Projeto 100 anos de Vinicius de Moraes presta homenagem ao poeta com programação diversificada

Evento terá sarau, performance teatral, exposição fotográfica e desfile de moda com entrada gratuita

por Ailton Magioli 17/06/2013 06:00

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Coleção Otto Lara Resende/Instituto Moreira Salles
Os escritores Jaime Ovalle e Otto Lara Resende com Vinicius de Moraes (foto: Coleção Otto Lara Resende/Instituto Moreira Salles )
O “Poetinha” está entre nós. O projeto 100 anos de Vinicius de Moraes, em cartaz nesta segunda-feira em Belo Horizonte, homenageará um dos escritores mais queridos do país, cujo centenário de nascimento será comemorado em 19 de outubro. A programação reúne sarau, performance teatral, exposição fotográfica e até desfile de moda.


Pai da bossa nova ao lado de Tom Jobim e João Gilberto, o poeta-compositor deixou memoráveis afrossambas compostos com Baden Powell e vários discos com o parceiro Toquinho, entre outras pérolas da MPB. Para relembrar essa trajetória, o projeto do Centro Universitário UNA mobilizará 70 pessoas, entre professores e alunos do Instituto de Comunicação e Artes.

 

O público poderá conferir fotografias, livros de Vinicius, performance inspirada na peça 'Orfeu da Conceição' e no poema “O operário em construção”, além do documentário 'Vinicius', lançado em 2005.


Ouro Preto A homenagem é para lá de justa. Personagem da cultura carioca, Vinicius também era figurinha carimbada em Minas Gerais. “Aqui tudo é formoso/ Toda madeira é de lei/ Aqui encontrei repouso/ Aqui me reencontrei/ Amiga, só quero pouso/ No Pouso do Chico Rei”. Assinado por ele, esse texto é uma das raridades que o administrador Ricardo Correia de Araújo guarda na pousada fundada pela avó, Lili Correia de Araújo, em Ouro Preto. Essa dinamarquesa chegou a hospedar, entre muitos outros artistas, os poetas Vinicius de Moraes e Pablo Neruda – juntos.


Habitué das rodas musicais e intelectuais mineiras, o “Poetinha”, com o recrudescimento da ditadura militar, passou a vir com maior frequência ao estado. A partir de 1968, visitava a capital e Ouro Preto, cultivava amigos como Mário Mendes Campos (pai do escritor Paulo Mendes Campos), João Heraldo Lima, Carlos Scliar, Carlos Bracher e Ivan Marquetti, entre outros.
Entre um casamento e outro, ele costumava desembacar em Minas em companhia dos filhos, Pedro e Suzana, ou de amigos como a cantora Maria Medalha, atraindo a atenção dos então jovens Carlos Alberto Nemer (artista plástico) e João Bosco, Nelson Angelo e Célio Balona (músicos). “Além de shows, ele fazia muitas palestras em faculdades”, relembra Nelson, que aprofundou a amizade com o compositor quando se mudou para o Rio de Janeiro.

Festa Na década de 1960, o professor e juiz aposentado Augusto José Vieira Neto, então diretor de Arte e Cultura do centenário Centro Acadêmico Afonso Pena da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais, foi ao Rio de Janeiro – com dinheiro numa pasta – contratar Vinicius para uma festa em BH.


Conhecido como “Bala Doce” e também escritor, Vieira Neto ficou fascinado pelo poeta, que pediu como cachê “dois litros de uísque do bom”, passagens de ida e volta no extinto Trem de prata (BH-Rio) e hospedagem. Agendado para falar no salão nobre da faculdade, na Avenida Álvares Cabral, e acuado por agentes do Exército que lá o esperavam, Vinicius atraiu centenas de universitários para a área em frente, onde se construía a nova sede da escola.


“Ligamos para as faculdades de filosofia, de economia e de medicina e lotamos o local. Vestido de bata branca, Vinicius de Moraes fez uma conferência sobre liberdade”, conta Vieira Neto, emocionado com a lembrança.


100 ANOS E VINICIUS E MORAES

Câmpus UNA Liberdade, Rua da Bahia, 1.764, Lourdes. Sarau de poesia, performance teatral, desfile de moda e exposição fotográfica. Nesta segunda-feira, das 8h às 11h30 e das 19h30 às 22h30. Entrada franca.

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