Primeira edição do Festival Internacional de Fotografia de Belo Horizonte, (FIF-BH), começa em 4 de julho

Mostra traz à cidade nomes de destaque da arte contemporânea

por Sérgio Rodrigo Reis 25/06/2013 06:00

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Jackie Nickerson/Divulgação
A americana Jackie Nickerson busca aproximações entre a paisagem e os dilemas humanos (foto: Jackie Nickerson/Divulgação)
O artista plástico Guilherme Cunha estava em São Paulo, há três anos, numa residência na Casa Tomada, quando participou de uma leitura de portfólio com a curadora franco-libanesa Yasmina Reggad. Ficou tão impressionado com a urgência das questões sobre a produção contemporânea da fotografia em interseção com as artes visuais que resolveu estender a conversa. Ele contou a ela sobre a vocação de Belo Horizonte na organização de grandes festivais e da vontade de realizar algo semelhante com a fotografia. Nasceu aí a ideia do Festival Internacional de Fotografia (FIF-BH), cuja primeira edição será realizada a partir de 4 de julho, em vários espaços da capital.


O tema que norteará as atividades será “Espaços compartilhados da imagem” e a intenção será a promoção e o diálogo entre a produção de diferentes lugares do mundo, bem como o encontro da fotografia com outras linguagens. O evento vai privilegiar os processos criativos que exploram a fotografia como elemento potencial da obra e em diálogo com outras plataformas de produção do conhecimento sensível. Para tanto, a organização resolveu potencializar as ações. Além de uma exposição internacional – que contará com cerca de 300 obras produzidas por 32 artistas, de 19 nacionalidades, oriundos de quatro continentes – o FIF incluirá uma agenda de palestras, oficinas, leituras de portfólio, bate-papos e lançamentos de livros, em vários espaços da cidade. O principal deles será o CentoeQuatro.
 

David Welch/Divulgação
O americano David Welch retrata questões sociais com fotografias de grandes formatos (foto: David Welch/Divulgação)
Idealizado e coordenado também por Bruno Vilela, o FIF-BH vai estender a agenda por mais de 50 dias, com 20 convidados, do Brasil e do exterior, para discutir e estimular processos de produção e pensamentos fotográficos. Não foi fácil reunir um painel tão abrangente da produção internacional na capital mineira. No ano passado, Guilherme Cunha viajou por vários países, sobretudo da Europa, visitando 54 exposições e realizando contatos, mediações e angariando adeptos para o festival. O público poderá conferir o resultado em impactantes imagens que integram a seleção do evento.

Outro desafio foi conseguir recursos. Aprovado pelo Ministério da Cultura para captação em R$ 1,1 milhão, só conseguiu R$ 250 mil, com o CNI/Sesi. “O festival hoje alcança 100 países, estamos trazendo artistas de 19 países, que se encontram nas maiores coleções do mundo e não conseguimos apoio da cidade”, lamenta Guilherme. Segundo ele, só está sendo possível realizar o festival graças a inúmeras parcerias, como a do estúdio Artmorsphere, que imprimiu as imagens. “Vamos trazer para BH uma mostra da produção contemporânea da fotografia que está diretamente em interseção com as artes visuais. É como se abríssemos uma perspectiva sobre as possibilidades e as potencialidades em relação ao meio de produção fotográfica para muito além da imagem. Haverá uma convergência da produção internacional para BH. A intenção é incluir a cidade no calendário internacional. Virão, por exemplo, artistas que estão no MoMa (EUA), no Museu Nacional da Holanda, e em coleções de Chicago, de São Francisco, do Vaticano e por aí vai”, informa Guilherme Cunha.

Roderik Henderson/Divulgação
O holandês Roderik Henderson interessa em retratar pessoas aparentemente descoladas, que estão de passagens por locais que ele chama de %u201Cnão lugares%u201D (foto: Roderik Henderson/Divulgação)
Destaques do FIF


>> Exposição
'Espaços compartilhados da imagem'. A partir do dia 4 de julho, às 19h, o Centro de Arte Contemporânea e Fotografia recebe imagens selecionadas numa convocatória internacional, com curadoria do crítico Eduardo de Jesus, da artista e professora Patrícia Azevedo e dos coordenadores do festival, Bruno Vilela e Guilherme Cunha. São artistas que integram as mais importantes coleções do mundo, como a americana Jackie Nickerson; Nabil Boutrous, nascido no Cairo (Egito), um importante nome do universo da fotografia africana contemporânea; Shen Chao-Liang, de Taiwan; e Alejandro Cartagena, da República Dominicana. A exposição poderá ser vista a partir de 9 de julho, no Museu Mineiro; e a partir do dia 12 no CentoeQuatro e nas estações do metrô de BH.

>> Maratona fotográfica
Foram selecionados por edital 20 fotógrafos para participar da maratona, que mobilizará artistas entre os dias 5 e 10 de julho, para a produção de trabalhos autorais na capital mineira. Além de promover o fomento da produção local, as atividades foram pensadas para compartilhar, de forma abrangente, a produção realizada no festival. Os trabalhos serão projetados na Praça Sete (dia 17, às 18h e às 21h30); na Praça da Liberdade (dia 18, às 18h e às 21h30); na Praça Raul Soares (dia 19, às 18h e às 21h30) e na Praça da Estação (dia 20, às 20h).

>> Palestras
De 13 a 21 de julho, o CentoeQuatro recebe, como parte da programação, 12 palestras que pretendem apresentar ao público um panorama do processo de produção fotográfica, das origens até a atualidade. Estão acertadas as participações de profissionais com trajetória reconhecida na área, como Daniella Géo, brasileira radicada na Bélgica; Rosângela Rennó, fotógrafa nascida em Minas Gerais, residente no Rio de Janeiro; e o camaronês Simon Njami, curador independente, crítico de arte e um dos fundadores da publicação 'Revue Noire', sediada em Paris, que circulou por 20 anos com o objetivo de promover a arte contemporânea africana.

>> Leituras de portfólio
Possibilitam que iniciantes e profissionais se conheçam e compartilhem experiências e referências. Entre os profissionais que participam estão o artista plástico e fotógrafo Alexandre Sequeira, e a pesquisadora no campo da intermidialidade, fotógrafa e curadora Isabel Florêncio Pape. Inscrições para as leituras são gratuitas, até domingo, no site www.fif.art.br. O resultado será apresentado dia 4 de julho e, entre os dias 16 e 17, as leituras serão realizadas no Museu Mineiro.

>> Oficinas
O FIF-BH também tem caráter de difusão cultural. Durante o evento, serão realizadas seis oficinas, cada uma ao preço de R$ 300. Inscrições pelo site www.fif.art.br até dia 5. Todas estarão alinhadas ao tema “Espaços compartilhados da fotografia” e terão um momento de reflexão e outro de prática. Serão ministradas no CentoeQuatro por Alexandre Romariz, Daniel Moreira, David Magila, Dirceu Maués, João Castilho e Pedro David, entre outros profissionais.

FIF-BH

Exposições, projeções, debates e oficinas. Abertura dia 4 de julho , às 19h, no Centro de Arte Contemporânea e Fotografia (Avenida Afonso Pena, 737, Centro). Haverá ainda atividades no CentoeQuatro (Praça Ruy Barbosa, 104, Centro), de 12 de julho a 9 de agosto; no Museu Mineiro (Av. João Pinheiro, 342, Funcionários), de 9 de julho a 25 de agosto; e nas estações do metrô, a partir de 12 de julho. Informações: www.fif.art.br

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