Exposição traz obras que discutem a demarcação do território urbano e cenários do cotidiano

Os jovens autores Sara Lambranho e Bruno Rios ocupam duas galerias no Palácio das Artes

por Walter Sebastião 29/06/2013 10:42

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Sara Lambranho/Divulgação
Em Trato, a artista plástica Sara Lambranho expõe a cidade coberta de cercas e espinhos (foto: Sara Lambranho/Divulgação)
 

 

Dois novíssimos autores apresentam sua primeira grande exposição, abrindo a programação do Palácio das Artes de mostras selecionadas por edital para este ano. Sara Lambranho, de 30 anos, é paulista de Santo André e se radicou há oito anos em BH. Bruno Rios, de 23, é belo-horizontino. Enquanto Sara mostra um grande jardim (6m por 4m), criado com plantas que têm espinho, para discutir o espaço urbano, Bruno apresenta conjunto de trabalhos que pretende reconfigurar poeticamente a cidade valendo-se de pequenos elementos do cotidiano.

“Meu jardim é cerca viva de plantas agressivas, que, por falta de controle, tomaram conta de tudo”, explica Sara Lambranho. De acordo com ela, estão em debate as formas de demarcação e proteção do território. “Discuto fronteiras entre o público e o privado, recriando, de modo extremado, situação onipresente na cidade”, acrescenta a artista. Esse trabalho sinaliza questões como relações de classe e proteção contra o outro, mas também a mania de ostentação. “No interior, há lugares que nem apresentam tantos problemas de segurança assim, mas as pessoas fazem cercas para mostrar que têm o que proteger”, ironiza Sara.

Calendário

“Minhas obras trazem olhar poético sobre cenários cotidianos”, diz Bruno Rios. Ele trabalha com vídeo, instalação, fotografia e papel com a proposta de reconfigurar o máximo com o mínimo. Calendário lunar, por exemplo, traz 30 fotos com fragmentos (ladrilhos, restos de pinturas, entulho) de fachadas externas de uma construção. “É como se fosse um quebra-cabeça”, observa.

Outra obra de Bruno altera as linhas de marcação de um campo de futebol. “A arte tem o papel de olhar os elementos do cotidiano de outra forma. Meu intuito é trabalhar o olhar lúdico do visitante para que se observe o dia a dia com mais cuidado, de modo mais leve”, explica.

Sara Lambranho já apresentou seus trabalhos em mostras como Carrossel, no Sesc Palladium; expôs no JA.Ca – Centro de Arte e Tecnologia de Nova Lima; participou do projeto Through the surfade of the pages, na Universidade de Harvard, em Boston (EUA); e integrou a mostra Noite branca.

Bruno Rios participou das exposições Deriva I e II (em BH), 1ª Bienal Universitária e Bang – 6º Festival Internacional de Videoarte de Barcelona. O belo-horizontino venceu mostra promovida pela Escola de Belas-Artes da Universidade Federal de Minas Gerais, levando o prêmio na categoria melhor artista individual.

TRATO E CORPO TANGENTE

Instalação de Sara Lambranho e obras de Bruno Rios. Galerias Arlinda Corrêa Lima e Genesco Murta do Palácio das Artes. Avenida Afonso Penna, 1.537, Centro, (31) 3236-7400. De terça-feira a sábado, das 9h30 às 21h; domingo, das 16h às 21h. Até 21 de julho.

Destaque em Minas


O edital de seleção de exposições nas galerias do Palácio das Artes é o mais importante de Minas Gerais – pela qualidade e amplitude dos espaços oferecidos ao artista. Nesta edição, foram contemplados para mostras individuais Dimas Dário Guedes (MG), Mayana Martins Redin (RJ), Dirnei Freire Prates (RS) e Juliano Menezes Ventura (RS). A programação inclui também duas coletivas, uma de Minas Gerais e outra de São Paulo.

“Esse momento é maravilhoso para mim. Estou me formando e tenho a possibilidade de apresentar o que realizei”, afirma Bruno Rios. “O mais interessante dessas galerias é o fato de ficarem no Centro de BH e atraírem público”, conclui Sara Lambranho.

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