Livro 'Futebol- arte, do Oiapoque ao Chuí', de Caio Vilela, retrata em fotos a paixão nacional pelo esporte

Publicação tem prefácio do craque Zico e texto de Eduardo Petta

por Carlos Herculano Lopes 24/06/2013 06:00

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Caio Vilela/Divulgação
Guias de turismo matam o tempo com bate-bola em Congonhas (MG) (foto: Caio Vilela/Divulgação)
Depois de percorrer boa parte do mundo fotografando peladas de futebol nos lugares mais inusitados – dos países árabes aos cumes do Himalaia, passando pelas terras da Espanha e da África –, o fotógrafo Caio Vilela voltou-se para o próprio umbigo e, com uma máquina na mão, percorreu o Brasil de norte a sul com o mesmo objetivo: mostrar o amor que o povo daqui, desde sempre, teve pelo esporte. O resultado, com algumas fotos de rara beleza, pode ser conferido agora, com o lançamento do livro 'Futebol- arte, do Oiapoque ao Chuí', que tem prefácio do craque Zico e texto de Eduardo Petta.

Nascido em São Paulo, “poucas semanas antes do início da Copa de 1970”, quando não por acaso o Brasil foi campeão do mundo, Caio conta que, durante vários meses, usando todos os meios disponíveis de transporte, percorreu os 27 estados do país, nos quais fez milhares de fotografias da moçada jogando bola em beira de rios e igarapés, praias, pés de serra, ruas calçadas ou não, campinhos de grama ou terra. Ou até nas vizinhanças de um cemitério, na cidade de Mucugê, na Chapada Diamantina, sertão da Bahia.

Em algumas das imagens em que Minas é retratada, dá para ver, num momento de pura alegria, duas crianças jogando em frente a um chafariz em Tiradentes. Em Congonhas, guias turísticos aproveitam uma folga para bater uma bolinha em frente aos profetas, enquanto um grupo de ciclistas, dando um tempo nas pedaladas, improvisa um peru próximo à Igreja da Pampulha, em BH.

Para completar o trabalho, no qual pode-se perceber que o futebol, no Brasil – independentemente de onde esteja sendo jogado – sempre foi levado a sério, entra o texto de Eduardo Petta. Em linguagem tão poética quanto as fotos de Caio, ele conta a história do esporte, desde que foi inventado pelos ingleses, até a chegada ao Brasil, em 1894, trazido pelo paulistano Charles Miller. No início praticado pela elite, logo em seguida o futebol se popularizou, tornando-se unanimidade país afora. “Do Oiapoque ao Chuí, onde quer que se ande pelo Brasil, haverá peladas, haverá campinhos, ritual, drama”, escreve Petta.

Sobre a origem da palavra pelada, ele diz que existem três versões. A primeira viria da palavra pé, “por ser jogada, primordialmente, descalça.” A segunda do verbo pelar, “pois era comum a antiga bola de borracha literalmente pelar os pés, deixando-os vermelhos e ardidos.” Já terceira versão, que segundo Petta é a mais aceita, diz que é a dos campos carecas, pelados, “ou com gramas ralas, onde o esporte é praticado, em oposição aos tapetes verdes do futebol profissional.”

Seja como for, não há quem tenha nascido nestas terras que nunca tenha jogado uma peladinha, nem que seja só nos fins de semana, como bom pretexto para tomar uma cerveja depois, ou então para encontrar amigos, como bem demonstra o livro de Caio Vilela.

Futebol-Arte, do Oiapoque ao Chuí
. Fotografias de Caio Vilela e texto de Eduardo Petta
. Grão Editora, 258 páginas, R$ 125

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