio Tamim Al-Barghouti, que ficou conhecido em todo o mundo por sua participação na Primavera Árabe em seu país.

* A repórter viajou a convite do Itaú Cultural.

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